CAPÍTULO VII. O RENASCIMENTO DO SÉCULO XII.

[249] Gustave Cohen, La Grande Clarté du Moyen Âge, págs. 29 e seg., 74 e seg.

[250] Do século XII diz Haskins: "... the very century of St. Bernard and his mule, was in many respects an age of fresh and vigorous life. The epoch of the Crusades, of the rise of towns, and of the earliest bureaucratic states of the West, it saw the culmination of Romanesque art and the beginnings of Gothic; the emergence of the vernacular literature; the revival of the Latin classics and of Latin poetry and Roman law; the recovery of Greec science, with its Arabic additions, and of much of Greek philosophy; and the origin of the first European universities. The twelfth century left its signature on higher education, on the scholastic philosophy, on European systems of law, on architecture and sculpture, on the liturgical drama, on Latin and vernacular poetry.'' Charles Homer Haskins, The Renaissance of the Twelfth Century, Preface, pág. VIII.

[251] " ... et tamen gratia Dei victi sunt a nostris." Histoire Anonyme de la Première Croisade, pág. 52.

[252] "Ut etiam ad comprimendos vicinos materia no careat, inferioris conditionis iuvenes vel quoslibet contemptibilium etiam mechanicarum artium opifices, quos caeterae gentes ab honestioribus et liberioribus studiis tanquam pestem propellunt, ad militiae cingulum vel dignitatum gradus assumere non dedignantur. Ex quo factum est, ut caeteris orbis civitatibus divitiis et potentia praeemineant " Otto Episcopus et Ragewinus Praepositus Frisigenses, "Gesta Friderici I Imperatoris" ed. Wilmons, Liber II, 13, in Monumenta Germaniae Historica, Scriptorum tomus XX, pág. 397.

[253] "Communio quid. Communio autem novum ac pessimum nomen sic se habet, ut capite censi omnes solitum servitutis debitum dominis semel in anno solvant, et si quid contra jura deliquerint, pensione legali emendent. Caeterae censuum exactiones, quae servis infligi solent, omnimodis vacent." Guibert de Nogent, De Vita Sua, Liber III, cap. VII, Migne PL 156 (1880), 1.922 A. Self and Society in Medieval France. The memoirs of Abbot Guibert of Nogent, L. III, c. 7, pág. 167.

[254] Poètes et Romanciers au Moyen Âge, ed. Albert Pauphilet, pág. 252-253. ...em todas as comunas, ou em quase todas, é possível distinguir os pobres dos ricos, os pequenos dos grandes e poderosos. Estes apossam-se dos cargos públicos, locupletam-se com as finanças da comuna e, como dominam nos tribunais, privam os outros de qualquer recurso à justiça... Por isso, as comunas são o teatro de verdadeiras lutas sociais." Régine Pernoud, As Origens da Burguesia, págs. 28-29.

[255] Veja-se a referência que fizemos ao amor e ao culto à mulher no século XII em nosso livro Gênese, Significado e Ensino da Filosofia no Século XII, págs. 157-159.

[256] René Nelli e René Lavaud, Les Troubadours, II. Le Trésor Poétique de l'Occitanie, pág. 655.

[257] Oliveira Marques, História de Portugal, pág. 137-139.

[258] "Os termos que designam na Inglaterra os talhadores de pedra permitem, no entanto, estabelecer certa distinção entre os operários que executam o serviço mais grosseiro e os que faziam trabalhos mais delicados. Essa distinção é baseada na qualidade da pedra trabalhada. Aqueles que, por exemplo, lidavam com uma pedra particularmente dura do Condado de Kent, chamavam-se hard hewers, cortadores de pedras dura, e eles opunham-se, por conseguinte, aos f reestones masons que desbastavam uma excelente pedra calcária suscetível de servir para o trabalho delicado dos escultores e que se encontra numa ampla faixa de terreno que se estende do Dorset à costa do Yorkshire. Os freestone masons opõem-se igualmente aos rough masons que trabalham a pedra grosseiramente.

A expressão freestone mason foi substituída pouco a pouco pela outra amplificada de freemason. O termo freemason refere-se evidentemente à qualidade da pedra e não a qualquer imunidade de que se tivessem beneficiado os construtores das catedrais. No momento em que a franco-maçonaria especulativa foi introduzida da Inglaterra na França à volta de 1725, traduziu-se de modo muito natural freemason por francmaçon, expressão que a Idade Média jamais conhecera" (grifo nosso). Jean Gimpel, Les Batisseurs de Cathédrales, págs. 95-96.

"Signalons que d'après certains étymologistes, freemason viendrait de freestone" `pierre franche', par opposition à la pierre grossière qu'employaient les rough-masons simples manoeuvres." Serge Hutin, Les Francs-Maçons, pág. 50, nota 1.

Sobre os pedreiros-livres que trabalhavam a pedra de cantaria e desfrutavam de privilégios, cf. Gerald A. J. Hodgett, História Social e Econômica da idade Média, págs. 156-159. "A curva que reproduzimos ilustra graficamente essa mutação econômica e podemos verificar que o pedreiro, operário altamente qualificado que fora um dos artesãos da revolução industrial da Idade Média, teve um nível de vida muito superior ao dos pedreiros dos séculos XVII e XVIII" Jean Gimpel, A Revolução Industrial da Idade Média, pág. 101.

Sobre o papel religioso e social das confrarias veja-se Pierre Michaud-Quantin, Universitas, págs. 179-193. Lembre-se que nas corporações de ofícios, inclusive na dos pedreiros-livres, a parte do leão ia sempre para o mestre. Cf. Jacques Heers, Le Travail au Moyen Âge, pág. 96 e seguintes. Consulte-se, ainda sobre as corporações, Jacques Ellul, Histoire des Institutions, 3, Le Moyen Âge, págs. 215-220. É bom saber, também, que só na metade do século XVIII as velhas comunidades de ofícios adotaram na França o nome de corporação, palavra oriunda da Inglaterra. Cf. Emile Coonaert, Les Corporations en Franco avant 1789, pág. 23.

[259] "Quando verdadeiros historiadores assumiram a tarefa de pesquisar cientificamente todas as hipóteses (sobre as origens da maçonaria), partindo da criação da G. L. de Londres, em 1717, e remontaram séculos acima, através da História, uma constatação pôde ser feita, mil vezes comprovada: a Maçonaria nasceu na Inglaterra, sendo uma reorganização da Confraria dos Maçons Operativos e Aceitos, que evoluiu até assumir o seu aspecto atual." Nicola -Aslam, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, vol. III, pág. 643.

[260] Decahors, Histoire de la Littérature Française. I, Le Moyen Âge, págs. 146-148. "Dira-t-on que c'est le peuple qui par la rose compense sa faiblesse? Parfois. Mais ce n'est que plus tard dons ses refaçons et développements du XIIIe, Renard le nouvel de Jacquemart Gelée (vens 1285) et dons le Couronnement de Renart que se roman polymorphe à la matière et la manière ondoyantes et diversos servira de machine politique." Gustavo Cohen, La Vie Littéraire au Moyen Âge, pág. 131.

[261] K. Bihlmeyer - H. Tuechle, História da Igreja, volume 2, pág. 216.

[262] "Saint Norbert, anime d'un vigoureux désir d'apostolat, avait oriente ses moines vers la prédication qu'il considérait comme leur forme essentiel d'activité." Fliche-Martin, Histoire de l'Église, 9, Du Premier Concile du Latran à l'avènement d'Innocent III (1123-1198), pág. 129.

[263] Fliche-Foreville-Rousset, "Du Premier Concile de Latran à l'avènement d'Innocent III", in Fliche-Martin, Histoire de l'Église, 9, pág. 161. Morc Bloch, La Société Féodale. Les Classes et le Gouvernement des Hommes, pág. 49.

[264] Veja-se o meu livro Gênese, Significado e Ensino da Filosofia no Século XII, principalmente a Segunda Parte, da página 157 em diante. Cf. também a minha monografia Platonismo e Aristotelismo no Século XII.

[265] "Nam, cum sint duo praecipua phylosophandi instrumenta, intellectus eiusque interpretatio, intellectum autem quadruvium illuminet, eis vero interpretationem elegantem, rationabilem, ornatam trivium subministret, manifestum est heptatheucon totius phylosophiae unicum ac singulare esse instrumentum." "Prologus Theodorici in Heptatheucon, in Edouard Jeauneau, Le Prologus in Heptatheucon de Thierry de Chartres, in Medieval Studies, vol. XVI, 1954, pág. 174. Em grego hepta quer dizer sete. Heptatheucon significa os sete livros de artes liberais.

[266] Segundo A. González Palencia, os documentos escassos não permitiriam afirmar a existência de uma Escola de tradutores de Toledo, mas foram tantas as obras traduzidas e as pessoas empenhadas nas traduções em Toledo durante o século XII "que bien puede darse por supuesto un núcleo de gentes dedicadas en especial a esta labor, para la qual debieron de tener la ayuda económica y el aliento moral de personajes toledanos", patrocinados pelo arcebispo D. Raimundo. Ángel González Palencia, El Arzobispo Don Raimundo de Toledo, pág. 118. Segundo Bonilla, "los presbíteros, los diáconos y hasta los acólitos de la próxima iglesia rivalizarían con ellos en buscar escuderos musulmanes o hebreos, ádibes (literatos) más o menos complacientes para el fatigoso trabajo de la versión, y los Julianes, Pedros, Domingos, Pelayos y Rodrigos formaban con los Abderrahmanes, Yehudas, Gafires, Abdalahs y Suleimanes el más abigarrado y pinturesco grupo! Todos eran filósofos, no porque hubiesen hallado la verdad, sino porque la buscaban honrada y ardientemente, con perseverancia y con fe!..." Juan García Fayos, "El Colegio de Traductores de Toledo y Domingo Gundisalvo", in Revista de la Biblioteca, Archivo y Museu, Abril, 1932, pág.

[267] Marcelino Menéndez Pelayo, Historia de los Heterodoxos Espanoles, vol. I, pág. 437. Para bem apreciar o movimento das traduções é muito bom examinar primeiro o modo como as obras clássicas chegaram aos árabes que, de certa forma, as devolveram com juros culturais aos cristãos da Europa Ocidental. Veja-se sobre o assunto Abdurrahmãn Badawi, La Transmission de la Philosophie Grecque au monde arabe. Sobre a Espanha como centro de tradutores veja-se Ramón Menéndez Pidal, España, Eslabón entre la Cristiandad y el Islam.

[268] A. C. Crombie, Histoire des Sciences de Saint Augustin à Galilée (4001650), tome I, págs. 30-41. Vejam-se os excelentes Quadros apresentados por Crombie com a indicação de autores, obras, tradutores, local e data das traduções em latim, às páginas 34, 35, 36 e 37 do mesmo volume.

[269] G. Paré, A. Brunet, P. Tremblay - La Renaissance du XIIe Siècle. Les Écoles et l'Enseignement. Philippe Delhaye, "L'Organisation Scolaire au XIIe Siècle", in Traditio, vol. V, 1947.

[270] Geoffroy de Vinsauf celebrou as glórias pedagógicas de Salerno, Bolonha, Paris e Orleães nos famosos versos:

"In morbis sanat medici virtute Salernum
Aegros. In causis Bononia legibus armat
Nudos. Parisius dispensat in artibus illos
Panes, unde cibat robustos. Aurelianis
Educat in canis auctorum lacte tenellos. "

Geoffroy de Vinsauf, "Poetria Nova", v. 1008-1012, in Les Arts Poétiques, ed. Faral, pág. 228.

[271] O clérigo entrosava-se oficialmente na Igreja e o casamento acabava com a clericatura. Isso não era clericalismo, mas representou o desenvolvimento cultural da vida escolar e, depois, universitária, no interior da Igreja. Paré, Brunet, Tremblay, La Renaissance du XIIe Siècle. Les Écoles et l'Enseignement, págs. 60-61.

[272] Lon R. Shelby, "The Education of Medieval English Master Masons", in Speculum, vol. 32, pág. 24

[273] Jean Gimpel, Les Bátisseurs de Cathédrales, pág. 128 e 130.

[274] Lon R. Shelby, "The Geometrical Knowledge of Mediaeval Master Masons", in Speculum, vol. 47, págs. 395-421.

[275] "En tout cas il est absolument certain que, dès le XIIe siècle, la population urbaine s'efforce de se pourvoir d'écoles répondant à ses besoins et placées sous son contrôle." H. Pirenne, "L'Instruction des Marchands ou Moyen Âge", in Annales d'Histoire Économique et Sociale, t. I, pág.

[276] Emile Mâle, L'Art Religieux du XIIe Siècle en France, pág. 315.

[277] "Dicebat Bernardus Carnotensis nos esse quasi nanos gigantium humeris insidentes, ut possimus plura eis et remotiora videre, non utique proprie visus acumine, aut eminentia corporis, sed quia in altum subvehimur et extollimur magnitudine gigantea." Joannis Saresberiensis, Metalogicus, Lib. III, c. IV, Migne PL 199 (1855), cl. 900 C. The Metalogicon of John of Salisbury, translated with an Introduction and Notes by Daniel D. McGarry, pág. 167.

[278] Edouard Jeaunesu, "Nani gigantum humeris insidentes," in Vivarium, vol. V, 2, págs. 98-99.

[279] Bouard, "Encyclopédies Médiévales", in Revue des Questions Historiques, 1930, vol. 17, págs. 288-289.

[280] Lynn Thorndike, A History of Magic and Experimental Science, vol. II, págs. 192-193.

[281] Alexander Neckam, De naturis rerum, pág. 284.

[282] Charles Homer Haskins, "A list of text-books from the Glose of the twelfth century", in Studies in the History of Mediaeval Science, chapter XVIII, págs. 356-376.

[283] "Postquam alphabetum didicerit et ceteris puerilibus rudimentis imbutus fuerit, Donatum et illud moralitatis compendium quod Catonis esse vulgus opinatur addiscat." Ib., pág. 372.

[284] Cf. dísticos III, 1; IV, 19, in Disticha Catonis, ed. Marcas Boas, pág. 152 e 215. Vejam-se, ainda, os dísticos IV, 21, pág. 217; IV, 23, pág. 219; IV, 27, pág. 227; IV, 29, pág. 229; IV, 48, pág. 257.

[285] Bernard d'Utrecht, Accessus ad Auctores, Conrad d'Hirsau, Dialogus super Auctores, ed. Huygens, págs. 19 e 74.