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[O filósofo considerará que, de uma maneira
particular, conforme ele irá explicar, o infinito realmente
pode ser encontrado no
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A. tempo
B. movimento
C. na magnitude, por adição ou divisão
D. nos números, por adição].
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O infinito na magnitude, no movimento e no tempo não
apresenta uma mesma natureza [ratio] que se predique dos
três. Na verdade, o infinito no movimento é predicado por
referência à magnitude e o infinito no tempo é predicado por
referência ao movimento. Isto será explicado no livro quarto.
Isto é assim porque o infinito pertence à quantidade.
[Quantidade pode ser discreta, como os números, ou contínua,
como a magnitude]. Ora, conforme explicado no livro IV, o
movimento tem quantidade por causa da magnitude, e o tempo
tem magnitude por causa do movimento.
[Dito isto, é preciso então analisar os tipos de
infinito que podem existir tanto na magnitude como nos
números. Antes disso, porém, é preciso expressar a natureza
exata do que Aristóteles quer expressar por número, que não é
o mesmo que na Matemática de hoje se entende pela mesma
palavra].
Número, na física Aristotélica, tem como natureza
íntima [ratio], o seu próprio significado etimológico, que
significa uma pluralidade de unidades. [Não unidades ideais,
mas unidades concretas. Isso significa, dentre outras coisas,
que para se determinar se pode existir um número infinito,
não se deve procurar saber se é possível conceber ou teorizar
sobre um número infinito, mas se é possível, dentro da
natureza, existir um número infinito de coisas]. [Dentro
desse conceito de número], o conceito de unidade pertence à
natureza do número, e a indivisibilidade pertence à natureza
da unidade, [afirmação esta última que na matemática moderna
não se dá, porque nela a unidade é divisível, como quando
dizemos o número 0,5, o qual é meia unidade. Esta nova
diferença ocorre porque Aristóteles toma o número num sentido
físico e concreto, como algo pertencendo à natureza, e não à
idealidade].
[Feitas estas considerações, o infinito se
encontra nos números apenas por adição, no sentido de que, a
cada número dado, sempre é possível achar um número maior do
que este]. [Entretanto, para Aristóteles, isso significa não
se é possível, para cada número, imaginar, conceber ou
teorizar um número maior ainda, [como fariam os matemáticos
modernos], mas se, na natureza, para cada número é
fisicamente possível a existência de um número maior ainda.
Conforme ele irá demonstrar, isso é fisicamente possível].
[O infinito na magnitude se encontra por divisão e
adição, mas aqui adição significa algo diferente do infinito
por adição encontrado nos números]. [O infinito na magnitude
existe por divisão na medida em que podemos dividir uma
magnitude qualquer à metade, e esta novamente à metade e
assim por diante, de tal maneira que sempre é possível
reduzir esta magnitude por semelhante processo a um tamanho
menor do que qualquer magnitude finita pré determinada]. [O
infinito na magnitude existe por adição na medida em que
temos duas magnitudes idênticas, A e B, dividimos A pela
metade e a acrescentamos a B; da metade que resta de A,
divide-se novamente pela metade e acrescenta-se a B e assim
sucessivamente, podendo esse processo ir tão longe quanto se
queira]. [O infinito por adição é, desta maneira, na
magnitude, o inverso do infinito por divisão]. [O infinito
por adição na magnitude, no sentido em que, a cada magnitude
sempre é possível achar-se uma magnitude maior ainda, é
fisicamente impossível e não existe, nem em potência, e muito
menos em ato, conforme demonstrará Aristóteles mais adiante].
[Entretanto, conforme também será mostrado, isso não
contradiz o fato de que é possível encontrar-se este tipo de
infinito nos números].
[Uma parte do texto da teoria do infinito, que
deveria vir antes da teoria que se segue, e que foi omitida,
procura demonstrar, com o auxílio de conceitos das ciências
naturais da época de Aristóteles, que é absolutamente
impossível existir um corpo sensível de dimensões infinitas].
[A impossibilidade de na magnitude existir o infinito por
adição como nos números pode ser demonstrada em decorrência
deste fato]. [Esta, entretanto, parece não ser, no
Aristotelismo, a única via pela qual é possível demonstrar a
impossibilidade de existência do infinito por adição na
magnitude pelo modo em que ocorre nos números].
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