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A bela e fecunda Itália, berço de tantos santos, foi a pátria de são Paulo da Cruz.
Nasceu em Ovada, república de Gênova, aos 3 de janeiro de 1694.
O pai, Lucas Dánei, natural de Castellazzo, diocese de Alexandria, era de família
tradicionalmente ilustre, mas decaída do antigo esplendor.
A mãe, Ana Maria Massari, descendia igualmente de nobre linhagem. Sua terra natal foi
Rivarolo, na república de Gênova, mas desde a infância vivia com a família em Ovada.
Aqui também se estabelecera Lucas, ainda jovem, em casa de um tio sacerdote, pe. João
André Dánei.
Realizou-se o enlace matrimonial do virtuoso par a 6 de janeiro de 1692.
Modelo perfeito de união conjugal, mais cobiçosos dos bens imorredouros do Céu que das
efêmeras riquezas da terra, buscavam em honrado comércio o necessário para o sustento da
numerosa prole.
Homem virtuoso e pio, Lucas encontrava suas delicias na prece, na leitura de livros
edificantes, nomeadamente nas biografias dos santos.
Oh! se todos os pais lhe seguissem o exemplo! Nessas fontes hauria virtudes tão sólidas, que
por Deus houvera sacrificado, os mais caros interesses, as mais puras afeições, a própria
vida, enfim. Apesar dos compromissos de esposo e pai, aspirava ao martírio.
Para com o próximo era justo, bom e indulgente; no leito de morte coroa sua vida com um ato
da caridade mais heróica.
Igual fisionomia espiritual, realçada com os suaves atrativos de esposa e mãe, se nos depara
na incomparável figura de Ana Maria.
Humilde, recatada e piedosa, vivia para o lar e para a igreja, repartindo seu tempo entre
Deus e a família. Dedicava-se às lides domésticas e à educação dos filhos como a dever
sagrado.
De paciência inalterável, reprimia qualquer sentimento de revolta e, ao invés de irromper em
palavras de censura, seus lábios tão meigos só sabiam proferir esta expressão de bênção:
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“
Que Deus vos torne santos!
”
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Doçura tão constante granjeou-lhe o afeto de quantos dela se
acercavam. Foi a mulher forte, de que falam as Letras Sagradas. Ao falecer-lhe o esposo, em
agosto de 1727, suportou sozinha e sem queixa, apesar das contínuas enfermidades, o peso
da numerosa família.
Modelo de perfeição, entregou a alma ao Criador em idade avançada, indo receber o prêmio
de suas virtudes, em setembro de 1746.
Estas as plantas eleitas donde desabrochou flor tão pura, cujo aroma de santidade vamos
aspirar.
Dezesseis filhos, preciosas dádivas do Céu, vieram alegrar os corações daqueles santos
pais.
E' de ordinário entre famílias numerosas que Deus sói escolher os privilegiados de sua
graça. Paulo foi o primogênito, se não levarmos em conta uma irmãzinha que o precedeu mas
viveu apenas três dias. Neste amado filho pressentiam os pais desígnios extraordinários.
Todo o tempo que o trouxe em suas entranhas, jamais sentiu a mãe os sofrimentos que soem
preceder a maternidade. Seu nascimento foi assinalado de circunstâncias extraordinárias.
Sendo noite, luz maravilhosa inundou o quarto com resplendor tão vivo, que as lâmpadas
pareciam apagadas. Paulo será a luz radiante que há de espancar as trevas em que jaz o
século XVIII. Veio ao mundo no dia da oitava da festa de são João Evangelista; como este,
há de permanecer em espirito ao pé da Cruz.
Foi batizado no dia da Epifania, que quer dizer MANIFESTAÇÃO DE JESUS. E ele
manifestará ao mundo, pela pregação, os mistérios do Redentor. Recebeu o nome de Paulo
Francisco.
Como o Apóstolo das gentes, será o missionário de Jesus Crucificado e, a exemplo do
seráfico patriarca, fundará uma Congregação alicerçada na mais rigorosa pobreza.
Mulher prudente e cristã, quis Ana Maria alimentar com o próprio leite o filho pequenino, e
este, com o leite, recebeu a piedade materna. Bem cedo deu claríssimas provas do que viria
a ser um dia. Como se já possuíra o uso da razão, alimentava-se apenas de quatro em quatro
horas, indicio da grande abstinência que guardaria mais tarde.
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