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E' no berço que o homem se forma para a virtude ou para o vício. Cumpre à mãe amoldar a
alma e as inclinações do filhinho para o bem, dando-lhe sólida educação religiosa, que
permanecerá para toda vida. Ana Maria, penetrando a extensão da imensa responsabilidade,
pôs todas as suas virtudes a serviço desse altíssimo dever: elevação de inteligência,
delicadeza de sentimento; bondade e energia, unção e piedade, mas, sobretudo, grande fé em
Deus.
Com que solicitude zelou pelo tesouro que o Pai celeste lhe confiara!
Com que cuidado não lhe depositou no coração pequenino a semente de todas as virtudes!
Tinha-o sempre ante os olhos se esmerava por afastar dele tudo o que pudesse empanar-lhe a
candura. E Paulo levará ao túmulo a inocência batismal!
Ensinava-o a conhecer, amar e servir o Pai celeste, narrando-lhe a vida dos santos
anacoretas. E como estava Intimamente unida a Deus, sabia dar às palavras tais acentos e tal
expressão, que o menino a ouvia com o maior interesse. Foi assim que nasceu nele esse amor
à solidão, que se tornou a característica de sua vida.
Falava-lhe da Paixão e Morte de Nosso Senhor, e nos olhos puros do pequeno borbulhavam
lágrimas. Se, ao penteá-lo, Paulo se punha a chorar, como fazem geralmente as crianças,
narrava-lhe algum fato da vida dos santos, e era de ver o pequeno passar do pranto à mais
viva atenção, ainda conservando nos olhos as últimas lágrimas.
Colocava-lhe outras vezes nas mãos o crucifixo, dizendo:
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“
Vê, meu filho, quanto Jesus sofreu
por nosso amor!
”
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E ele, fitando a devota imagem, como por encanto deixava de chorar.
A santa mãe consagrara-o à Rainha das Virgens. Dizia lhe também repetidas vezes da
obediência e docilidade do Menino Jesus e da ternura de Maria Santíssima, o que lhe
despertava singularíssima devoção para com Eles.
E Paulo, de joelhos, mãozinhas postas ante suas imagens, comprazia-se em dirigir-lhes
breves orações.
Essa esmerada educação materna foi corroborada pelos exemplos do virtuoso pai. A
lembrança de mãe tão santa permanecerá indelével na alma agradecida de Paulo Francisco,
até o final de sua longa existência. Dela discorria freqüentemente em público, comovido,
propondo-a como exemplo. Mais tarde dirá:
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“
Se me salvar, como espero, devo-o a educação que recebi de minha mãe
”
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Felizes os pais que assim educam para Deus os seus filhos!
Crescendo Paulo em idade crescia outrossim na virtude.
Desenvolvia-se-lhe natural tendência à solidão, à prece e à penitência, enquanto começava a
revelar caráter brando e afável, talhado para a conquista dos corações. Fugia dos
divertimentos infantis e, com seu irmãozinho João Batista que, como veremos lhe foi
companheiro fiel nos labores apostólicos entretinha-se em construir altarezinhos
adornando-os com flores e imagens do Menino Jesus e da ss. Virgem. Ali passava horas e
horas recitar o terço, devoção que conservou até a morte.
Certa vez, enquanto oferecia esta prova de amor à Rainha do Céu, apareceu-lhe uma criança
de encantadora formosura Era Jesus, que se dignava recompensar assim a ternura que Paulo
lhe votava.
Maria Santíssima também lhe patenteou de modo extraordinário, bem como a João Batista,
sua materna proteção. Enquanto colhiam flores às margens do rio para ornamentar o altar da
Virgem, ambos escorregaram e caíram no Olha. As águas eram profundam, rápida a corrente.
Paulo e João Batista estavam prestes a perecer... quando de improviso vêm uma senhora de
sobre-humana formosura e majestade que, caminhando sobre as águas, lhes estende a mão e
os livra da morte. Graça tão assinalada inflamou mais e mais o coração de Paulo no amor e
no reconhecimento para com a sua libertadora e para com aquele deifico Menino, cuja
beleza o encantara.
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