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Pelos fins de 1709, de Ovada se transferia a família Dánei para as proximidades de Gênova
(Campo Ligúrio). Não diminuís aqui o santo jovem seu fervor nem suas práticas de piedade.
Embora ao aconchego da família, vivia no meio do mundo, em idade em que a imaginação é
vivida, fáceis as impressões e o coração afetuoso.
Iluminado pela graça, compreendeu que o lírio da inocência somente se conserva entre os
espinhos da mortificação e sob o orvalho do Céu.
Austeridade, oração, modéstia angélica, desprezo do mundo, estudo constante e trabalho
assíduo... eis o baluarte que lhe defendeu a virtude.
Tal foi sua vida dos 15 aos 20 anos.
Talvez seja para estranhar que Paulo, todo fervor e piedade, ainda não manifestasse vocação
religiosa ou sacerdotal. E' que ele tinha altíssimo conceito do sacerdócio, não ousando
aspirar a tão sublime dignidade. Mais tarde aceita-la-á, mas tão somente por obediência. O
que desejava era ocultar-se num deserto, lugar inacessível, e lá viver como os antigos
anacoreta. Ter-se-ia, sem dúvida, afastado do convívio do mundo, não fôr a resistência do
diretor espiritual, que o reputava arrimo necessário aos pais.
Paulo jamais se deixou levar por fervores juvenis, mas, guia do por raro discernimento,
lançou-se sem reserva às mãos do pai espiritual, cuja voz para ele era a mesma voz de Deus.
Esperava, pois, em silêncio, a hora da Providência.
Chegamos a um dos momentos mais solenes da vida espiritual do nosso santo. Quando Deus
tem altos desígnios sobre um alma, começa por purificá-la, humilhando-a. Não outorga
missões extraordinárias senão à pureza perfeita e à profunda humildade. E' assim que vai
preparar em Paulo seu vaso de eleição, adornando-o com os mais preciosos dons para
torná-lo admirável instrumento de suas misericórdias. Vejamos em que circunstâncias lhe
concedeu essa graça, que chamaremos de PREPARATÓRIA aos seus adoráveis desígnios.
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