JUNTO A N. SENHORA DA CIDADE

Partiram com Ricinelli, pois o outro noviço abandonara as fileiras da milícia da Cruz. Percorreram sete milhas para chegar ao sopé daquela alta montanha, desnuda e escarpada. Resolutamente, empreenderam a subida. Após longa caminhada, divisaram, afinal, o santuário por entre a floresta de azinheiras que, qual diadema, o circunda.

Chega-se ao santuário por tortuosa vereda, a cuja beira surgem, aqui e ali, pequenas capelas com as estações da via sacra.

A igreja está edificada ao lado de magnifica azinheira, ostentando a imagem da Virgem com o Menino Jesus nos braços. Diz a tradição que a imagem fora encontrada sobre a vetusta árvore.

Naquele profundo ermo podiam os homens de Deus gozar mais livremente dos frutos da solidão e abismar-se com mais fervor nas contemplações celestes. O canto dos divinos louvores e a santidade de Paulo e João Batista consagraram novamente aquele lugar abençoado. Colocaram-se sob a direção espiritual do venerável sacerdote Erasmo Tuccinardi, que, embora lhes refreasse o rigor das penitências, mortificava-os de mil maneiras. Tirou de Paulo e conservou como preciosa relíquia uma disciplina ensangüentada, confeccionada de sete cordas, de cujas extremidades pendiam outras tantas bolas de chumbo, com seis pontas de ferro cada uma. Impunha por vezes aos dois irmãos humilhações heróicas. Ordenava-lhes, por exemplo, levarem ao santuário grandes troncos de árvores, cortadas no mais espesso da floresta, e eles, alegres, obedeciam, carregando-os aos ombros, descalços, a derramar suor, através dos escabrosos atalhos.

A santidade possui irresistível sedução. Os santos fogem do mundo para os desertos e o mundo teima em segui-tos.

O desejo de ver e ouvir o apóstolo da Paixão atraia àquelas alturas numerosos peregrinos. Paulo sempre pronto a deixar Deus por Deus, acolhia-os com a afabilidade dos santos, inflamando-os no amor a Jesus Crucificado.

Mais unidos pelos laços da graça que pelos vínculos do sangue, os dois irmãos auxiliavam-se mutuamente na subida para a cume da perfeição. Certa feita, discorrendo de assuntos espirituais com algumas senhoras que foram visitá-lo, Paulo sentiu, de repente o fogo do santo amor a refletir-lhe do coração no rosto e começou a relatar com simplicidade diversas graças recebidas de N. Senhor, quando chegou João Batista. Como se o surpreendera em alguma falta, disse-lhe em tom severo

“ Ah! Paulo, Paulo, ai estão os seus costumes!... ”

O santo interrompeu imediatamente a conversa, abaixou a cabeça em sinal de obediência e se encaminhou para a igreja, com grande edificação para aquelas pessoas.