MORTE DE D. CAVALIERI

Dois meses ainda não eram decorridos da sua permanência no santuário de Nossa Senhora da Cidade, quando sobreveio a mor. te do estimado d. Cavalieri.

Após a carta de que falamos, o venerável antístite, sempre com o desejo de possuir um retiro Passionista, confiara ao pe. Crivelli, da Companhia de Jesus, a incumbência de examinar vários lugares, escolhendo o que julgasse mais conveniente. O prelado escrevera a respeito aos servos de Deus, manifestando a esperança de tornar a vê-los no local

“ escolhido por tão admirável homem de Deus como é o padre Crivelli ” .

Satisfeito com os piedosos desejos do prelado, aprouve a N. Senhor tirá-lo do desterro e levá-lo para. o repouso da pátria celeste. E' de crer que Deus revelasse ao santo bispo seu próximo trespasse, pois, antes de enfermar, dissera com convicção:

“ Em breve morrerei... Não tardará o dia em que deporei o meu tabernáculo... Urna só coisa pedi a Deus e esta espero consegui-la habitar, por sua infinita misericórdia, na casa do Senhor (Sl. 26, 7) ” .

Caiu gravemente enfermo na véspera dos santos Patronos de sua Catedral, 19 de julho de 1726, e pouco depois estava às portas do sepulcro. Anelando expirar nas chagas sagradas de Jesus, pediu a d. Ligório, Bispo de Lucera, seu mais intimo amigo, que viera assisti-lo, lhe colocasse nos lábios, no momento supremo, a imagem de Jesus Crucificado. Ao principiar a plácida agonia, o santo amigo, desfeito em lágrimas, apresentou-lhe o Crucifixo e recitou a última oração: Senhor, em vossas mãos entrego a minha alma. Esforçou-se o moribundo por repeti-la, beijando com amor o seu Jesus Crucificado. Percebeu-se que dizia em voz baixa Meu Deus e meu tudo, e sua alma foi unir-se ao Salvador na eternidade, precisamente no momento em que o pe. Crivelli, celebrando o santo Sacrifício pelo agonizante, elevava a sagrada Hóstia. D. Cavalieri subia ao Céu juntamente com a Vítima divina, aos 11 de agosto de 1727. Relatou mais tarde o nosso santo que a alma do prelado fora vista por um contemplativo entre os eleitos, no paraíso. Ao apresentar-se ante o trono da ss. Trindade, depois da primeira impressão do amor beatífico, rogou pelo estabelecimento e progresso do Instituto da Paixão. Nosso Senhor respondeu-lhe que sua oração fora ouvida. Esse contemplativo era Paulo, afirmam-no diversas testemunhas.

Perdera aqui na terra o dedicado e santo amigo. Mas, certo de que adquirira no Céu poderoso intercessor, as lágrimas de pesar converteram-se em lágrimas de consolação.

Como a caridade de Nosso Senhor fizera daquelas duas almas uma só, os Passionistas, filhos de Paulo da Cruz, podem chamar-se também filhos deste grande bispo. Incluí-lo-ão na série dos primeiros religiosos e te-lo-ão em eterna memória.