CAPÍTULO XII

1727 - 1728


SÃO ORDENADOS SACERDOTES POR BENTO XIII

Como o pe. Lami, também o cardeal Corradini amava e venerava a Paulo e João Batista. Grandemente admirados do zelo dos servos de Deus, julgaram maior bem produziriam, ordenados sacerdotes. Estes jamais aspirariam a tão sublime dignidade, não soubessem ser esta a vontade de N. Senhor, manifestada por d. Cavalieri. E' que estavam compenetrados da divina excelência do sacerdócio!

O cardeal falou-lhes a respeito. A humildade dos dois irmãos opôs sua autoridade de superior, ordenando-lhes, em nome da obediência, se preparassem às Ordens sagradas.

Incumbiu-se s. eminência de escrever ao bispo de Alexandria, d. Gattinara, que os revestira do santo habito, solicitando as cartas dimissoriais.

Os servos de Deus preparavam-se, com extraordinário fervor, à tremenda dignidade. Amestrados, na solidão, nos sublimes mistérios da fé e nos ensinamentos das sagradas escrituras, apenas lhes faltava conhecer da teologia o necessário para as funções sacerdotais. Entregaram-se a esse estudo com todo o entusiasmo. Tiveram por professor o pe. frei Domingos Maria, menor observante e pároco de São Bartolomeu, na ilha Tiberina.

Receberam a tonsura das mãos de d. Beccari, vigário geral, em sua capela particular, aos 6 de fevereiro de 1727, e as ordens menores no dia 23 do mesmo mês. Aos 12 de abril seguinte, sábado, feitos os exercícios espirituais em o noviciado dos padres Jesuítas, em Santo André de Monte Cavallo, foram promovidos ao subdiaconato, na basílica de Latrão, e ao diaconato no dia 1.o de maio, EXTRA TEMPORA, com dispensa apostólica, após o retiro espiritual na casa dos Lazaristas, no Monte Citório. Finalmente, aos 7 de junho do mesmo ano, sábado das têmporas de Pentecostes, foram ordenados sacerdotes na basílica Vaticana, pelo Santo Padre, o Papa Bento XIII.

No momento em que eram associados ao eterno sacerdócio de Jesus Cristo pelas mãos augustas de seu Vigário, irradiavam-lhes do rosto tal fervor e modéstia a ponto de maravilhar o Soberano Pontífice. Ao ver Paulo prostrado a seus pés, pronunciou com voz diais forte as palavras: ACCIPE SPIRITUM SANCTUM - recebe o Espírito Santo. Apoiou-lhe fortemente as mãos na cabeça e, tornando a junta-las, acrescentou em tom penetrante: DEO GRATIAS, expressão que não está no Pontifical Romano, ditada sem dúvida pelo Espirito de Deus na ordenação de um santo, a quem, decorrido um século, na mesma basílica, seriam tributadas as honras dos altares. Pio IX foi devotíssimo de são Paulo da Cruz. Publicou o decreto de sua canonização aos 4 de outubro de 1866 na capela Vaticana em que o servo de Deus fora ordenado sacerdote.

Terminada a cerimônia, conversou o Papa familiarmente com ambos os irmãos, dirigindo-lhes várias perguntas. Paulo respondia cola respeito e simplicidade.