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O nosso santo é, pois, sacerdote!... Vai tomar nas mãos o sangue do Cordeiro divino e
oferecer a Vítima imaculada... Tudo eram transportes de alegria e êxtases de amor...
Nesse primeiro Sacrifício oferecido por mãos tão puras, visitou Deus a seu ELEITO com
assinalados favores. Muitos anos decorridos, ao recordar-se daquele momento feliz,
derramava dulcíssimas lágrimas. Ignoramos quais fossem esses favores, mas conhecimentos
uma visão admirável numa festa da ss. Trindade e todas as circunstâncias se unem a essa
primeira hora de iniciação sacerdotal. Vejamo-lo.
Paulo rendia fervorosas ações de graças da santa missa, quando, arrebatado em êxtase, ouviu
os anjos cantarem:
Raios de luz celeste desvelaram-lhe as belezas
da eterna Jerusalém! A transbordar de alegria, contemplou os coros dos santos, a hierarquia
dos anjos e a Rainha do paraíso, sobrepujando a todos os bem-aventurados pelo resplendor
da glória, e viu...
exclamava mais tarde, referindo-se àquelas maravilhas.
Ante seus olhares estava a HUMANIDADE DO VERBO, manancial da glória, cujos fulgores
enchem o paraíso. Contemplou, ademais, em meio dum oceano de luz e através de luminosos
véus, a Trindade augusta. Penetrou, ao mesmo tempo, profundamente, no conhecimento das
infinitas perfeições divinas, a ponto de poder exclamar
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“
Oh! que noção possuo, desde aquele arrebatamento, do Poder, da Sabedoria, da Bondade e
dos demais atributos divinos!... Altura incomensurável!... Impossível é descrever o que vi,
pois não há expressões adequadas
”
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Mais. O divino Espirito Santo mostrou-lhe o fulgurante trono que lhe estava preparado desde
o principio do mundo.
Durou a visão cerca de hora e meia.
Imaginemos com que fé e amor subiria Paulo ao altar!
Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada
julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas
copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as
lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de
chorar depois da Consagração.
Qual a fonte misteriosa e inesgotável dessas lágrimas? Ouçamo-lo em palestra com seus
filhos
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“
Acompanhai a Jesus em sua Paixão e Morte, porque a missa é a renovação do Sacrifício da
Cruz. Antes de celebrardes revesti-vos dos sofrimentos de Jesus Crucificado e levai ao altar
as necessidades de todo o mundo
”
.
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Quando celebrava, afigurava-se-lhe estar no Calvário, ao pé da Cruz, em companhia da Mãe
chis Dores e do Discípulo predileto, a contemplar Jesus em suas penas Essa a causa de
tantas lágrimas, verdadeiro sangue da alisa que, mesclado com o Sangue divino do Cordeiro,
eram oferecidas ao Eterno Padre para aplacá-LO e atrair sobre os homens graças e
benefícios.
Revestir-se de Jesus Crucificado antes do santo Sacrifício, Paulo o fazia diariamente, pois
não subia ao altar seu macerar com disciplina terminada em agudas pontas, enquanto
meditava a dolorosa Paixão do Senhor, unindo-se espiritual e corporalmente aos tormentos
do seu Deus. Terminada a santa missa, retirava-se a lugar solitário, entregando-se aos mais
vivos sentimentos de gratidão e amor.
E prescreveu nas santas Regras este método de preparação e ação de graças à santa missa.
Ao comentar as palavras do Evangelho COENACULUM STRATUM, dizia ser o cenáculo o
coração do padre, cuja integridade deve ser defendida a todo custo, mantendo-se sempre
acesas as lâmpadas da fé e da caridade. Comparava também o coração sacerdotal ao
sepulcro de N. Senhor, sepulcro virgem, onde ninguém fora depositado. E acrescentava
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“
O coração do sacerdote deve ser puro e animado de viva fé, -de grande esperança, de
ardentíssima caridade e veemente desejo da glória de Deus e da salvação das almas
”
.
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Zeloso da rigorosa observância das rubricas, corrigia as menores faltas. Velava outrossim
pelo asseio das alfaias sagradas
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“
Tudo o que serve ao santo Sacrifício, dizia, deve ser limpo, sem a menor mancha
”
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Vez por outra mostrou N. Senhor com prodígios quão agradável lhe era a missa celebrada
pelo seu fiel servo.
Celebrava certo dia na capela do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Tinha como ajudante
o ilustre personagem Domingos Constantini. Pouco antes da Consagração, envolveu-o tênue
nuvem de incenso, embalsamando o santuário de perfume desconhecido, enquanto o santo se
elevava a cerca de dois palmos acima do supedâneo. Terminada a Consagração, envolto
sempre naquela misteriosa nuvem, alçou-se novamente ao ar, com -os braços abertos.
Dir-se-ia um Serafim em oração.
O piedoso Constantini de volta à casa, maravilhado, relatou o fato, glorificando a Deus, tão
admirável nos seus santos.
Retornemos, porém, ao hospital de São Galicano.
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