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Com autorização do cardeal Corradini, põem-se a caminho. Chegados a Castellazzo, após
dois meses de penosa viagem, caem doentes.
Paulo ficou dois meses sem celebrar.
Foi, contudo, de grande consolação para a pobre mãe, a presença dos amados filhos.
Aconselharam-na a respeito dos negócios domésticos, encorajaram-na, avivando-lhe os
sentimentos cristãos, fonte inexausta de secretas doçuras nas contrariedades da vida.
Antes de retornarem a Roma (dezembro), aconselharam novamente aos irmãos, exortando-os
a perseverarem na prática do bem e na fidelidade ao divino amor.
Acompanhados pelas lágrimas de todos e pela bênção da santa mãe, dirigiram-se a Gênova,
a fim de embarcar para Roma.
Foi essa a sua última visita à terra natal; jamais, porém, se descuidou o nosso santo dos
parentes. Como seu amor se não baseava na carne nem no sangue, tinha unicamente em mira a
santificação dos entes queridos no humilde estado em que os colocara a Providência.
Anos volvidos, a bondosa mãe, cuja rara piedade já nos é conhecida, passava também ao
eterno repouso. Ana Maria Massari morreu pelos fins de setembro de 1746. A família Danei,
que não conseguira melhorar suas finanças, experimentava por vezes alguma necessidade.
Paulo, pela dupla influência que lhe davam o título de Fundador de uma Congregação
religiosa e as múltiplas e ótimas relações de amizade que possuía, poderia sobremaneira
auxiliá-la. Nunca o fez, porém. Seus parentes deviam seguir a Jesus pobre pelo caminho
seguro do Calvário. Exortava-os a sofrerem as privações da pobreza, qual mãe que encoraja
o filho a suportar passageira dor, mas portadora da saúde e da vida. Escrevia-lhes:
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“
Crede-me, irmãos muito amados, vós sois os mais felizes do mundo. Pobres nesta vida,
tereis, porém, se fordes ricos de fé, os tesouros da eternidade. Sabeis por que Deus vos
submete a tanta indigência e trabalhos? E' que deseja tornar-vos ricos para o Céu. Por esse
meio assegura-vos a eterna salvação. Breve é o penar, pois não dura mais que um momento;
eterna, todavia, será a felicidade
”
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“
Dizei-me: que desejaríeis, se neste momento tivésseis que morrer? Terdes vivido em meio
às riquezas, causa ordinária de graves pecados, e serdes lançados nas chamas do inferno ou,
ao invés, terdes passado a existência na pobreza, como viveis, e voardes para o céu? Ânimo,
pois, ânimo! Não duvideis. Deus não vos abandonará, sempre tereis o necessário
”
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E' esta a maneira de amar os parentes em N. Senhor: ajudá-los a santificar-se no próprio
estado.
O servo de Deus não descurava de suas irmãs, temendo os perigos do mundo. A mãe já não
estava entre elas, mas o nosso apóstolo lhes recordava de freqüente as suas virtudes,
propondo-a como modelo. Recomendava-lhes a oração, o retiro, a modéstia, a vigilância
sobre o coração, companheira inseparável das práticas religiosas, por ser a mais sólida
muralha de proteção à virgem cristã. Ao irmão José escrevia
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“
Meu querido José, recomendo-te diligente vigilância sobre as nossas boas irmãs. Reflete
que elas, mais do que quaisquer outras, estão obrigadas a dar bom exemplo e a santificar-se,
seguindo as instruções que lhes dei de viva voz e por escrito. Vivam retiradas, trabalhem,
entreguem-se à oração e à freqüência dos sacramentos. Sobretudo não admitam visitas de
estranhos, seja quem for. Devemos julgar bem de todos, não há dúvida, mas não se deve
confiar demasiadamente em ninguém. Nosso Senhor, a ss. Virgem, os anjos e os santos
devem ser os únicos confidentes da alma. Deves fugir dos homens, dizia o anjo a santo
Arsênio
”
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“
Nutro firme esperança de que as nossas irmãs hão de santificar-se e sirvam de exemplo
para todas as jovens de Castellazzo. Conheço algumas pobres pessoas que, vivendo no
mundo, fazem grandes coisas por Deus. Embora sofredoras e pobres, jamais deixam a
oração. Oh! como são ditosos os que conhecem a verdade e fogem da mentira, tão espalhada
pelo mundo!
”
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Com advertência e orações soube Paulo conservar na nobre família dos Dánei as antigas
tradições de fé e piedade. Uma de suas irmãs, Teresa, a que observara com interesse as
secretas mortificações de Paulo e João Batista quando ainda na casa paterna, era venerada
em Castellazzo como santa. Virgem amada de Deus, seguia quanto lhe permitiam as
enfermidades, as pegadas do santo. Estava acamada havia muito, acometida de persistente
febre. Paulo, que tanto lhe queria, encontrava-se a centenas de quilômetros da boa irmã, num
dos retiros dos Estados Pontifícios, quando certa noite pareceu à enferma vê-lo em sonho,
revestido do santo hábito da Paixão, de estola roxa... abençoando-a com olhar meigo.
Despertou no mesmo instante... desaparecera a querida imagem, mas - oh! agradável
surpresa! - desaparecera também a febre.
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