CAPÍTULO XIII

1728 - 1730


A CAMINHO DO ARGENTÁRIO

Deus manifestara a sua vontade.

Quais cervos sedentos em busca das fontes da água viva, Paulo e João Batista voam para o Monte Argentário, futuro berço do Instituto da Paixão.

Chegados a Portércole, souberam que a ermida da Anunciação estava habitada por certo anacoreta. Lá estava Antônio Schiaffino, o conterrâneo que saíra de Gaete. É' verdade que, não longe, havia outra ermida dedicada a santo Antão, mas em tal estado que lhes não pareceu bastante decorosa para nela se celebrar o divino Sacrifício. Sobem, nada obstante, o monte, suplicando humildemente ao ermitão habitarem o santo lugar em união de caridade. A proposta foi recusada; nem sequer lhes permitia permanecerem na montanha... Em silêncio e calma, adoraram naquela recusa a vontade do Altíssimo e resolveram voltar a Castellazzo.

Descem ao porto de Santo Estêvão, onde três vapores estão para levantar ferros. Conseguem passagem grátis num daqueles navios. Ao primeiro vento favorável, põem-se em movimento as três embarcações. Duas, desfraldadas as velas, fazem-se rapidamente ao largo, ao passo que a terceira, em que se encontram os servos de Deus, não se move, por maiores esforços que façam os marinheiros. Vem em seu auxílio as outras embarcações. Grossos cabos presos à popa esforçam-se por rebocá-la. Tudo inútil. Permanece imóvel como rocha. Admirados e estupefatos, temeram os marinheiros algum malefício ou castigo do Céu.

Já não sabiam o que fazer, quando Paulo, que estivera em oração no camarote do proprietário da nau, vem acalmá-los, esclarecendo ser ele próprio a causa de o navio não se mover, visto como Deus queria que fixasse naquele monte sua morada.

Com efeito, apenas saltam em terra ele e seu irmão, o barco se afasta da praia, sulcando rapidamente as ondas como os demais.