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Mais uma vez N. Senhor manifestara o carinho com que velava por eles.
Retornam à ermida de Santo Antão, resolvidos a tudo sofrer para cumprimento da ss.
Vontade de Deus. De fato a habitação estava em ruínas. O andar térreo era dividido em dois
compartimentos, um dos quais servia de capela. No andar superior havia dois míseros
quartos, cujo teto não os defendia do vento nem da chuva. Mesmo em 1736 não passava de
mísero tugúrio, que inspirava aborrecimento e horror.
Longe de desanimarem, retiram os escombros e começam a restauração. Ao cabo de alguns
dias, a capela, embora pobre, tornou-se decente. Suprindo a falta de adornos, nela
resplandecia o máximo asseio. No ano precedente (1727), falecera d. Fúlvio Salvi, grande
admirador de Paulo e João Batista. Seu sucessor, d. Cristóvão Palmieri, manifestou-lhes
igual afeto, permitindo-lhes habitarem aquela ermida e lá celebrarem o santo Sacrifício.
O ar puro da montanha e o silêncio da floresta, a calma do espírito e do coração
restauraram-lhes em breve a saúde e as forças. Recomeçaram, pois, o teor de vida, que já
delineamos, a saber
oração contínua, austeras penitências e o canto diurno e noturno dos divinos louvores.
Alegraram-se sobremaneira os habitantes daquelas paragens ao rever os dois solitários,
cujas virtudes tanto admiravam. O ermitão é que não estava satisfeito, muito embora Paulo
empregasse todos os meios para atraí-lo a melhores sentimentos.
Meses após enviou-lhes N. Senhor um jovem piemontês, desejoso de se lhes associar na
vila, penitente. O santo Fundador recebeu-o como irmão leigo e, depois de prová-lo,
revestiu-o do santo líbito, com o nome de João Maria. O recém-chegado permanecia muitas
horas em oração com os sacerdotes, ajudava-lhes a missa e desempenhava os misteres
próprios do seu ofício. Desembaraçados dos cuidados temporais, puderam os padres
empregar mais tempo nos estudos e na oração, preparando-se eficazmente Iara, o ministério
da palavra.
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