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Em sua primeira visita pastoral a Portércole, na quaresma de 1729, d. Palmieri conheceu
melhor os santos anacoretas, cuja fama se apregoava ao longe, e resolveu empregá-los na
santificação do seu rebanho. Após prévio exame de moral, concedeu-lhes jurisdição sobre as
consciências. Ademais, incumbiu-os de preparar o povo de Portércole para a Comunhão
pascal. O documento que o autoriza a ouvir confissões traz a data de 21 de março de 1729.
Ambos trabalharam com extraordinário ardor na conquista daquelas almas. Os pecadores
acorriam pressurosos a depositar aos pés
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dos santos missionários do monte Argentário
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como os chamavam, o peso de suas culpas. Com a paz no coração e a alegria na consciência,
purificada no Sangue de Jesus, tornavam para casa com firme propósito de jamais ofenderem
o seu Deus.
Desde então os servos de Deus jamais deixaram de trabalhar na vinha do Senhor. Como o
divino Pastor, andavam sempre em busca das ovelhas desgarradas. De volta à ermida,
catequizavam os pastores, carvoeiros e caçadores, todos imersos na mais completa
ignorância religiosa. Amáveis e carinhosos, falavam-lhes de Deus e dos interesses da alma,
convidando-os à recepção dos mantos Sacramentos. E tiveram a consolação de ver muitos
deles orarem freqüentemente na pequena igreja, ouvirem a santa missa e se aproximarem da
mesa eucarística.
Pessoas de todas as condições sociais visitavam a ermida, atraídas pela santidade dos dois
solitários. Recomendavam-se às suas orações, pediam conselhos ou purificavam a
consciência no tribunal da confissão. Todos se retiravam edificados e consolados. Como
alguns vinham de longe, Paulo os não despedia em jejum, mas, com encantadora
simplicidade, oferecia-lhes, embora se tratasse de pessoas ilustres, os modestos recursos da
ermida. Muitos aceitavam por devoção essas sagradas migalhas da indigência.
Aos domingos pregavam e confessavam nas localidades vizinhas. Sábado à tarde Paulo
descia a Portércole, passando a noite aos pés do Tabernáculo. Rezava pelas almas a quem
iria repartir o pão da divina palavra. Na manhã seguinte restaurava as forças com o Sangue
do divino Sacrifício e se punha no confessionário a purificar e consolar as almas. Depois do
almoço percorria as ruas da cidade, convidando o povo para a doutrina cristã. Multidão de
homens, mulheres, crianças e até soldados seguiam-no à igreja. Suas palavras eram setas a
inflamar os corações no amor a Jesus Crucificado. E o apóstolo ainda encontrava tempo para
varrer e adornar a igreja, a escadaria e as ruas por onde iria passar o ss. Sacramento! Podia
dizer com o profeta:
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Senhor, amei o decoro de vossa casa (Sl. 25, 8)
”
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Extraordinária era a eficácia desse ministério, roborado pelo exemplo. Quantas almas,
sentadas à sombra da morte, não se elevavam às regiões serenas da luz e da vida? Ouçamos
testemunha ocular, um militar de grandes méritos
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Ao ver o pe. Paulo, tão pobre, tão desapegado das coisas terrenas, tão modesto no olhar,
submetendo-se aos inferiores por amor de Deus, todos reconheciam nele verdadeiro servo
do Altíssimo, unicamente ocupado na salvação das almas, sem levar em conta as fadigas e os
desprezos. Recebiam alegremente de seus lábios a semente da doutrina evangélica,
produzindo esta tão abundantes frutos, a ponto de a cidade de Portércole causar, por suas
virtudes, verdadeira admiração às tropas espanholas e alemãs. Oficiais e soldados diziam
jamais haver encontrado povo mais cristão
”
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