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Esse povo mereceu, por sua docilidade, prodigiosa recompensa. Os santos, a par de uma
potência liara a conquista do Céu, são verdadeiros pára-raios contra as calamidades da
terra, como o atestam inúmeros e incontestáveis milagres.
Obscurecera-se o céu sobre a cidade de Portércole Espessas nuvens agitavam-se
confusamente no espaço; relâmpagos e espantosos trovões pressagiavam deplorável furacão.
Antevia-se a desolação dos campos assolados. Atemorizados, correm à presença de Paulo,
em busca do auxilio de suas orações. Anima-os o santo e, tomando a Cruz, abençoa os
elementos desencadeados. Cai no mesmo instante o granizo em grande quantidade.
Lamentavam-se todos, julgando perdida a colheita daquele ano. Passada a tempestade, vão
pressurosos examinar os campos e os vinhedos. Qual não é a surpresa e a alegria daquele
bom povo ao ver intatas as uvas e as demais frutas, como se caíra apenas benéfica chuva!.
Igual prodígio renovou-o Paulo na mesma cidade, anos decorridos, quando lá, pregou uma,
missão.
Outra feita percorria o servo de Deus as praias, quando se lhe apresentou um pescador
dizendo-lhe, com as lágrimas nos olhos, que havia quatro meses não apanhava peixes e, para
cúmulo de desgraça, encontrava as redes sempre laceradas. As despesas com a manutenção
dos empregados obrigaram-no a contrair muitas dividas, sem saber como saldá-las.
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“
Padre Paulo, exclamava com os braços estendidos, por caridade, benzei minhas redes e o
mar
”
.
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O homem de Deus pôs-se de joelhos, recitou as ladainhas da ss. Virgem e, após benzer com
o Crucifixo o mar e as redes, disse ao proprietário que tivesse confiança, pois N. Senhor
viria em seu auxílio.
Ao cair da tarde, cheio de fé, foi lançar as redes. Apanhou tão grande quantidade de peixe,
que deu para reparar os prejuízos passados. Reconhecido, enviou na manhã seguinte
abundantes peixes aos solitários do Argentário. Desde então a pesca foi sempre abundante.
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