PRIMEIROS COMPANHEIROS

No mês de maio de 1730, o mais jovem de seus irmãos, Antônio, veio visitá-lo. Trazia uma carta e generosa oferta da marquesa Del Pozzo, cujas terras o apóstolo evangelizara, como dissemos. A morte arrebatara-lhe pessoas queridas. Suplicava-lhe celebrasse algumas missas e lhe enviasse palavras de conforto. Respondeu-lhe Paulo como somente os santos sabem responder. Eis algumas de suas expressões:

A morte aumentou vossas penas... graças sejam dadas ao nosso verdadeiro Bem, por vos conservar pregada à Cruz... Ó Cruz amada! Ó santa Cruz! ÁRVORE DA VIDA, em que está suspensa a eterna VIDA, eu te saúdo, abraço-te e te aconchego ao coração! Senhora, estes são os sentimentos que devem animá-la na presente circunstância. Coragem, pois, coragem! Imite a mulher forte da SABEDORIA. Sob fardo tão pesado, a parte inferior da alma tem que sofrer, não há dúvida, mas a parte racional, a mais alta do espirito, fruirá doce repouso no seio de Deus. Não encare de frente os trabalhos, os encargos da casa ou quaisquer outros afazeres; mas fite seu olhar no querido Amor Crucificado, o nosso Jesus, o Rei de dores e de angústias. Tudo, então, lhe parecerá doce!

“ Convenho em que agora não poderá dedicar muito tempo à oração e a outros exercícios de piedade. Com minha ordinária confiança em N. Senhor, dar-lhe-ei no entanto uma norma para orar sem interrupção: SEMPRE ORA QUEM AGE BEM. Suplico-lhe, portanto, tenha a Deus sempre presente em suas ações... Vigie incessantemente o coração com a lembrança de Deus, seu Amor e seu Bem; faça-o, todavia, suavemente, sem esforços... e quando N. Senhor lhe inspirar sentimentos de amor, detenha-se e os saboreie como a abelha saboreia o mel... Viva toda abismada no santo amor. Viva para o Amor e do santíssimo Amor. Amém ” .

Essas expressões não se inventam; faz-se mister experimentá-las para as exprimir. Quem não ama, as não descobre.

O jovem Antônio, fascinado pelas virtudes dos manos e pelos encantos da solidão, decidiu consagrar-se também a Jesus Crucificado. Foi aceito como clérigo. Pouco depois, vem de Gênova um cônego muito erudito, pe. Ângelo Di Stefano, solicitando também a libré do Calvário. Entregou a Paulo unia carta do seu antigo diretor pe. Erasmo Tuccinardi, em que lhe anunciava a próxima vinda de um pároco e de um clérigo. Chegaram no mês de setembro.

Eis os primórdios do humilde Instituto da Paixão.

Já perfaziam o número de sete os solitários do incute Argentário: quatro sacerdotes, dois clérigos e um irmão leigo. Percorriam com fervor e coragem as pegadas de Jesus Crucificado. Paulo regozijava-se no Senhor! Embora acanhada e pobre, nessa primeira residência se firmavam as esperanças do Fundador.

“ O retiro é pequeno, escrevia ao pe. Tuccinardi, mas Deus é bastante grande para ampliá-lo. Assim o espero. Lancemos por alicerce pedras vivas e sobretudo sacerdotais. ”

Para que todos estivessem decentemente alojados, com cortinas dividiu em celazinhas os dois quartos superiores. Cada uma comportava apenas uma enxerga, colocada sobre tijolos e tábuas.

O acanhado quarto contíguo à capela, servia de refeitório e de sala de estudo. Pequena choupana feita de palha de trigo e folhagem, situada na frente da porta de entrada, funcionava de cozinha.