DEFECÇÕES

Belas esperanças... de pronto, porém, desvanecidas...

E' que Deus se comprazia em submeter o nosso santo a duras provas... Cumpria-se o vaticínio do venerável bispo de Tróia, ao compará-lo com Abraão. Prometera o Senhor ao Patriarca numerosa posteridade e lhe ordenara sacrificasse Isac, o filho de suas esperanças...

Paulo recebe a mesma promessa e tem que sacrificar os primeiros companheiros, esperanças do Instituto. A semelhança do divino Mestre, o servo de Deus sofreu o abandono dos seus discípulos. Todos abraçaram com fervor as austeridades da Congregação, mas faltou-lhes força bastante para prosseguirem a rígida jornada.

Confessemos que anui Congregação recém-nascida, sem o prestigio elo passado amo os recursos elo presente exige fé inquebrantável no futuro. Não necessários heróis de abnegação, que avancem corajosamente, seguindo o Fundador, até o cume da santidade. Assim contemplamos plêiades de santos em torno de Domingos de Gusmão, de Francisco de Assis, de Inácio de Loiola e de todos os grandes fundadores. Paulo da Cruz terá também valorosa falange de santos.

Mas, por agora, está só com seus dois irmãos. E a tristeza do abandono cresceu com o esmorecimento do benfeitor que, cedendo a pérfidas sugestões, decidira não mais cumprir a palavra dada para ampliação da ermida.

Paulo, amparado na Cruz, suportou esse contratempo sem desfalecer. Derramou, contudo, sua mágoa no coração de mons. Crescenzi. Este respondeu exortando-o a não desanimar. Dizia-lhe chie Deus, quando os interesses de sua glória o exigissem, abriria caminho para o estabelecimento do Instituto. Recomendava-lhe a santa perseverança. Paulo abandonou-se sem reservas nos braços da Providência.

“ O barco, escrevia ele a Tuccinardi, está lançado ao mar sem vela nem remo, mas sob a direção do grande Piloto, que o conduzirá com segurança ao porto. Investem-no os ventos e as tempestades, para melhor resplandecer a sabedoria de quem o governa. Viva sempre N. S. Jesus Cristo, que nos tem dado força para tudo vencermos por seu amor!... ”

“ Nas obras de Deus, quando as coisas baixam, então é que mais se elevam... Reze por nós, para podermos levar de vencida os nossos inimigos, fortemente armados contra nós... ”

“ Que se cumpra sempre a ss. Vontade de Deus!... Desprezo de nós mesmos, união perfeita com a vontade divina... eis os pontos capitais da vida cristã ” .

Como se conhece, na tribulação, a linguagem dos santos! Humilham-se e adoram; não vêm os homens, mas unicamente a Deus. Os inimigos de que fala Paulo são apenas os demônios. Eram eles que estimulavam os perseguidores e, raivosos, lhe apareciam sob formas horrendas, martirizando-o com pancadas.

Humilde, atribuía o abandono dos discípulos a seus inúmeros pecados. Todavia, essa nova provação, suportada com heroísmo, devia ser fecunda. Deus lhe enviaria novos filhos, filhos de orações e lágrimas, que seriam a glória do Instituto, adorno da Igreja e coroa do Pai amantíssimo.