RECEBE DE CLEMENTE XII O TÍTULO DE MISSIONÁRIO

O eco de seu apostolado na diocese de Soana repercutiu até Roma e mons. Crescenzi bendisse a Nosso Senhor.

Deve recordar-se o leitor de que Paulo e João Batista, ao deixarem o hospital de São Galicano, não possuíam titulo eclesiástico. O Santo Padre, por um Breve, concedera-lhes faculdade de celebrarem por um ano apenas. Por carta de mons. Crescenzi sabemos que o cardeal Corradini desejava provê-los de um benefício, o que lhe não seria difícil, sendo ele Prefeito da Dataria Apostólica. Paulo anelava apenas o benefício da solidão e das almas. Mons. Crescenzi obtinha-lhes prorrogação anual, mas, ao ter conhecimento dos prodígios operados pelos dois amigos em Talamona, exclamou:

“ Agora vejo qual o titulo que N. Senhor deseja para seus fiéis servos ” .

Pede ao snr. bispo de Soana envie ao cardeal Corradini relação dos trabalhos apostólicos de Paulo e João Batista. Sua eminência obtém-lhes então de Clemente XII, por Rescrito de 23 de fevereiro de 1731, o titulo de Missionários.

Aos dezoito de julho do mesmo ano, sempre a pedido do benévolo Crescenzi, o Soberano Pontífice dirigia a d. Palmieri um sacerdote muito santo. Desde a admirável transformação de Inês tinha Paulo naquela família seus maiores benfeitores.

Dirigiu em seguida humilde súplica às autoridades de Orbetello.

Os magistrados reuniram o Conselho aos 15 de julho de 1731. Defendeu o projeto com grande entusiasmo o fervoroso cristão e excelente orador Mateus Sanches.

Foi aprovada por unanimidade a verba destinada à construção e, para a compra do SITIO DE SANTO ANTÃO, foi estabelecida uma renda perpétua sobre os bens comunais, como indenização à prebenda do Priorado da colegiada a que pertencia o sitio.

Escreveram ao cardeal abade Lourenço Altieri, suplicando-lhe sancionasse a deliberação. Dirigiram outrossim um memorial à Congregação dos Bispos e Regulares, a fim de obterem da Santa Sé a faculdade de permutar aquela propriedade eclesiástica.

Aqui encontrou a obra de Deus o primeiro obstáculo. O cardeal, sem dar sinal de oposição, não despachava o requerimento. Qual a causa? Ignoramo-lo. O que não padece dúvida é que sua eminência estimava imensamente os missionários do monte Argentário, jamais deixando de empregá-los para o bem espiritual do seu rebanho. Deus Nosso Senhor se comprazia em dar novo esplendor à fidelidade de seus servos e santificá-los mais e mais pela paciência. Passava o tempo sem que se levasse a cabo a empresa.

No ano seguinte (1732), ao examinar-se com maior atenção o local, verificou-se pertencer à família real. Então os ministros, notadamente o general Espejo, obtiveram do vice-rei de Nápoles despacho favorável.

Sem mais tardança, nos meses hibernais, enquanto Paulo pregava na diocese de Soana, os habitantes de Orbetello transportaram para a montanha grande parte do material necessário à construção.

Sobrevieram, no entanto, novos acontecimentos, que pareciam desvanecer toda e esperança. Formidável esquadra armava-se em Espanha, possivelmente contra as possessões do imperador da Áustria, na Itália. Foram reforçadas as guarnições e fortificadas as praças. Tudo prenunciava a guerra com o cortejo de males que a acompanham.

Houve ademais, no princípio do verão, terrível epidemia em Orbetello. As tropas estrangeiras ali aquarteladas faziam temer o contágio. Faleceram inúmeras pessoas.

Paulo restaurava na, solidão as forças esgotadas, quando soube (Ia desoladora calamidade e voou Irara o teatro da luta. De dia v de noite, nos quartéis, nas prisões, nas casas particulares, onde houvesse um empestado a tratar ou unia. alma a, salvar, lá, estava o nosso herói a prodigalizar os tesouros ele sisa caridade A todos prestava os mais humildes ofícios, notadamente aos indigentes e abandonados.

Vítima da caridade, caiu afinal doente. Apenas teve forças liara chegar à ermida. Contínuos acessos de febre reduziram-no a extrema fraqueza. Alimentava-se unicamente de pão dissolvido eus água, com algumas gotas de azeite. Esteve de cama até o mês de novembro.