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Na época em que nos encontramos, pela triste influência do século XVIII, tudo degenerara.
As pregações quaresmais eram apenas vã e pomposa ostentação de frívola e presunçosa
eloquência. Eloquência artificial, que podia deslumbrar o vulgo, mas deixava as almas como
as encontrava: o coração gélido, o espirito sem convicção, a vontade indiferente.
Paulo detestava essas pregações tão contrárias à simplicidade evangélica e à eloquência dos
Santos Padres. Nas Regras prescreveu aos missionários a eloquência apostólica: devem
pregar, assim nas cidades como nas aldeias, a Jesus Crucificado, não com palavras que
lisonjeiam a sabedoria humana, mas com as que revelam o espirito e a virtude de Deus.
Essa eloquência o nosso santo a possuía em grau eminente.
Os habitantes de Piombino anelavam ouvi-lo de novo. D. Ciani, Bispo de Massa e
Populônia, pediu ao servo de Deus lhes pregasse os quaresmais. Paulo aceitou,
permanecendo, porém, sempre apóstolo. Sua eloquência costumava ele hauri-la nas chagas
do Salvador. Subia ao púlpito abrasado de amor para comunicá-lo aos ouvintes.
AS fadigas ordinárias de uma missão não lhe satisfaziam o zelo. Pregou contemporaneamente
retiro espiritual às religiosas de Santa Clara, com fruto excepcional. Cinco daquelas esposas
de Cristo, especialmente a irmã Querubina Bresciani, dirigida pelo servo de Deus por mais
de 25 anos, desta direção chegaram até nós 36 cartas, entregaram-se generosamente ao
divino amor, morrendo em odor de santidade.
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