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Ao passo que ambiciosos guerreiros se sacrificavam pela conquista de algumas terras com a
espada que mata, Paulo, com a Cruz que salva, sacrificava-se pela conquista das almas
imortais... Apesar da guerra, missionou o nosso santo diversas cidades das dioceses de
Aquapendente, de Città della Pieve, de Soana e da Abadia das Três Fontes.
Dentre os muitos e portentosos milagres operados nessas missões, relataremos os dois
seguintes.
Em Scanzano, diocese de Soana, um cônego, ameaçado de morte por seu parente, permanecia
temeroso em casa. O santo foi em procura do homem vingativo. Vendo-o este, pôs-se a
correr. Paulo seguiu-o por largo tempo, através dos campos, rogando-lhe que parasse. Vendo
que não obedecia, tomou do Crucifixo, que levava ao peito, e bradou fortemente:
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“
Se desobedeceres a este Cristo e não fizeres as pazes com teu parente, cairás morto na
primeira fossa que encontrares
”
.
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Atemorizado pela ameaça, deteve-se o culpado por alguns instantes, mas continuou logo a
fugir de quem desejava salvá-lo. Ao aproximar-se, porém, de uma fossa, deteve-se, refletiu,
mudou de sentimentos e foi ter com o homem de Deus. Estava este a orar ao pé de uma
árvore. Pediu-lhe perdão e ouviu de seus lábios palavras de paz e de conforto. Paulo mandou
chamar o cônego. Abraçaram-se e reconciliaram-se para sempre.
Um tal Francisco Vivarelli, de Magliano, da mesma diocese, recebera de empréstimo de um
sacerdote cem escudos. Ao saldar prometera-lhe o credor destruir a promissória logo que
chegasse em casa. Esqueceu-se, no entanto, de o fazer e faleceu logo depois. Os herdeiros,
dando com o documento, reclamaram de Vivarelli os cem escudos. Este, ao ver a letra, ficou
desolado. Afirmou com juramento que saldara a dívida, alegando as circunstância em que o
fizera.
Não lhe deram crédito e recorreram ao juiz.
Paulo, por esse tempo, pregava missão em Magliano Foi ter Vivarelli na esperança de que
resolveria a contenda. Ices
-lhe o santo que iria consultar a N. Senhor, na santa missa. Logo após o santo Sacrifício,
convidou Vivarelli a acompanha-lo a casa do benfeitor onde se hospedara. Pôs-se
novamente em oração, mandando em seguida chamar os herdeiros do falecido. Surgiu viva
discussão entre os interessados, sem nada concluir.
Paulo tirou, então, da manga um documento e disse aos pretensos credores:
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“
Meus filhos, vede se este recibo é do vossa tio. Observai se a caligrafia é dele
”
.
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“
Sim, responderam surpresos, esta letra é do nosso tio. Não teríamos certamente movido
causa judicial, se no-lo houvessem apresentado antes
”
.
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E sem mais rasgaram a promissória.
Paulo tomou o recibo, colocou-o novamente na manga e ninguém mais o viu.
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