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Enquanto o santo missionário regava com suores o campo evangélico, aproximavam-se os
espanhóis do monte Argentário. Conquistadas Nápoles e a Sicília, começou o duque de
Montemar, em fevereiro de 1735, a concentrar na Toscana, por mar e por terra, grande
contingente de tropas.
Iminente era o ataque. O general austríaco, Espejo vendo ser impossível, com os poucos
soldados de que dispunha atacar o inimigo, resolveu concentrar-se nas fortalezas e resistir o
quanto possível.
Reinavam em Orbetello e comarcas circunvizinhas o salto e o terror; o perigo geral
ameaçava também o santo apóstolo, pois estava em toda parte. Consolava os desalentados
elevava os ânimos e corações para o Céu. Penetrava nas fortalezas, doutrinava os soldados,
ouvia-os em confissão e lhes comunicava o invencível valor do heroísmo cristão, que não
teme a morte, por não temer a eternidade.
A glória de Deus reclamava certo dia a presença do apóstolo na vila de Santa Flora,
província de Sena. Repleta de perigos era a viagem. Nada, todavia, o retinha em se tratando
da glória de Deus.
Ao regressar, foi preso por um destacamento de soldador espanhóis que, tomando-o por
espião das tropas imperiais, o conduziram à presença do general, marquês de Las Minas,
valoroso soldado como fervoroso católico. Certificou-se logo o marquês que tinha diante de
si um santo religioso e fêz questão que almoçasse consigo. A tarde Paulo pediu licença para
partir e foi por entre demonstrações de afeto e veneração do general e dor soldados que
deixou o acampamento. Permitiu N. Senhor o incidente a fim de que o apóstolo, no decorrer
dar batalhas prestes a travar-se, pudesse levar a todos, espanhóis e imperiais, os socorros da
fé que, na caridade de Jesus Cristo, abraça todos os povoa, sem distinção de partidos
políticos.
No mês de abril surgiram as bandeiras inimigas. Montemar, terminando o cerco de
Orbetello, passou o comando do destacamento ao general de Las Minas, com ordem de
apoderar-se das alturas do monte Argentário, donde seria relativamente fácil destruir a
fortaleza de Monte Felipe. Este, sem encontrar oposição, ocupou o monte, nele assentando a
base das operações.
Não longe estava a ermida de Santo Antão. Desejou o general rever a Paulo, cumulando-o de
gentilezas. Muitas vezes quis tê-lo à sua mesa, edificando a todos a modéstia e mortificação
do santo.
Como fosse tempo pascal, Las Minas fê-lo confidente de sua consciência..
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