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Aos dezesseis de abril, sábado depois da Páscoa, começou o fortaleza. Viu-se então o que
pode a caridade de um santo. Ao primeiro ribombo da artilharia, tomou o Crucifixo e
lançou-se ao fragor das batalhas, qual anjo consolador. Da fortaleza inimiga caiam por toda
parte balas e metralhas. Um só pensamento dominava a Paulo da Cruz: salvar almas. Corria
em procura dos feridos e moribundos, prodigalizando-lhes as consolações do Céu e
purificando-lhes a consciência no Sangue de Cristo.
Explode-lhe tão perto uma bomba, que o deixa coberto de terra! Em seu derredor caem
mortos e feridos. Não levando em conta os perigos, multiplica-se para acudir em toda parte
onde haja uma alma a reclamá-lo.
Para confessar um soldado moribundo, não teme, com a intrepidez do herói, chegar
precisamente onde a artilharia causava maior destroço. Las Minas, testemunha da santa
audácia do venerável amigo, não podendo moderar-lhe o zelo, fê-lo acompanhar por um
soldado. A cada troar da artilharia imperial, este o adverte que se lance por terra. Se não
ficou no campo de batalha., foi por patente proteção divina. E' que Deus se compraz em ver
os seus servos desprezarem a morte para salvar as almas.
Mas o apóstolo ainda não se dava por satisfeito. Infatigável, corria sob nuvens de fogo para
o exército que sitiava Orbetello do lado oposto, dizimado por mortífera epidemia. Graças ao
seu zelo, ninguém morria sem os últimos Sacramentos. No começo, muitos soldados
encontravam dificuldades para confessar-se por não compreenderem o italiano nem o
espanhol. Paulo, todavia, aprendeu em pouco tempo seus idiomas, pelo menos o suficiente
para ouvi-los em confissão.
E, coisa extraordinária, somente explicável pelo ascendente da santidade: ambos os
contendores davam livre acesso à caridade do servo de Deus! Dos sitiantes passava aos
sitiados verem-no, suspendiam o fogo da artilharia, abriam-lhe as portas e o recebiam como
um amigo, como um pai. Tal foi a prudência, que sempre guardou, tal a veneração que
inspirava, que jamais deu motivo à mais leve suspeita.
Após 29 dias de cerco, uma bomba fêz voar pelos are o depósito de pólvora. Monte Felipe
rendeu-se, caindo logo mal Portércole em poder dos espanhóis.
Para ser completa a conquista, faltava apenas Orbetello, protegida pelo lago. Informado
falsamente de que seus habitantes eram partidários dos imperiais, ordenou Las Minas fossem
devastados -os vinhedos e os campos e bombardeada a cidade. Já preparavam o terreno e
assentavam as baterias. Paulo, ciente dos acontecimentos, foi ter com o general e advogou a
causa da infeliz cidade, desfazendo as calúnias.
A principio Las Minas mantinha-se irredutível. Mas, vencido. pelas lágrimas do santo,
exclamou
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“
Eu o faço em consideração ao seu pedido
”
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E revogou as ordens. Não tardou a rendição da praça, como previra Paulo, e dias depois
capitulava a guarnição.
O general, ao encontrar-se com o servo de Deus, disse-lhe
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“
O senhor tinha razão, pe. Paulo. Estou satisfeitíssimo com Orbetello. Agradeço-lhe de
coração os conselhos que me deu.
”
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O santo exerceu extraordinária influência nos soldados espanhóis. Ouçamos suas palavras ao
snr. Estêvão Cencelli, nobre patrício de Viterbo.
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“
Cheguei a ser o dono daquele exército, pois, por sua bondade, tanto o general de Las Minas
como os oficiais nada me negavam do que lhes pedisse
”
.
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E, exaltando a piedade das tropas, acrescentava:
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“
Eram verdadeiros cristãos! Com que fervor e entusiasmo vinham confessar-se! Ao dizer-lhes
que ignorava o idioma castelhano, replicavam-me com vivacidade: Interrogue-nos, Padre,
sobre os mandamentos de Deus e dir-lhe-emos as nossas faltas. E, graças a Deus, tudo saía
perfeitamente bem
”
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O mesmo snr. Cencelli, pelo trato familiar que mantinha com a oficialidade espanhola, pôde
verificar de visu e, por assim dizer, tocar com o dedo a grande estima que todo o exercito
professava de Deus e a alta opinião que formava de sua santidade.
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