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Do teatro da luta levava o soldado de Cristo seu apostolado a campos mais pacíficos. O snr.
bispo da ilha de Elba anunciou por carta pastoral ao povo e ao clero a próxima chegada do
grande missionário Paulo da Cruz, tecendo-lhe rasgados elogios. Considerava-o como
extraordinário presente outorgado à terra pela misericórdia do Senhor, recomendando aos
sacerdotes fizessem o retiro espiritual sob sua santa direção.
Três meses consecutivos regou com seus suores aqueles campos apostólicos. Deus o
recompensou com a abundância dos frutos colhidos. Portentosos prodígios acompanharam
essas missões.
Em Rio residia uma senhora maltratada pelo marido por causa das calúnias de uma vizinha,
que lhe votava ódio mortal. A vítima, desfeita em pranto, foi desabafar-se com o santo
missionário. Mandou este chamar a caluniadora e falou-lhe com energia de que só é capaz o
coração de um apóstolo. A infeliz parecia querer retratar-se. Aproveitando a boa disposição
fez vir à sua presença o marido da caluniada. E dirigindo-se à culpada:
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“
Então, está disposta a retratar o que disse a respeito da esposa deste homem?
”
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Como é difícil ao orgulho a reparação da calúnia! A mísera não soube vencer-se e,
obstinando-se na culpa, respondeu com pertinácia:
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“
O que eu disse a seu respeito é a pura verdade!
”
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O defensor da inocência, repleto do espirito de Deus, exclamou:
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“
Pois bem, venha comigo à igreja e confirme ante o ss. Sacramento o que disse
”
.
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E lá, ante o tabernáculo, em presença de outro sacerdote, da vítima e do esposo, a mulher
não titubeou em cometer execrável perjúrio, confirmando as calúnias. Em castigo, porém,
audácia, ficou imediatamente possessa do demônio, que a elevou aos ares, enquanto da boca,
espumante e colérica, lhe saia a língua toda. As testemunhas estavam apavoradas... Pondo-se
em oração, recitou Paulo os exorcismos, e o espirito maligno, passados instantes, deixou-a
cair por terra sem sentidos. Retirando do tabernáculo o cibório, o santo o aconchegou à
cabeça da desventurada mulher. A virtude do ss. Sacramento fê-la voltar a si e, com o
coração lacerado pelo arrependimento, retratou-se de tudo o que dissera.
Na mesma localidade a voz do missionário tomou repentinamente solene e terrifica entoação,
como se se dirigisse a obstinado pecador. Fixa os olhares no portal do templo, detém-se por
instantes e exclama, imerso em profunda tristeza
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“
Oh! tu somente queres permanecer obstinado na culpa?
”
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E abraçando o grande Crucifixo que estava sobre o estrado em que pregava, prosseguiu
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“
Eu, eu mesmo, com meu Jesus, virei converter-te
”
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Ao pronunciar estas palavras, elevou-se extático, voou por sobre o auditório, chegou até a
porta da igreja e retornou ao mesmo lugar.
Estavam todos imóveis pelo inaudito do milagre!
Ao chegar à ilha de Elba, nos primeiros dias de junho, Paulo encontrou-a assolada pela seca.
Era o tempo da ceifa e não caíra uma gota de água! Ninguém queria ter o trabalho de colher
alguns feixes de palha. O santo, imploradas as bênçãos do Pai celeste, dizia-lhes, no
entretanto:
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“
Confiança, meus filhos. Ide à messe e vereis como N. Senhor é bom...
”
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Considerando-o grande taumaturgo, obedeceram. E tão abundante foi a colheita, que diziam,
á maneira de provérbio:
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“
O ano e a colheita do pe. Paulo
”
.
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Após alguns dias de descanso no monte Argentário, prosseguiu as missões.
Orbetello e Portércole reclamavam novamente o obreiro evangélico. Voltara a reinar a paz
naqueles arredores e desejavam entregar-se aos interesses da alma e do Céu.
Em ambas essas missões, os soldados espanhóis se mostraram admiráveis na fé. Muito
embora poucos entendessem bem o idioma italiano, a palavra do missionário penetrava-lhes
o coração, fazendo-lhes derramar abundantes lágrimas. O general de Las Minas, em
companhia dos oficiais, assistia os sermões e, sob a direção espiritual do apóstolo, fez
grandes progressos na virtude. Paulo ensinara-lhe a meditar os novíssimos e a Paixão de N.
Senhor, e o piedoso general empregava toda manhã duas horas nesse santo exercício.
Aproximava-se freqüentemente dos Sacramentos, confessando-se sempre com Paulo, e
entretinha-se em colóquios espirituais com o santo diretor, cujos conselhos seguia à risca. O
mesmo fazia a esposa, mulher piedosíssima.
Não queremos passar em silêncio o prodígio operado por Paulo na família Grazi. Foi o
homem de Deus visitar o snr. Anastácio, atacado de gota. Agudíssimas eram as dores. Ao
ver o servo de Deus, começou a bradar que não se aproximasse e muito menos o tocasse,
pois não podia sequer suportar o contato dos lençóis. Exortou-o o santo a ter confiança em
Deus, enquanto traçava com o dedo sobre o lençol o sinal da Cruz, da cabeça aos pés do
enfermo. O efeito foi imediato. Desapareceram as dores e Anastácio estava curado. Não
sabendo conter-se, bradou o miraculado
Rogou-lhe Paulo que se calasse, mas Anastácio, sem prestar-lhe atenção, repetiu com voz
mais alta:
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“
Estou curado! Já não sinto mais nada!
”
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O servo de Deus, lançando-se-lhe aos pés, conjurou-o por favor a que guardasse silêncio;
mas, ao perceber que eram inúteis os pedidos, saíu apressadamente, como se fora
surpreendido em grave delito. Aproximou-se então Anastácio da janela e pôs-se a bradar
com toda a força dos pulmões:
Vestindo-se às pressas, saiu pelas ruas e praças da cidade, proclamando o prodígio.
Por essa época o servo de Deus lançou mão de um expediente verdadeiramente heróico para
converter a grande pecador. Uma tarde de inverno chegou à ermida de Santo Antão célebre
bandido, armado como andam tais pessoas. Acolheu-o Paulo com a habitual afabilidade.
Disse-lhe o bandido que havia 30 anos não se confessava. Paulo, por mais que se esforçasse
para reconciliá-lo, com Deus, nada conseguiu. Pediu-lhe que pelo menos aceitasse
hospitalidade por aquela noite, no que concordou o pecador.
Na manhã seguinte, não se atrevendo a apresentar-se ao santo, tomou as armas e partiu
furtivamente. Descia a montanha quando, ao passar por um reservatório de água gelada, via
nele mergulhado o homem de Deus, com os braços estendidos em forma de Cruz.
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“
Que está fazendo aí, pe. Paulo?
”
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exclamou, estupefato.
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“
Aqui estou, respondeu o santo com inflexão penetrada de dor, aqui estou penitenciando-me
por você
”
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Essas palavras enterneceram afinal aquele coração de pedra. Não reteve as lágrimas e foi
ajudar a Paulo a sair do gelo, acompanhando-o até a ermida. A conversão fora integral. Oito
dias de retiro sob a direção do caridoso padre formaram-no na penitência e na vida cristã.
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