CAPÍTULO XVII

1736 - 1738


VAI A NÁPOLES CONFERENCIAR COM CARLOS III

Paulo sentia não poder instalar melhor a querida família religiosa. A construção continuava suspensa por falta de recursos.

O irmão Marcos fora incumbido de conservar, ao menos, as paredes já levantadas. Quando em casa, Paulo comprazia-se em ajuda-lo pessoalmente. Um sacerdote seu amigo, ao vê-lo trabalhar, perguntou-lhe com que meios contava levar a cabo o edifício. Paulo respondeu

“ Tenho apenas 30 soldados, mas conto com o auxílio de Deus ” .

A compra e o transporte dos primeiros materiais custaram muito e lhe consumiram as abundantes esmolas que recebera de Orbetello e já não tinha coragem de solicitar novos auxílios, levando em consideração as devastações da guerra.

O general de Las Minas, que conseguira do rei licença para a continuação das obras, aconselhara-o a dirigir-se a Carlos III, cuja generosidade, dizia ele, corria parelhas com sua bondade.

Após a festa de santo Antão, no rigor do inverno, confiando a pequena comunidade à direção do pe. Fulgêncio, partiu para Nápoles com o pe, João Batista. Recebeu-os o rei durante o jantar. Perguntou-lhes com vivo interesse o motivo da viagem. Expôs-lhe o servo de Deus em breves palavras a finalidade do Instituto e os primórdios da construção do convento. Agradeceu a Sua Majestade a licença concedida e concluiu afirmando contar com sus generosidade para o remate do edifício.

Carlos III, contente por saber da existência de obra tão santa, sem mais deu ordem para lhe entregarem cem dobrões. Com ótimo auxílio prosseguiram velozmente as obras. Para mais acelerar os trabalhos, os próprios religiosos se uniram aos pedreiros. Todas as manhãs, após as orações e a santa Missa, dirigiam-se à construção. Paulo, como servente, animava a todos com o exempla e a palavra. Construindo o templo material, não descuidava o edifício espiritual das almas, incutindo no mestre e nos operários ódio mortal ao pecado, amor ardente à sagrada Paixão de Jesus e à Mãe das Dores.

Quem poder, descrever os transportes de alegria do santo Fundador?

“ Meu Deus, exclamava, é esta a mansão do vosso amor, por vós preparada para os que vos amam ” .

Os demônios, divisando no edifício forte baluarte contra o seu poder, envidaram todos os esforços por lançá-lo por terra; destruíam de noite o que se levantava durante o dia. Contudo, força superior paralisou a teimosia diabólica. Vencidos pelas orações do santo, vingaram-se os espíritos infernais em sua pessoa, atormentando-o atrozmente, enquanto novas derrotas lhes infligia a paciência heróica de Paulo da Cruz.