OBSTINADAS PERSEGUIÇÕES

De volta à solidão, ao invés de doce e merecido descanso, encontraram perseguições e angústias tais, que, sem especialíssima proteção do Céu, não teriam resistido. Os demônios e os homens coligavam-se para destruir o Instituto. Dir-se-ia haver N. Senhor entregue o santo às mãos dos inimigos. Ouçamos as cruéis angústias de sua alma em carta confidencial a um amigo

“ Ó Deus! como estão raivosos os demônios! Quanto dano causam as más línguas! Não sei para que lado voltar-me. Só Deus sabe como estou. Aumentam de todas as partes as tempestades e de todos os lados sopram ventos contrários. Perseguem-no. os demônios com perversidade e os homens com boa intenção. Bendito seja Deus!... ”

Em outra carta, escreve:

“ Preparam-se novos combates. Como me sairei deles? Sucedem-se as tempestades, aumentam as trevas, os temores não se desvanecem. Os demônios atacam, os homens ferem com a língua Por fora rudes assaltos, por dentro temores, trevas, aridezas espirituais, desgostos e desolações ” .

Vejamos donde surgiu a tempestade.

Por inveja, julgava Portércole injuriosa preferência a construção do retiro em território de Orbetello. O descontentamento chegou a explodir em burlas e insultos ao santo e a seus filhos

O que, porém, mais amargurava o coração de Paulo era que a, perseguições vinham também de Orbetello, onde alguns homem influentes olhavam de maus olhos o servo de Deus, talvez ofendi dos por sua apostólica franqueza ou por motivos outros, que se envergonhavam de declarar. Não se atreviam, contudo, a cumba tê-lo abertamente, por causa da estima do povo e da proteção que lhe dispensavam os membros mais eminentes do governo.

Com a ausência, porém, do general de Las Minas, não teve limites a audácia daqueles homens. Estimulados pelos demônio, começaram por desacreditá-lo publicamente. Ele devia abandonar o retiro... Inventaram as mais negras calúnias e urdiram a trama com tão fina malícia, que nela prenderam até o eminentíssimo abade, aliás de ânimo já prevenido, em virtude de outras falsa acusações.

Daqui provieram ao homem de Deus tribulações sem conta. Chegaram os perversos a propalar que o cardeal ameaçara aos que auxiliassem os missionários do Argentário. Esses infames ardis entibiaram o amor dos fiéis aos seus benfeitores. Uns por temor outros por respeito humano, outros ainda desalentados pelas calúnias, todos enfim deixaram de enviar ofertas à ermida. E o servos de Deus se viram reduzidos a tal indigência, a ponto de alimentar-se somente de ervas silvestres.

Em tais angústias, acrescidas por desolações espirituais e vexações diabólicas, gemia o santo:

“ Em que águas se encontra submerso o pobre Paul Ah! Deus flagela-me de maneira indescritível e temo que os sofrimentos aumentarão! Pedi ao Senhor que me castigue com misericórdia, mas me salve a alma, que tão caro lhe custou. Deus seja bendito! ”

A essas espantosas provações aliava-se a ausência das doces consolações provindas ao missionário quando conquista alotas para o Céu.

Na missão pregada em Pitigliano, dor imensa invadiu-lhe o coração ao ver os fiéis, por torpes intrigas, oporem obstinadíssima resistência à palavra divina. Ambos os irmãos, desolados, abandonaram a ingrata cidade, sacudindo o pó de seus pés, como manda o Evangelho.

Para cúmulo dos males, caiu enferma a pequena comunidade, inclusive Paulo. Faltava até o necessário. O coração do santo, embora imerso na mais profunda mágoa, haurindo ânimo nas chagas do Salvador, alternava os filhos queridos. Levantava-se penosamente do pobre leito para tratá-los com afeto verdadeiramente maternal.

Mas Deus velava por seus servos. De Parto Langone, ilha de Elba, chegou por esse tempo o fervoroso sacerdote Pedro Cavalieri a alistar-se na milícia da Cruz. Não desanimou ao deparar tanta penúria e tantos sofrimentos; mas, como enviado de Deus no momento supremo, serviu-lhes de enfermeiro e o fez com extremos de dedicação. Quando os viu completamente restabelecidos foi regularizar os seus negócios e os da família e retornou ao monte Argentário para receber o santo hábito das mãos do Fundador.

Ademais, minorou a Providência a pobreza dos seus servos, com despertar nas almas generosos sentimentos de caridade para com eles.

Piedosa senhora da diocese de Aquapendente enviou-lhes muito legumes e as religiosas de Piombino angariaram donativos em seu favor.

Já não passavam fome, mas... cresciam as perseguições.