|
Juraram os inimigos expulsá-los do Argentário. Exasperados pela ineficácia das calúnias,
lançaram mão da violência, julgando conseguir o que não conseguiram os demônios. Haviam
de destruir o retiro, quase concluído!
Auxiliados pelas trevas da noite, quando tudo era silêncio em torno do edifício e os
religiosos descansavam tranqüilos na ermida, os desalmados, cegos pela paixão, foram de
mansinho executar o plano sinistro. Já se aproximavam daquelas paredes sagradas, quando o
mesmo poder misterioso que as defendera contra os demônios feriu-os de espanto e terror,
fugindo quem para uma direção quem para outra.
Que tinham visto?
De pé, sobre um globo de fogo, empunhando cintilante espada, o arcanjo são Miguel a
defender o edifício...
Foi assim que uma santa alma o contemplou.
Ciente do perigo por que passara a construção e da maneira como fora defendida, dedicou o
santo Fundador um altar da nova igreja ao glorioso Arcanjo.
Com sinais tão evidentes da proteção celeste, julgou Paulo dever dirigir-se ao eminentíssimo
abade para desfazer as calúnias dos adversários. Por duas vezes foi a Roma, escreveu
inúmeras cartas; mas só após ingentes trabalhos conseguiu pôr à luz do dia a má fé dos
caluniadores.
O cardeal, sempre temeroso de que os pobres e perseguidos religiosos não pudessem ter os
altares suficientemente adornados não permitiu o exercício do culto na nova igreja.
Autorizou-os apenas a habitarem o retiro. Essa determinação levou ao auge a consternação
do santo.
Todavia, esperou resignadamente que Deus mudasse o coração do prelado.
Como fosse excessivo o calor em 1737, não podiam os religiosos continuar na ermida sem
perigo de graves enfermidades. Transferiram-se, pois, para o novo edifício. Mas surgiu
outro inconveniente. Os sacerdotes, debilitados pela enfermidade que os acometera, deviam
percorrer diariamente milha e meia, descalços e por caminhos pedregosos, para celebrar na
igreja de Santo Antão, quando a preço de enormes sacrifícios haviam construído esplêndida
igreja.
Paulo resolveu escrever ao snr. cardeal, rogando-lhe provisionasse a nova igreja como
oratório privado, para que pudessem os, sacerdotes ao menos celebrar o santo Sacrifício.
|
“
Assim, acrescentava, permaneceremos por mais tempo aos pés do Crucifixo, visto não nos
ser permitido trabalhar em prol das almas administrando-lhes os sacramentos, como até hoje
fizemos. Esperamos que a misericórdia divina, a quem de coração desejamos servir durante
toda a vida, compadecer-se-á de nós. Na. divina Bondade descansam todas as nossas
esperanças. Rendemos graças ao nosso Amor Crucificado por nos haver fechado os
caminhos humanos. Nossa confiança estriba-se unicamente em sua paternal bondade
”
.
|
|
|
|