A NOVENA DA APRESENTAÇÃO

O cardeal abade presenteou-o com grande e magnífico quadro, da escola do cavalheiro Conca, representando a ss. Virgem ao consagrar-se a Deus no templo de Jerusalém.

Essa atenção agradou imensamente a Paulo; aliás, era tocar-lhe na fibra mais sensível do coração, pois a Apresentação de Maria ao templo foi sempre uma das principais devoções do serve, de Deus. Começou a celebrar a festa com muita solenidade, precedida de novena. Nesses dias venturosos, experimentava consolações celestiais, sobretudo ao entoar o salmo, tão em harmonia corai suas lutas e triunfos. Citemos alguns trechos:

“ Alegrai-vos no Senhor, vós, povos de toda a terra; entoai cânticos ao seu nome; celebrai-lhe a glória e os louvares... Ó meu Deus, que toda a terra vos adore, apregoe a vossa glória e cante o vosso nome... ”

Parecia, reconhecer nas seguintes expressões as veredas por onde Deus o conduzia:

“ Foi o Senhor que me fortaleceu a alma na vida e não permitiu me vacilassem os pés; vós, porém, ó meu Deus, nos provastes, fazendo-nos passar pelo fogo, como o ouro pelo crisol... Caminhamos pelo fogo e pelas águas, e afinal nos conduzistes a um lugar de refrigério... ”

Com que efusão da alma ele cantava:

“ Entrarei em vossa casa com holocaustos: cumprirei os votos que meus lábios pronunciaram e minha boca proferiu em meio das angústias... Bendito seja o Senhor, que não rejeitou minha oração nem de mim afastou sua misericórdia!... ”

A idade avançada, as grandes distâncias, as graves enfermidades não o impediam de estar no Argentário para celebrar a novena e a festa da Apresentação. Costumava dizer:

“ O grande dia da Apresentação, eu o considero um dos mais santos da Igreja ” .

E que piedosas recordações lhe não trazia ao espirito essa festividade?! Foi nesse dia que deu o último adeus ao mundo, para receber no dia seguinte, sexta-feira, das mãos do seu bispo, o hábito da Paixão, consagrando-se inteira e irrevogavelmente a Jesus Crucificado. Havia ainda um motivo secreto que o obrigava a amar com predileção essa festa. Certa ocasião, ao discorrer com seus religiosos a respeito da Apresentação, exclamou com ênfase:

“ Eu sei, sim, eu sei!... ”

E chegou a confiar o segredo a quem não soube guardá-lo...