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Alguns dias de recolhimento e oração no Monte Argentário, e eis novamente em campo o
valoroso missionário!
Pregou ininterruptamente sete missões na diocese de
a começar
pela catedral. Muitos milagres acompanharam esses labores apostólicos. Citaremos apenas
um, dos mais admiráveis, operado em presença de todo o povo.
Sofria o missionário ao ver que alguns habitantes de Piágaro resistiam à palavra de Deus e
desacreditavam a missão. Apelou para N. Senhor a fim de triunfar daqueles corações.
Jesus para consolá-lo, revelou-lhe os desígnios de sua misericórdia em prol daquelas almas.
Várias vezes, mas sobretudo noa últimos dias, proferiu o apóstolo estas notáveis palavras:
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“
Há entre vós quem deseja ardentemente a minha partida e o fim da missão, que lhe parece
interminável. Pois bem, ao retirar-me, deixarei alguém que pregará melhor do que eu
”
.
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Ditas estas palavras, deu a bênção papal, desceu do estrado e, seguido de grande parte do
povo, partiu para Monteleone, onde ia iniciar outra missão.
Muitas pessoas permaneciam ainda na igreja, quando um grande Crucifixo esculpido em
madeira começa a derramar copioso suor, particularmente das sagradas chagas das mãos,
dos pés e do lado. Todos bradavam a um tempo: Milagre! Milagre!
Os que estavam fora entraram em tropel e se puseram em redor da venerável imagem para
melhor observar o fenômeno.
Um senhor, por nome Antônio Félix, lançou-se sobre o altar, exclamando:
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“
Isto é efeito dos meus pecados...
”
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A emoção foi geral. Antônio enxugou respeitosamente o misterioso suor com um lenço
branco.
Outras testemunhas foram referir a Paulo o prodígio.
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“
Eu já o sabia, - foi a sua resposta. - De que cor é o suor?
”
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disseram-lhe.
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“
Bom sinal, replicou o santo e prosseguiu caminho.
”
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Na verdade, sinal da misericórdia divina. Pecador algum resistiu por mais tempo à graça. Os
que não se haviam comovido com a palavra ardente do apóstolo, renderam-se à vista do
milagre.
Para cultuar a milagrosa imagem e perpetuar a memória do ocorrido, construíram uma
capela, em que se colocou o Crucifixo, gravando-se em lápides de mármore as seguintes
inscrições:
Ao lado do Evangelho:
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“
D. O. M.
HAEC IMAGO CHRISTI E CRVCE PENDENTIS,
POST HABITAM A PAVLO DE CRUCE
E MONTE ARGENTARIO SACRAM MISSIONEM,
SPECTANTE ET INGEMISCENTE POPVLO PLAGARENSI,
CAERVLEO SVDORE MANAVIT
DIE XI MAII MDCCXXXVIII
”
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Ao lado da Epístola:
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“
ADMIRANDI SVDORIS MONVMENTVM,
QUAESTORES POPVLI PLAGARENSIS,
STIPE COLLATITIO,
ET ANTONIVS PAZZAGLIA, CIVIS CALLENSIS,
SACERDOS ET ECCLESIAE RECTOR,
CONSILIO, INDUSTRIA, ET PECVNIA,
SACELLI HVIVS ORNAMENTUM
ANNO 1738, FIERI CVRAVIT.
”
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[Omitimos outras inscrições].
Damos aqui a tradução das duas inscrições:
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“
Esta imagem de Jesus Crucificado, ao terminar a missão pregada pelo pe. Paulo da Cruz, do
monte Argentário, à vista do povo de Piágaro, que soluçava e chorava, derramou suor de côr
cerúlea, aos 11 de maio de 1738
”
.
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“
Os magistrados da cidade de Piágaro erigiram este monumento com o auxílio de
subscrições, em memória do suor prodigioso, e Antônio Pazzaglia, cidadão de Calle,
sacerdote e reitor desta igreja, esmerou-se em ornar esta capela, com sua competência e
dinheiro, no ano de 1738
”
.
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Sem dúvida, relataram ao servo de Deus outros pormenores do prodígio, diz são Vicente
Strambi, porque escrevia em uma de suas cartas:
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“
Eu já estava. ao par do que ocorrera em Civitavecchia
”
.
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Qual o fato de que o santo faz aqui menção? É o que ignoramos, mas percebe-se que se trata
de algo milagroso.
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“
Um acontecimento não menos prodigioso sucedeu em uma de nossas missões na Umbria.
Um Crucifixo esculpido em alto relevo suou abundantemente. Instauraram processo verbal
do prodígio e enviaram-no a Roma. Atualmente está em grande veneração aquele Crucifixo,
pelos milagres que por ele se operaram
”
.
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Assim se exprime o santo numa carta de Santo
Anjo, datada de 28 de junho, dirigida ao dr. Domingos Ercolani, de Castellana.
São Vicente Strambi acrescenta
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“
O povo de Piágaro sempre venerou com culto especial aquele Crucifixo, Só o contemplá-lo
comove e traz à lembrança o prodígio, porque ainda conserva o vestígio das gotas de suor
que lhe correram da cabeça aos pés. Eu mesmo me convenci, com meus próprios olhos, da
veracidade do fato, na missão que lá pregamos, em 1777
”
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Para não cairmos em demasiadas repetições, diremos que, até a primavera de 1740, o
infatigável apóstolo pregou muitas missões em várias dioceses, especialmente na de Todi, na
Umbria, e sempre com imenso fruto de salvação.
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