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Aos 17 de agosto de 1740 subia ao trono de São Pedro, com o nome de Bento XIV, um dos
mais ilustres Pontífices, glória e honra de século o cardeal Próspero Lambertini, arcebispo
de Bolonha. Paulo saudou com alegria a nomeação do grande Pontífice, pressentindo-o
poderoso sustentáculo da fé, ameaçada por todos os quadrantes pelas sacrílegas violências
da incredulidade. Assim profetizou o glorioso pontificado de Bento XIV:
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“
Para falar-lhe com toda confiança, posso garantir a v. s. ilma. que, ao receber a grata
notícia da exaltação de Lambertini à Sé Apostólica, embora o não conhecesse como cardeal,
comovi-me extraordinariamente. Senti nascer-me vivíssima esperança de quê este santo e
zeloso Pontífice estimulará a piedade, tão decaída no seio do cristianismo. Meu coração
derramou-se em louvores e ações de graças ao Altíssimo, pela grande misericórdia que
concedeu ao seu povo
”
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Uma voz interior lhe dizia:
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“
Eis o Papa que estabelecerá na Igreja, com autoridade apostólica, o Instituto da Santa
Cruz
”
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Este doce pensamento desabrochava-lhe no coração, mas não se abandonava a ele, por ter
sempre ante os olhos a
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“
IMAGEM DE MEU HORRÍVEL, NADA E DE MINHAS
ENORMES INGRATIDÕES, PRINCIPAL OBSTÁCULO À OBRA DE DEUS
”
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Iria apresentar as santas Regras ao novo Pontífice. Mas necessitava de um protetor. Onde
encontrá-lo? Crescenzi já não esta em Roma. Elevado no ano precedente a arcebispo de
Nazianzo fora enviado a Paris como núncio apostólico.
E' verdade que Crescenzi, antes de partir, dignara-se recomendar o santo amigo ao cardeal
Rezzonico, ornamento do sagrado Colégio, assim pela piedade como pela ciência.
Sua eminência, que o conhecera e admirara no hospital de São Galicano, julgou-se feliz em
receber como legado o título de protetor do santo, manifestando-lhe sempre terníssimo afeto.
Paulo, por sua vez, depositou no novo protetor ilimitada confiança.
Escreveu-lhe que falasse ao Sumo Pontífice a respeito da Congregação nascente. Eis a
resposta do cardeal:
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“
Estive aos pés do Santo Padre, expondo em resumo a finalidade do vosso Instituto, o ideal
santíssimo que tem em vista, o grande bem que proporcionará à Igreja, o progresso que se
lhe deve desejar e que sem dúvida tomaria com a aprovação das Regras pela Santa Sé. O
Santo Padre ouviu o relatório com muita satisfação, honrou-o com seu assentimento e
incumbiu-me de dizer-vos que enviásseis a Roma um dos vossos religiosos com as
Constituições que desejais aprovadas. O Papa crê poder dar-vos essa consolação
”
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Venturosa carta! Verdadeiro bálsamo às aflições de Paulo. Desaparecera, como por encanto,
a febre que o martirizava. Estava curado! E aquele coração generoso, que soube ocultar as
penas, não soube reter o júbilo que o inebriava, comunicando aos filhos a feliz nova e
exortando-os a redobrarem as orações para alcançar do Senhor êxito completo em assunto de
tanta importância. Igual recomendação fêz às almas que dirigia pelas veredas da perfeição.
Escrevia à madre Maria Querubina Bresciani, do mosteiro de Piombino:
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“
Jamais os negócios de nossa congregação andaram tão bem... Agora minha filha, é tempo de
insistir, de dirigir fervorosas súplicas ao Altíssimo em favor desta santa obra, que temo
assaz obstacular. Ofereça ao Eterno Pai o Sangue preciosíssimo de seu Unigênito Filho, a
fim de que se não irrite com minhas ingratidões, e me conceda a graça de cumprir a sua ss.
Vontade. Se esta obra não fôr para sua maior glória, que me dê tempo a asilo para
penitenciar-nie e chorar meus enormes pecados
”
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Tendo unicamente em vista a maior glória de Deus, Paulo e João Batista, após a festa de
Todos os Santos, partiram para Roma.
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