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Por várias vezes o cardeal Rezzonico oferecera-lhes hospitalidade e, a fim de, que os
humildes religiosos não receassem alojarse num palácio, escrevia-lhes com simplicidade:
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“
Encontrareis aqui pobre e humilde alojamento, semelhante ao vosso retiro, onde gozareis
completa liberdade, assim para tratardes dos vossos afazeres, como para cumprirdes os
deveres de piedade. Nada vos estorvará...
”
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O piedoso cardeal recebeu-os cordialmente e não permitiu tivessem em Roma outro
domicílio.
De concerto com o cardeal Corradini, resolveu Rezzonico apresentar imediatamente ao
Soberano Pontífice as santas Regras para a aprovação.
Bento XIV acolheu benignamente o pedido, dignando-se examiná-lo pessoalmente. Aquela
inteligência de escol descobriu ali o dedo de Deus. Disposto a aprová-las, confiou-lhe o
exame a Rezzonico e Corradini, certo de que ambos seriam favoráveis. O prudente Pontífice
nomeou um terceiro juiz, o abade conde Pedro Garagni, por ele tido em grande consideração,
mas inexperiente em semelhantes assuntos.
Leu-as o abade com a preocupação que por vezes altera o entendimento de quem examina as
obras de Deus à luz da prudência humana. Pareceu-lhe tudo aquilo acúmulo de penitências
impraticáveis. Foi durante essas primeiras impressões que recebeu a visita do santo
Fundador. Ao ver a Paulo fraco, pálido e a tiritar de frio, confirmou-se em sua opinião. Sem
preâmbulos declarou-lhe que jamais cooperaria para a aprovação de Regras tão rigorosas,
despedindo-o asperamente, quase diríamos expulsando-o de sua presença. O servo de Deus
julgou frustradas as esperanças. Não ignorava gozar o abade de grande influência junto de
Bento XIV, a quem exporia com franqueza o seu parecer.
Insuperável obstáculo!
Nada mais esperando dos homens, voltou-se para N. Senhor, E foi ouvido... Na noite
seguinte, foi o abade subitamente acometido de atrocíssimas dores, acompanhadas, de
estranhas ansiedades. Seria algum castigo? Assim o julgava Caragni, mas sem atinar com a
causa.
Reuniu os domésticos e juntos imploraram tis luzes do Céu. Recitavam as ladainhas de
Nossa Senhora, quando se lhe apresentou ao espírito o pe. Paulo, não já como homem vulgar
e indigno de consideração, mas como santo de avantajada virtudes.
Passou uma noite perturbada; ao amanhecer, mandou chamar o humilde e pobre religioso,
pediu-lhe perdão e protestou haver mudado de parecer. Estava disposto a auxiliá-lo no que
pudesse.
Durante a conversa como por encanto desapareceram-lhe as dores; as cruéis agitações
converteram-se em dulcíssima paz, íntimas relações de amizade estabeleceram-se entre o
abade e o servo de Deus, sendo Garagni o mais ativo promotor da aprovação, das Regras e o
velocíssimo arauto do Instituto da Paixão. Efetivamente não se ocupava apenas o abade em
secundar, com sua Influência, tudo o que se referia ao novo Instituto, mas empregava todos
os esforços e aproveitava de todas as oportunidades para enaltecê-lo e torná-lo conhecido.
Louvava de continuo as heróicas virtudes do Fundador e dos religiosos passionistas. Ao
saber que algum piedoso jovem desejava vestir o hábito religioso, persuadia-o a que se
aliasse na novel milícia de Jesus Crucificado, fazendo-se discípulo do pe. Paulo da Cruz.
Por ocasião da partida de um deles para o Argentário, disse-lhe:
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“
Se eu fosse mais jovem,
iria também juntar-me aquele santo berrem, tornando-me passionista. Feliz de ti que tens a
dita de ingressar nesta santa Congregação! Invejo-te deveras e a todos os que fazem como
tu
”
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Leiam-se as cartas do santo ao snr. abade Garagni.
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