APROVAÇÃO DA REGRA

Meses decorridos, terminaram os comissários o exame das Regras, com a prudência reclamada pela importância do assunto.

Aos 30 de abril de 1741, emitiram voto favorável, declarando que as Regras dos Clérigos Menores Regulares Descalços da Santa Cruz e Paixão de Jesus Cristo, com as pequenas alterações prescritas pelo santo Padre, podiam, crescido o número de religiosos, ser aprovadas com Rescrito Apostólico.

Na mesma tarde levou o abade Garagni ao Santo Padre, juntamente com as Regras, o voto dos comissários.

O grande Pontífice julgava o Instituto de muita vantagem para as almas e de muita glória para Deus. Chegou a dizer:

“ Este Instituto foi o último a aparecer na Igreja de Deus, quando deveria ter sido o primeiro ” .

Antes, porém, do juízo definitivo, quis Bento XIV refletir por alguns dias. A fim de implorar as luzes do Céu e a proteção Maria, convidou os habitantes de Roma a visitarem as quatro principais igrejas consagradas à ss. Virgem. Ele mesmo, no dia, 14 de maio, visitou a igreja de Santa Maria IN TRASTEVERE, orando por largo tempo.

De volta ao Palácio, deu ordens ao auditor, mons. Millo, para, que escrevesse o Rescrito de aprovação, publicado com data do dia seguinte, no qual Sua Santidade APROVA, CONFIRMA E LOUVA o Instituto da Santa Cruz e Paixão de Jesus Cristo.

Triunfara o Céu, o inferno jazia vencido.

Contemplemos em espírito, através dos séculos, alistados na, gloriosa milícia da Cruz, legiões de apóstolos, jovens e fortes, seguros do seu porvir.

Os filhos de Paulo da Cruz, sob o estandarte da Igreja, tomam posto de combate, ao lado de Domingos de Gusmão, de Francisco de Assis e de Inácio de Loiola. E o santo desabafa as efusões de sua alma em louvores ao Deus das vitórias:

“ Que todos os viventes louvem ao Senhor (Sl. 150, 6)! Que todas as criaturas glorifiquem as infinitas misericórdias deste grande Deus que, sem deixar-se vencer pela malícia de meu coração, dignou-se coroar esta obra, que é toda sua! Como a Providência a conduziu suavemente e por caminhos secretos! Oh! como é bom o meu amabilíssimo Salvador! Oh! quão suave é o seu divino Espírito!... Oh! quão amável é a sua Bondade! À tempestade sucede a bonança, à borrasca segue-se a serenidade. Seja para sempre bendito o seu santo Nome... A Ele somente honra, glória e poder pelos séculos dos séculos. Assim seja ” .

Soara a hora das graças: Deus se compraz agora em derramá-las a flux sobre o servo fiel, sempre intrépido em meio das procelas.

Estava então em Roma o cônego Ângelo de Stefano, de Gaeta, dos primeiros a vestir o santo hábito da Paixão, mas que não suportara as austeridades do Instituto. Ao saber que Bento XIV lhe mitigara os rigores, desejou retornar ao caminho do Calvário. Falou a respeito com o Soberano Pontífice, que o encorajou a levar a efeito a resolução.

Ao partir para o monte Argentário, encarregou-lhe o abade Garagni de entregar ao santo amigo as Regras e Constituições aprovadas, bem como um Rescrito do cardeal Altieri. Sua Eminência concedia, finalmente, ao pe. Paulo a faculdade de conservar na. igreja o ss. Sacramento.

O servo de Deus recebeu carinhosamente a seu antigo filho, portador de tantos favores, chamados por ele: GOLPES DA INFINITA E DIVINA BONDADE.

Sem mais, deram princípio aos exercícios espirituais em preparação à profissão religiosa, conforme prescrevem as santas Regras. Quis o santo solenizar de modo particular o dia em que o Deus do Tabernáculo estabeleceu entre eles a sua morada. Dir-se-ia que o mesmo Céu fizera a escolha. Assim o diz o cardeal Rezzonico, em carta ao pe. Paulo:

“ Não foi sem desígnio particular da Providência o haverdes esperado tanto tempo... Queria Deus começásseis a gozar da presença real de Jesus Cristo, no mesmo dia em que a santa Igreja comemora o adorável benefício outorgado a todo o gênero humano. Grande, portanto, é o júbilo que sinto, na esperança de que reparareis, conforme puderdes, as inúmeras irreverências cometidas diariamente contra o ss. Sacramento ” .