A PROFISSÃO RELIGIOSA

No dia 1º de junho de 1741 - CORPO DE DEUS - os religiosos cantaram solenemente a santa Missa e o TE DEUM, sendo Jesus Eucarístico colocado no Tabernáculo da bela igreja da Apresentação.

Momento augusto, que arrebatou os corações, particularmente o do nosso santo.

Admirava-se Paulo de não morrer de alegria, atribuindo-o, por humildade, à falta de amor a Deus:

“ Se O amasse, não resistiria à felicidade que me consome: cairia desmaiado, morto, reduzido a cinzas em vista de tantas graças e misericórdias como as que sua divina Majestade se digna conceder a este horrível nada, a este monstro de ingratidões ” .

No domingo seguinte, 4 do mesmo mês, os religiosos Passionistas, com o seu santo mestre, consagraram-se perpetuamente a Jesus Crucificado, pelos laços indissolúveis dos votos.

Espetáculo digno dos Anjos e de Deus! A santa Igreja, protegida pelo Céu, dará à luz nova família religiosa; os Anjos exultarão ao receber esses irmãos, perpétuos companheiros de adoração ao pé da Cruz, para colherem no cálice da alma o Sangue da Redenção e espalharem-no a flux pelo mundo todo.

Os sacerdotes celebraram a santa missa e os irmãos comungaram.

O ss. Sacramento estava exposto.

Com a Cruz aos ombros e a coroa de espinhos na cabeça, adiantam-se todos para o altar. Prostram-se com o rosto em terra, símbolo da morte mística.

De fato, pela profissão, eles irão morrer para o mundo e para as criaturas.

Lê-se a Paixão de N. Senhor segundo são João. Às palavras

“ TRADIDIT SPIRITUM ” ,

levanta-se o Fundador, com os olhos marejados de lágrimas, e emite a profissão dos quatro votos: pobreza, castidade, obediência e propagar a devoção à Paixão de Jesus Cristo.

Recebe, em seguida, a profissão de seus filhos. Para completa consagração a Jesus Crucificado e perene lembrança de suas dores, prova outrossim de que já não pertencem ao mundo, deixam o nome de família, a exemplo do Fundador, e tomam outro a recordar-lhes o espírito do Instituto: Pe. João Batista de São Miguel, Antônio da Paixão, Fulgêncio de Jesus e Carlos da Mãe de Deus. Não se faz menção dos nomes dos irmãos leigos. Conhecemos apenas o de José de Santa Maria, que professou dias depois.

O santo Fundador colocou em seu peito e no de seus filhos o Emblema sagrado, que traz esculpido o título da Paixão de Jesus Cristo.

A começar daquele dia os missionários do monte Argentário receberam o nome de Passionistas.

Confessamos experimentar profunda emoção ao narrar a humilde origem da nossa família religiosa.

Quando examinamos o tênue fio de água que dá origem aos grandes rios, nossos pensamentos voam para Deus, princípio universal de todo bem.

Ó humilde Congregação de Jesus Crucificado, tens, a começar de agora, um lugar à luz do sol. A grande VOZ que criou o mundo e lhe ordenou: Caminha, disse também a ti: Anda e, sustentada pelo braço poderoso da Igreja, tua Mãe, demandas, desde então, o norte e o meio dia, o oriente e o ocidente, atravessas os mares, com o fito de fertilizar o campo evangélico, banhando-o com teus suores e com teu sangue!

Ó monte Argentário, ó deserto embalsamado pelas virtudes heróicas de nosso Pai, ditoso confidente de sua alma, de suas dores e de suas consolações, modesto berço dos religiosos da Paixão, quanto és digno de nossa estima!...