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Desceu, pois, o apóstolo a Orbetello, acompanhado do pe. Ângelo de Stefano, ainda noviço.
Colocaram na ampla praça um tablado, de sobre o qual Paulo dirigia a palavra divina à
imensa multidão de fiéis e a milhares de soldados de diversos idiomas e nações: italianos,
espanhóis, franceses e suíços.
Renovou N. Senhor, na pessoa de seu servo, os prodígios da Igreja nascente. Pregava Paulo
em italiano e os soldados entendiam como se falasse suas próprias línguas, pelo que,
estupefatos, exclamavam:
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“
Não é, por ventura, italiano esse sacerdote? Como é, então, que fala o meu idioma e o de
meus companheiros, e todos ao mesmo tempo...?
”
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E todos pendiam de seus lábios sem perder palavra daqueles comoventes sermões. A
compunção era geral.
Aos acentos daquela voz, por vezes ameaçadora e terrível como a justiça, outras carinhosa e
doce como a misericórdia, as lágrimas, os soluços, o pavor ou a esperança produziam no
auditório espetáculo indescritível.
A emoção atingia o auge quando o santo, armando-se de pesada corrente de ferro,
dilacerava-se os ombros, fazendo jorrar o sangue. Os oficiais do Estado Maior, mais
próximos do tablado, chegavam-se a ele, chorando, para arrancar-lhe das mãos a disciplina
ensangüentada. Os brados de PIEDADE! e os gemidos aumentavam e repercutiam no meio
da multidão, que bradava:
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“
PERDÃO! MISERICÓRDIA! BASTA, PADRE! BASTA! JÁ ESTAMOS
CONVERTIDOS!
”
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Homens, mulheres, soldados e até pessoas de alta linhagem, que viviam em inimizade, diz
um oficial, testemunha de vista, reconciliavam-se naquela praça pública, pedindo
mutuamente perdão. Colocaram sobre o tablado, aos pés do pregador, livros obscenos e
ímpios, baralhos, etc. Paulo lançou-os imediatamente ao fogo. Espetáculo que sobremaneira
excitou ao arrependimento todos os assistentes.
Apenas descia do estrado, todos corriam para ele e lhe circundavam o confessionário.
Ouçamos ainda um depoimento simples e sincero, como sói ser o do soldado. Vamos
resumi-lo:
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“
Pregava o pe. Paulo com tanto zelo, que o rosto se lhe inflamava; sua voz atemorizava,
compungia e convertia os pecadores. Em suma, o dedo de Deus era visível... Assim como
atemorizava no decurso do sermão, era todo doçura ao terminá-lo: enternecia os corações e
a todos inspirava confiança em Deus e esperança do perdão
”
.
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Todo o povo, comovido e contrito, derramava abundantes lágrimas... O que Paulo semeava
nos sermões colhia no tribunal da penitência, onde era todo caridade. Muitos soldados que
se não atreviam a confessar-se, temerosos pelas faltas cometidas, fizeram-no a conselho dos
companheiros, que já haviam tocado, por assim dizer, com as mãos, a afabilidade e a doçura
extraordinárias do servo de Deus para com os pecadores, principalmente para com os mais
infelizes. Essa pregação produziu em Orbetello admiráveis conversões.
Havia no regimento suíço inúmeros luteranos e calvinistas. Ao presenciarem espetáculo
inédito em suas seitas, atraídos pela caridade do apóstolo, pelo poder de sua palavra e
iluminados pela graça, concluíam:
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“
Este pregador é forçosamente o arauto da verdade
”
.
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E, descobrindo no verdadeiro apóstolo a verdadeira Igreja, lançavam-se em grande número
para o tablado, declarando, sem respeito humano, desejarem abjurar os erros e a heresia,
Houve entre eles um jovem de nobre linhagem, que exclamou em perfeito italiano:
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“
Abjuro, detesto e abomino a seita a que pertenci até o dia de hoje tendo-a por falsa.
Reconheço e confesso ser a Igreja Católica Apostólica Romana a verdadeira Igreja fundada
por Jesus Cristo
”
.
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Estas palavras foram pronunciadas com tal expressão de fé, que a todos comoveram.
Quem poderá descrever a ternura com que Paulo os apertava de encontro ao coração? Com
solicitude paternal instruía-os nas verdades da fé, preparando-os para ingressarem na Igreja
Chegou a setenta o número de tais abjurações.
Eis o poder do santo; bastava vê-lo e ouvi-lo para se encontrar a demonstração apodítica da
verdade católica.
As palavras do apóstolo confirmava-as Deus com milagres.
Referiremos apenas alguns.
Certa noite, após ingentes fadigas, tomava Paulo breve descanso, quando foi despertado por
um sargento do regimento de Namur:
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“
Pe. Paulo, vem depressa, que o demônio está arrastando um soldado do quartel
”
.
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O santo missionário salta da cama, toma o Crucifixo e corre para o quartel. Em meio do
povo e dos militares, vê o soldado, pálido e a tremer, ser arrebatado por mão invisível.
Bradava o pobrezinho:
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“
Socorro! Socorro! o demônio me arrasta...
”
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Paulo impõe preceito ao espírito maligno e diz ao soldado:
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“
Não temas, meu filho, aqui estou para socorrer-te. Arrepende-te de teus pecados. E' o
suficiente
”
.
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Inspira-lhe ao mesmo tempo grande confiança na misericórdia divina e nos méritos de N.
Senhor, obrigando-o a todo o pacto com o demônio.
Os presentes estão assombrados! O santo reitera as ordens ao inimigo das almas e este
põe-se em fuga
O soldado, depois de tão violentos sobressaltos, desfigurado e abatido, apenas se mantém
em pé. pergunta-lhe o servo de Deus se ainda vê algum demônio.
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“
Não os vejo, responde, mas quero confessar-me
”
.
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Paulo coloca-lhe ao pescoço o rosário, arma poderosíssima contra o inferno, e diz-lhe que o
confessará na manhã seguinte.
O soldado não faltou à palavra, mas, como não falava o italiano foi conduzido ao capelão do
regimento que o ouviu em confissão.
Outro militar, resolvido a reconciliar-se com Deus, vai lançar se aos pés do pe. Ângelo.
Enquanto se acusa dos, pecados, percebe que mão invisível o arrasta com violência.
Agarra-se ao confessionário. O misterioso poder arrasta o penitente o confessor e o
confessionário Na igreja tudo são gritos e tumulto. Acorre o pe. Paulo, põe o rosário no
pescoço do penitente e dá ordens ao demônio. Cobre com a capa o soldado espavorido,
leva-o à sacristia e o confessa, libertando-o das sugestões diabólicas.
Tanta é a tranqüilidade e tão doce a paz do penitente, que anela morrer na, graça de Deus.
Ao voltar à igreja, levanta a pedra que cobre um dos sepulcros e atira-se a ele, julgando em
boa fé que, para garantir a glória celeste, fosse lícito sepultar-se vivo.
Intervém novamente o santo e ordena-lhe que saia dali. Mas são necessárias reiteradas
ordens.
Ao referir o fato a um sacerdote, dizia Paulo, a sorrir, que mais lhe custara tirar o pobre
convertido do sepulcro que arrancá-lo das mãos do demônio.
Pregava o servo de Deus na igreja de Santa Cruz, hoje demolida. Detém-se, de repente, e
exclama:
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“
Pobres irmãos meus! Pobres irmãos meus!
”
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Desce do estrado e dirige-se para a porta do templo. O povo o acompanha. Lá chegados,
vêm, desolados, enorme incêndio nos bosques que circundam o retiro da Apresentação.
Traça o santo o sinal da Cruz e as chamas se apagam: a fumaça, como nuvem sombria,
eleva-se aos ares e desaparece.
No último dia da missão, organiza uma procissão de penitência. Vêm-se em primeiro lugar
dupla e extensa ala de povo e de soldados, modestos e recolhidos; em seguida o clero, com a
cabeça coberta de cinza, e o santo missionário, descalço, com uma corda e uma corrente ao
pescoço, uma coroa de espinho na cabeça, grande e pesada Cruz aos ombros. Seguem-no as
pessoas mais distintas da cidade, como sejam, as autoridades civis e os oficiais do exército.
Fecha o cortejo a multidão compacta, do povo.
De quando em vez detém-se a procissão e o santo dirige aos presentes palavras candentes de
ódios ao pecado, de amor a Jesus Crucificado e de indefectível fidelidade a Deus.
Foi o encerramento da missão verdadeira apoteose.
Em seguida ao sermão e às últimas recomendações, lançou o apóstolo a bênção papal,
fecunda e divina, porque é o Vigário de Jesus Cristo ou, melhor, o mesmo Jesus quem
abençoa as almas.
A prova temo-la no seguinte milagre.
Um infeliz soldado, apesar dos exemplos dos companheiros, permanecia invencível na
obstinação. No momento solene da bênção apostólica, enquanto todos inclinavam
respeitosamente a cabeça, ele a conservava levantada...
Mas, ó prodígio! reparou que o grande Crucifixo que o missionário tinha nas mãos
desprendia a dextra e abençoava a multidão!...
A graça triunfara. Profundamente emocionado, caiu em pranto desfeito... e a ovelha
tresmalhada voltou contrita ao redil.
Como sempre, o humilde apóstolo subtraíu-se às manifestações de regozijo e correu a
ocultar-se em sua modesta cela.
Assim os Anjos, cumprida a missão na terra, voam para o Céu...
Mas, ai! essa apoteose foi perturbada por imprevista catástrofe, que mergulhou na dor uma
família inteira!
Ao retirar-se o povo da igreja, terminada a bênção papal, um menino da família Benetti,
chamado Vicente, que se divertia no terraço da casa paterna, caiu à rua e ali ficou sem dar
sinal de vida. Todos deram-no por morto, inclusive os médicos. A pobre mãe lamentava-se
em brados lancinantes e pedia, entre soluços:
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“
O santo missionário! o santo missionário!
”
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Paulo recebeu o recado ao pôr os pés na lancha que o levaria à outra margem do lago.
Regressou imediatamente à cidade e dirigiu-se à casa da desolada família. Tomou nos
braços o menino, como para aquecê-lo com o hálito...
A vida retorna!... E o pequeno corre para os braços da mãe, que não acredita nos próprios
olhos.
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