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Paulo jamais cessou de exercer em favor dos militares sua solicitude e seu zelo, e estes, por
sua vez, elevavam de vez em quando, de sua guarnição, o olhar para o Monte Argentário,
onde lhes parecia ver o amado Pai, qual Anjo do Céu, estendendo sobre eles suas asas
protetoras.
Eis alguns fatos que nos falam da sua poderosa influência sobre o espírito militar.
Dois oficiais espanhóis odiavam-se de morte; um fora ferido à espada pelo outro. A injúria
reclamava reparação pública pelas armas. Ao ter conhecimento da contenda, pôs-se Paulo
em atividade para evitar o duelo: empresa tanto mais difícil e delicada, quanto é certo que se
encontrava não só ante o ódio mais profundo mas também ante o falso ponto de honra, de que
tão cioso se mostrar o amor próprio do soldado.
Nada obstante consegue reconciliá-los e fazê-los novamente sinceros amigos
Quando algum soldado era condenado à morte, o apóstolo, empunhando o Crucifixo, o
assistia, exortava-o ao arrependimento, purificava-lhe a alma, no Sangue do Redentor,
suavizava-lhe os horrores da morte e abria-lhe de par em par as portas do paraíso.
Na missão de Porto Longone, na Ilha de Elba, um soldado fora condenado à morte. Vieram
ter com o santo alguns oficiais, rogando-lhe obtivesse do governador indulto para o
condenado mais infeliz do que culpado. O pobre soldado tentara desertar.
Correu Paulo ao palácio e solicitou audiência. Responderam-lhe os contínuos que o
governador, ao firmar sentença de morte, não recebia pessoa alguma antes da execução. Era
ordem formal, absoluta e inviolável.
Não podiam, portanto, introduzi-lo sem se comprometerem.
O santo insistiu dissessem ao chefe que o pe. Paulo necessitava falar-lhe de assunto
urgentíssimo. Renderam-se os contínuos; ao ouvir o nome de Paulo, o general permitiu o
conduzissem à sua presença.
Estava em seus aposentos, sentado, o queixo apoiado no cabo da espada desembainhada,
com a ponta voltada para o chão, imóvel, a espera da comunicação de que fora executada a
sentença.
Sempre tão afável para com o servo de Deus, recebeu-o desta vez sem voltar-se e
perguntou-lhe, rispidamente
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“
Então, pe. Paulo, que deseja?
”
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“
Excelência, - respondeu o santo - o indulto para o condenado à morte
”
.
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- replica o governador. E às mais eficazes razões, às mais vivas súplicas de
Paulo, respondia sempre
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“
Não posso, não posso...
”
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“
Pois bem, - exclamou o apóstolo - já que v. excia. não pode conceder esta graça,
outorgue-a N. Senhor
”
...
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E bateu com a dextra na parede.
O edifício se abalou até os alicerces, como se sobreviera violento terremoto!
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“
Pois não, pe. Paulo, pois não, - anuíu o general, espavorido - a graça está concedida
”
.
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Assim foi livre da morte esse soldado que já estava para ser executado.
Já que falamos do apostolado de Paulo entre os soldados, permita-se-nos referir um fato
ocorrido mais tarde, em 1748.
Certa manhã, ao romper do dia, o comandante da guarnição de Orbetello entregou um bilhete
ao barqueiro Diapozza, encarregando-o de levá-lo imediatamente ao pe. Paulo, no retiro da
Apresentação. Incumbiu-o, outrossim, de conduzi-lo ao quartel de Santa Bárbara, onde havia
um soldado possesso do demônio.
Diapozza avistou o servo de Deus em companhia de outro religioso. Desciam a montanha
recitando as ladainhas de N. Senhora. Entregou o recado e Paulo guardou-o, sem examiná-lo,
dizendo:
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“
Apressemo-nos, apressemo-nos; sei de que se trata
”
,
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e continuou a oração.
Ao tomarem o barco, interrogou o barqueiro:
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“
Vieste buscar-me para o soldado?
”
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Este, admirado, quer saber quem lho dissera.
respondeu o santo.
No quartel tudo era susto e confusão. O demônio levantara do solo o infeliz soldado e
ninguém conseguia Neutralizar a violência satânica, por mais esforços que empregassem.
Paulo começou o exorcismo, mas bradava o demônio com ar de burla.
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“
Este entregou-me a alma a troco de dinheiro
”
.
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“
Jamais cunhaste moeda, - disse o santo - não podes ter dinheiro senão roubado. Ao
demais, injusto é o contrato, porque este infeliz tem obrigação de entregar a alma a quem lha
deu
”
.
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E continuou o exorcismo. Não pôde o demônio resistir. Fugiu, caindo o soldado desfalecido.
Ao tornar a si, confessou-se com verdadeiro arrependimento. O mesmo fizeram os
companheiro Paulo passou o dia todo no confessionário.
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