SEU CONFESSOR

Persuadido de que a obediência é o meio mais eficaz para o cumprimento dos divinos desígnios, desde o momento em que fizera a confissão geral entregara-se sem reserva à direção de seu pároco. O sacerdote, admirado dos singulares caminhos percorridos pelo penitente e desejando discernir o princípio que lhe animava o agir, submeteu-o a duras provações. Humilhava-o e o mortificava. Quando se apresentava na sacristia para se confessar, dizia-lhe o severo confessor que o atenderia na igreja; fazia-o esperar largo tempo, despachando-o sempre por último. Dizia-lhe, então, com aspereza:

“ Vamos, depressa! ”

E, quando o humilde penitente acusava alguma dessas imperfeições inevitáveis, de que só os santos se acusam, repreendia-o como dos maiores crimes.

E' para lamentar como esse diretor ultrapassasse por vezes os limites da prudência. Chegou a despedi-lo da mesa eucarística, negando-lhe a Comunhão, como a pecador público, quando era maior o concurso de povo. Diais que humilhação, era isso profunda ferida para o amor de Paulo. Nada obstante, resignava-se em silêncio, imolando ao Deus do Calvário seu ardente desejo de se unir misticamente a Ele.

De outra feita, enquanto orava no côro da igreja, sentiu-se arrebatado pelo divino amor, entre delícias e lágrimas. A fim de ocultar esses dons, cobriu o rosto com a capa. O implacável diretor correu para ele e, arrancando-lha com desdém, admoestou-o severamente:

“ E' assim que se há de estar diante do SS. Sacramento? ”

E Paulo, de caráter vivo e sensível, sorvia, por amor de Jesus Crucificado, o amargo cálice dessas ignomínias.

Dizia-lhe a natureza ou o demônio:

“ Abandona esse confessor e procura outro ” .

Ao que respondia o heróico jovem:

“ Não, o demônio não há de levar a melhor; continuarei, custe o que custar. Este é o confessor talhado para mim, pois me faz baixar a cabeça ” .

Em dia de carnaval, quando muitos se entregam desenfreadamente a divertimentos profanos, dirigia-se o nosso santo à igreja para adorar o ss. Sacramento e reparar os ultrajes feitos à majestade divina. O confessor, que participava de uma festa familiar, quis submetê-lo a novo gênero de prova. Chamou-o e o intimou, com a severidade habitual, a que tomasse parte na dança. Nada mais contrário aos sentimentos do servo de Deus. Que penitência inesperada! Que fazer? Como conciliar o voto de obediência com as repugnâncias por tal divertimento?... Apressou-se Nosso Senhor a. tirá-lo da, angustiosa situação, porquanto, no momento em que se dispunha a obedecer, cessou de improviso a musica... é que todas as cordas dos instrumentos se romperam!... Tocados de pasmo, todos reconheceram nisto o dedo de Deus, e o confessor se convenceu de que Nosso Senhor destinava a grandes coisas o santo jovem.