PROPOSTA DE CASAMENTO

Todavia, nova provação o esperava. Seus pais, desfavorecidos dos bens de fortuna, tinham que manter numerosa família.

Todas as suas esperanças repousavam em Paulo. Um de seus tios, o sacerdote Cristóvão Dánei, desejoso de reintegrar a família no antigo esplendor, resolveu, de acordo com os pais de Paulo, uni-lo em matrimônio com rica e virtuosa donzela.

O êxito da empresa parecia-lhe assegurado com o propósito de legar ao sobrinho todos os seus bens. Tratava-se, no entanto, de proporcionar-lhes uma entrevista, a fim de que tudo se ajustasse.

Paulo, porém, que já se entregara sem reserva a Deus, recusou tão sedutoras ofertas. Às instâncias do tio, respondia cortesmente não julgar fossem esses os desígnios divinos sobre ele. O sacerdote, porém, aferrado sem dúvida à convicção da época, de que os primogênitos são destinados por Deus a perpetuarem a família, replicou-lhe ser seu dever aceitar a proposta em consideração aos pais, a quem o enlace iria tirar do humilde estado em que jaziam. Mas ele permanecia inflexível.

Todos os membros da família juntaram então seus rogos aos do tio. O jovem sempre irredutível! Julgando a modéstia a causa da negativa e abusando da ascendência de tio e sacerdote, Cristóvão o obrigou a acompanhá-lo à casa da moça. O humilde filho da obediência dispôs-se a segui-lo. Eis, porém, reproduzido o belo edificante exemplo de são Francisco de Sales: o angélico jovem nem sequer alçou os olhos para vê-la; pelo que nada se concluiu. E no entanto o tio pretendia triunfar a todo custo.