|
Vimo-lo, desde os mais verdes anos, oferecer aos irmãozinhos exemplos de todas as
virtudes. Entretinha-os diariamente com pias leituras e se esforçava por infundir-lhes terna e
sólida devoção à Paixão de Jesus Cristo.
O zelo, porém, que de todo lhe incendia o coração, reclamava mais espaços onde projetar
suas benéficas irradiações.
Mal ingressara na Confraria de que já falámos, impuseram-lhe o cargo de presidente. Fora
eleito por unanimidade. Ao presidente cumpria dirigir nas reuniões cirna exortação
espiritual aos confrades. E Paulo o fazia magistralmente, comunicando às palavras tal calor e
graça, tanta doçura e unção, que penetravam os corações. Em breve atraiu para si a
população toda, desejosa de ouvi-lo.
Explicava outrossim aos domingos a doutrina cristã às crianças. Estes primeiros ensaios, de
zelo grangearam-lhe total influência. Desta se aproveitou Paulo para formar unia associação
de jovens, inspirados pelo mesmo amor -à, solidão e à prece. Com eles ia, de freqüente,
espairecer pelos campos, entretido em colóquios familiares, repassados de u unção
insinuando-lhes o desprezo do mundo e o amor à virtude ficai. qual alguns como refere o
santo, se tornaram exímios.
Ensinava-lhes o modo de meditar a Paixão Jesus Cristo, patenteando-lhes assim a vereda
segura e rápida que conduz à perfeição. Dentre eles, oito abraçaram o Instituto dos Servos
de Maria, oito ingressaram na Ordem de Santo Agostinho e quatro vestiram o hábito ele São
Francisco.
Tinha para com os pobres e enfermos grande solicitude e cuidados maternos. A fim de
proporcionar-lhes assistência pronta e regular, fundou um sodalício, alistando seus
companheiros nessa milícia de caridade, cujo zelo avivava com a palavra e o exemplo.
Distribuía esmolas aos pobrezinhos, de joelhos, em atitude de profunda veneração. Quando
enfermos, assistia-os continuamente, prodigalizando-lhes todos os cuidados corporais e
espirituais.
Sua caridade os seguia além do túmulo, sufragando-os com a esmola da oração. Os
cadáveres mais infetos, qual outro Tobias, carregava-os aos ombros. Tais exemplos levava
seus jovens amigos a imitá-lo. Fixando os olhares naquela sepultura aberta, lia, como em
grande livro, a miséria das coisas terrenas. Certa vez, as reflexões sobre a vaidade do
mundo causaram tal impressão a um de seus companheiros, que se apressou a ir abraçar a
Cruz de Cristo nas austeridades do claustro.
|
|