CAPÍTULO XXI

1742 - 1745


MISSÃO EM VETRALLA

A vida do soldado de Cristo é a história dos seus combates, os combates de Paulo da Cruz são sempre gloriosos e coroados de vitórias imortais.

Apenas a novel milícia da Cruz emitira os santos votos, o snr. bispo de Viterbo pediu uma missão em Vetralla. A respeito desta missão escreveu o santo a 23 de abril de 1742:

“ A missão de Vetralla foi tão frutuosa que mais o não podia ser, tanto para o clero como para o povo ” .

O generoso apóstolo, embora debilitado pela enfermidade contraída em Piombino, aceitou-a. Em presença das almas recobrou forças e a missão coroou-se de pleno êxito.

Um pecador, cujos crimes punham em sobressalto toda a comuna, comoveu-se profundamente à voz do missionário. Do abismo do mal elevou-se à mais alta perfeição, entregando-se a austeras penitências e as obras de sublime caridade. Acompanhava, em suas excursões apostólicas, àquele que o regenerara em Cristo, auxiliando-o no que pudesse. Nas viagens, insistia com o santo para que montasse o seu cavalo. Recusado o convite, suplicava:

“ Ó bom Padre! Causar-me-íeis imenso prazer, aceitando a oferta... ”

Para não contristá-lo, acabava Paulo por satisfazê-lo, sorrindo ao ver tanta simplicidade e candura. Mais tarde, de aos enfermos num hospital de Vetralla, edificando a todos pelos exercícios das virtudes cristãs. Terminou seus dias santamente nos braços do pai amantíssimo.

Essa missão, que teve início no domingo de Quasimodo de 1742, operou verdadeira ressurreição de almas.

Os habitantes de Vetralla desejavam conservar junto de si o santo missionário, mensageiro das alegrias do Céu, mas era forçoso partir para outros campos de trabalho. Resolveram, então, fundar, nos arredores da cidade, um retiro semelhante ao do monte Argentário.

Convocou-se para esse fim, aos 20 de maio de 1742, o Conselho Geral da cidade.

Falou à assembléia um dos mais conspícuos membros da circunscrição administrativa, nos seguintes termos

“ Senhores, sabeis o grande bem que nos proporcionou a missão aqui pregada no mês de abril próximo passado pelo célebre missionário Paulo da Cruz. Não é menos certo, porém, que maiores vantagens auferiríamos com a fundação de um retiro de sua Congregação na ermida do Santo Anjo. E creio, senhores, estar próximo esse dia. Movido por essas considerações, sou de parecer que os snrs. magistrados levem ao conhecimento do dito padre a aspiração unânime da cidade e envidem todos os esforços para que se digne tomar posse da ermida ” .

A proposta foi aprovada por unanimidade.

A moradia que desejavam doar a Paulo era o antigo mosteiro dos beneditinos, dedicado a são Miguel, distante três milhas da cidade, em meio de vasta floresta, no monte Fogliano. Paulo agradou-se do lugar e, embora poucos fossem os seus filhos, confiante em Deus, aceitou a oferta.

Trataram de obter da Congregação do Bom Governo a transferência do edifício ao novo Instituto.