FUNDAÇÃO DE SORIANO

Aos 29 de dezembro foi publicada a autorização.

Enquanto se tratava da fundação do Santo Anjo, ofereceram a Paulo outro retiro, anexo à Confissão de Santo Eutízio. Chama-se Confissão o local da sepultura dos mártires, porque confessaram o nome de Jesus Cristo.

O viajante que, de Vetralla, galga os montes Ciminos e desce a vertente oposta, atravessa espessos castanhedos, descortinando ao longe o território de Soriano, uma das mais belas possessões dos príncipes Albani.

No fundo do vale, que se estende em vasta planície até as, margens do Tibre, eleva-se pequena igreja construída sobre uma gruta. Atrás de um dos altares jaz o sepulcro de santo Eutízio, donde, por uma galeria de catacumbas, se vai ter à espaçosa gruta, cavada na rocha, em cujo centro há um reservatório das águas que caem da abóbada. E' a milagrosa fonte de santa Corona, virgem e mártir.

-Nesse piedoso asilo, santo Eutízio, sacerdote da igreja de Ferento, na última perseguição de Diocleciano, vivia oculto, celebrava os divinos mistérios e sepultava os falecidos na paz do Senhor e os mártires da fé.

Alfim, também ele caiu nas mãos dos perseguidores, suportou horríveis tormentos em Ferento, recebendo a auréola do martírio.

O bem-aventurado Dionísio, bispo diocesano, cumulou de honras esse sepulcro, na gruta duplamente consagrada assim pelo Sangue de um Deus como pelo de seu mártir.

“ As preciosas relíquias que ali descansam, escreve são Vicente Strambi, gotejam visivelmente misterioso maná ” .

E' um líquido misterioso que mana do túmulo ainda em nossos dias, ao qual se atribui uma eficácia sobrenatural. Quando o santuário era abandonado pelos piedosos sacerdotes que velavam pelo bem espiritual daqueles pobres camponeses, pregava o nosso santo a missão de Vetralla e o cardeal Alexandre Albani encontrava-se de passagem em Soriano. Ao ouvir grandes elogios aos novos apóstolos da Cruz, julgou-os enviados do Céu para continuarem a obra apostolar dos que partiam.

De volta a Roma, informou-se melhor com o abade Garagni. Falou a respeito com seu irmão Hanibal Albani, também cardeal e camerlengo da Santa Sé, que aplaudiu a escolha.

De acordo com Garagni, tratou da fundação, sem que Paulo o soubesse. Os Albani obtiveram de Bento XIV o que desejavam. Sua Santidade encarregou ao cardeal Valente de escrever ao governador de Soriano e ao bispo de Orte e Civita-Castellana.

A este, em data de 11 de dezembro, dizia em resumo:

“ Sua Santidade resolveu, para o bem espiritual das almas, estabelecer na igreja de Santo Eutízio, os sacerdotes da novel Congregação ela PAIXÃO DE N. SENHOR JESUS CRISTO. Antes de decidir-se, aprouve ao Santo Padre ouvir o cardeal de São Clemente, que agradeceu como devia a Sua Santidade por intenção tão santa e paternal... Declarou o Pontífice supriria, em virtude da autoridade apostólica, qualquer aprovação necessária... V. excia. deverá, pois, empregar sua autoridade, para encaminhar, favorecer e estabelecer esta obra, dando assim execução às ordens de Sua Santidade ” .

Muito folgou o snr. bispo por possuir em breve os missionários Passionistas.

O abade Garagni escreveu ao santo Fundador, chamando-o a Roma para tratar de assuntos importantes.

Paulo, julgando ir de encontro a novas dificuldades, deparou com as ótimas disposições dos cardeais Albani no tocante à fundação de Santo Eutízio.

Crendo que Deus desejava essa fundação ao invés da de Vetralla, agradeceu aos cardeais e retornou ao monte Argentário.

Alegraram-se os religiosos com essa notícia.

Pouco depois o santo recebe carta do cardeal Riviera, notificando-lhe as ordens do Santo Padre em relação à fundação de Vetralla.

Que fazer? Insuficientes são os religiosos para ambas as fundações. Mas eram ordens do Chefe da Igreja... O Vigário de Jesus Cristo lançava a toda vela a pequena e frágil embarcação.

O santo não hesitou.

Consultados os padres João Batista e Fulgêncio de Jesus, decidiu-se tomar posse dos dois retiros. A Providência, em dando as casas, enviaria outrossim religiosos para as habitarem.

Paulo solicitou do Papa dispensa de alguns meses de prova, para os noviços e o privilégio de serem ordenados, com. o título de

“ mesa comum ” ,

os que ainda não eram sacerdotes. E partiu imediatamente para Vetralla a fim cie concertar com o snr. bispo a tomada de posse do retiro do santo Anjo, prosseguindo viagem para Roma, onde permaneceu apenas dois dias. Eram os dias 27 e 28 de janeiro de 1744 (15). O cardeal Albani incumbiu-se de obter do Santo Padre os privilégios solicitados e enviou-o a Soriano para pregar uma missão, certamente frutuosa em vista da fundação que se seguiria.

O apóstolo passou por Orte para pedir faculdades necessárias. O prelado. ao vê-lo transido de frio e tão fatigado, hospedou-o no palácio episcopal, qual Anjo do Céu.

Recobradas as forças suficientes, iniciou a missão, coroada de frutos abundantes.

Não a terminara e já recebia do cardeal Albani uma carta com os Rescritos Apostólicos. No primeiro, outorgava-lhe o santo Padre a faculdade de dispensar doze noviços do tempo de noviciado que julgasse conveniente; no segundo, o titulo de

“ mesa comum para certo número de clérigos. ”