INAUGURAÇÃO DE DOIS RETIROS

Aos 15 de fevereiro de 1744 concluía a missão e voava para o Argentário.

Ao contemplar aqueles noviços, fervorosos e mortificados, chorou de contentamento. Admitiu doze à profissão e, sem mais, tomou consigo nove para a fundação dos dois retiros. Chegaram a Vetralla no dia 16 de março.

Precedidos dos magistrados e do povo, dirigiram-se à catedral. Após breve visita ao ss. Sacramento, conduziram-nos triunfalmente ao palácio do governador da cidade, onde os cônegos da catedral, sob protestos dos humildes religiosos, lavaram-lhes os pés.

Edificante e comovente foi a tomada de posse, no dia seguinte.

Imensa multidão reuniu-se na catedral, ao som festivo dos sinos. Paulo, com uma corda ao pescoço e coroa de espinhos na cabeça, seguido de seus religiosos, entoou, com a Cruz alçada, a ladainha de todos os santos. Pôs-se em movimento a procissão. A cidade em pêlo os acompanhava.

Antes da missa solene, leu o tabelião a ata da posse.

Sobre o altar-mor, como a recordar a finalidade do Instituto e a incrementar o espírito de piedade, havia uma tela antiga, obra de excelente artista, representando Jesus Crucificado. Todos os presentes ficaram edificados com essa cerimônia, que trescalava recolhimento e devoção.

Sob a direção do pe. João Batista, lá permaneceram quatro religiosos.,

O convento do Santo Anjo tornou-se mais tarde as delícias de Paulo, porque, afastado cerca de três milhas da habitação mais próxima e oculto em meio do bosque, convidava à prece e favorecia os exercícios de piedade.

Com as mesmas solenidades e os mesmos transportes de alegria, tomou posse do santuário de Santo Eutízio, cuja direção confiou ao pe. Marco Aurélio.

Enquanto o servo de Deus venerava o glorioso sepulcro, a lousa sobre a qual Eutízio ordinariamente celebrava o santo Sacrifício, destilou em abundância o maná misterioso, e no local em que sua mão tocara, brotaram cinco gota:, brilhantes como pérolas!.

Demonstração patente de que acolhia com prazer os missionários da Paixão, que iriam ali preparar-se a difundir a fé, selada pelo seu sangue.

“ Nosso Senhor, diz o santo biógrafo de Paulo, abençoou essa fundação. A ilustre família Albani sempre dedicou especial afeto e benevolência à pobre Congregação, jamais cessando de cumulá-la de benefícios ” .

Dias após escrevia o príncipe Horácio ao pe. Paulo:

“ Entre as muitas obrigações que contraí com meus tios cardeais, considero das mais importantes a de me proporcionarem o grande benefício da santa missão pregada por v. revma. em Soriano, de imenso proveito aos meu: vassalos, bem como o estabelecimento dos santos religiosos Passionistas no retiro de Santo Eutízio.

Desde o princípio experimentei singular satisfação, que foi sempre crescendo, ao refletir que, com a graça de Deus, verei em breve reanimar-se nestas paragens o espírito de piedade.

Agradeço-vos de coração por serdes o principal promotor de tão grande bem e por me haverdes proporcionado tantos motivos de apreciar os vossos méritos e os de vossos coirmãos.

Por todas essas razões estou sempre ao vosso inteiro dispor, no que me fôr possível.

Recomendo-me às vossas fervorosas preces, em que deposito moita confiança ” .