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Em profundo recolhimento. orava o nosso santo ante o sacrário, na igreja da Imaculada dos
Montes. das religiosas capuchinhas, quando entrou um sacerdote e se dirigiu à sacristia.
Guiado por impulso interno, pe. Paulo o segue.
Ao se encontrarem perguntam-se mutuamente:
- O senhor é o pe. Paulo?
- E v. revma. é o pe. Tomás Struzzieri?
E abraçaras-se cordialmente, como se foram velhos amigos, que havia muito não se
encontravam.
O sacerdote tivera conhecimento do maravilhoso apostolado do pe. Paulo e da fundação do
Instituto da sagrada Paixão. Paulo, por sua vez, ouvira falar do pe. Tomás Struzzieri, um dos
mais eloqüentes oradores da época.
Estimularam-se mutuamente ao sacrifício pela glória de Jesus Crucificado e em prol das
almas. Desde essa primeira entre, vista uniram-se pelos laços de santa e indissolúvel
amizade. Struzzieri desejou voar imediatamente para o monte Argentário; mas
seus amigos, de prudência demasiado humana, esforçavam-se por fazê-lo desistir da santa
resolução!
Aos 40 anos de idade e com tão brilhante porvir, garantido pela nobreza do berço e pelos
dotes intelectuais, abraçar uma Congregação tão austera e mal consolidada!
Orava Paulo e solicitava orações em prol do amigo.
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Diga a soror Colomba, escrevia a um sacerdote, que agora é tempo de auxiliar-me.
Recomendo-lhe um grande missionário que começa sentir alguma inclinação para o nosso
Instituto. Seria um dos nossos mais poderosos apóstolos. Oh! quanto o desejo!... Que reze
muito, pois espero será ouvida... Ah! por caridade, não nos perca de vista, nem de dia nem
de noite. O mesmo digo a v. revma.: Lembre-se de nós ao celebrar o santo Sacrifício
”
.
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Dois anos decorreram e Paulo tornou a avistar em Roma o pe. Tomás. À claridade de luz
superior, descobriu naquela alma as, perplexidades que a agitavam, descrevendo-as nas
menores circunstâncias.
E' patente a vontade divina. A graça triunfa. Segue para o Argentário o filho de suas preces
e, aos dois de fevereiro de 1745, recebe das mãos do Fundador o santo hábito. A partir de
agora chama-se pe. Tomás Maria do Lado de Jesus.
Excelente conquista! Este apóstolo que no dizer de são Vicente Strambi,
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podia valer por
muitos
”
,
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nascera em Senigallia, de nobre família, e unia à circunspecção da experiência e do
talento os tesouros de vasta e profunda doutrina, de arrebatadora eloquência, de que dera
sobejas provas no ministério apostólico. Estas belas qualidades eram coroadas por voz forte
e sonora, admirada pelo célebre missionário são Leonardo de Porto Maurício. Mas, acima
de tudo possuía rara prudência e sólida piedade.
Ei-lo simples noviço da menor e mais humilde das Congregações religiosas! Maior, porém,
era em sua cela do que sob os dourados tetos de seu palácio e das cátedras apostólicas,
donde arrebatava as multidões.
Traçou interessante descrição de seu noviciado, que se não pode ler sem profunda emoção.
A alma se desabafa em cânticos de amor e em arroubos celestiais. Ouçamos algumas de suas
expressões:
Quando pus os pés neste santo retiro, julguei entrar no paraíso Reinava o mais profundo
silêncio e as mesma, paredes respiravam santidade. Os religiosos pareciam Anjos, tanto
resplandeciam em virtudes. Amavam tanto a pobreza, a ponto de procurarem, com piedoso
empenho, as piores coisas, como sejam hábitos remendados e estragados.
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Eram tão mortificados, que os superiores deviam vigiar para que tomassem o necessário
alimento. Porfiavam em privar-se já de uma coisa, já de outra e, freqüentemente. jejuavam a
pão e água! Se lhes faltava o que as Regras permitem. ou mesmo o mais frugal alimento,
ninguém se queixava. vendo em tudo a vontade de Deus. Que de habilidade não empregavam
no mortificar o paladar! Misturavam no, alimentos erva. ou pós amargos! Quase todos
possuíam o dom da oração e alguns. depois de Matinas, permaneciam diante do ss.
Sacramento até a hora de Prima. Estavam sempre recolhidos e de olhos baixos para não
perderem a Deus de vista. Os mesmos recreios eram escola de oração.
”
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Jamais discorriam do mundo nem dos negócios seculares, mas unicamente de Deus, da vida
dos santos, da conversão das almas, da ventura de derramarem o sangue pela fé. Dessas
práticas hauriam novo fervor, com ardente aspiração de trabalharem e sofrerem muito por
Deus. Eram admiráveis na obediência. Bastava conhecerem a vontade do superior para
executarem-na imediatamente. Praticava-se a caridade em tão sublime grau, que cada qual.
se comprazia em carregar o fardo do companheiro. Acusavam-se a si mesmos para desculpar
os coirmãos. Jamais se ouvia a mais leve murmuração
”
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O testemunho genuíno, muito mais
prolixo, é citado na integra em Memorie dei Primi Compagni. Esta citação é abreviada e
com alguns períodos invertidos; mas deixamo-la assim. Se os religiosos lhe eram de
edificação, ele não o era menos aos religiosos. Digno êmulo de suas virtudes, tinha os lábios
na chaga do Coração de Jesus, a que consagrara o nome, e bebia sofregamente no manancial
das divinas perfeições, luzes e paz até então desconhecidas.
Julgava-se no paraíso. Toda noite, durante o sono, aparecia-lhe em sonho o santo Fundador,
entretendo-se com ele em assunto, espirituais. Ilusão ou realidade?. Ignorava-o. Ao despertar
para Matinas, era como se saísse de doce êxtase: o coração estuava-lhe de amor...
Em pouco tempo fêz-se perfeito religioso. O santo Fundador, com licença apostólica,
julgou-o digno da profissão após dois meses e meio de prova.
O pe. Tomás Maria era modelo acabado de humildade, doçura e penitência, virtudes
adquiridas na oração assídua.
Missionário zeloso e infatigável, administrador prudente, foi de grande auxílio ao santo
Fundador.
Ocultara-se à sombra da Cruz, mas fê-lo conhecido o resplendor de seu gênio e de suas
virtudes. Em 1760, ordem formal de Clemente XIII arrebatava-o à Congregação. Devia
seguir para a Córsega, como teólogo do visitador apostólico, o cardeal De Ângelis.
Delicadíssimo era o encargo. Revoltara-se a ilha para sacudir o jugo da república de
Gênova e, como julgassem os bispos partidários dos opressores, desterraram-nos. Daqui
surgirem ultrages à Religião, ódio mortal a seus ministros, devassidão dos costumes e
profanação das igrejas.
Onde quer que se apresentasse o pe. Tomás Maria, sua eloquência doce e insinuante
conquistava os corações e acalmava os espíritos.
Pelos trabalhos excessivos em país montanhoso, muita vez com perigo de vida, De Ângelis
caíu doente. Obrigado a abandonar a ilha, deixou o pe. Tomás como seu vigário geral. Ao
chegar a Roma, teceu-lhe elogios tais, que o Santo Padre o constituíu visitador apostólico e o
nomeou bispo de Tiana.
Longe de arrefecerem-lhe o zelo, essas honras deram-lhe maior vida, força e constância.
Enfim, por seu intermédio, a grande voz da Igreja conseguiu dominar os furiosos brados de
independência nacional. Sua caridade e prudência souberam unificar os ânimos e pacificar a
ilha. Todos o amavam como a terníssimo pai. Contudo, a mais digna de suas obras, quer
como religioso, quer como apóstolo - permita-se-nos recordá-la aqui, para que o mundo
conheça o vinculo que une os filhos de Deus - foi a caridade com que acolheu, consolou e
alimentou a quatro mil Jesuítas, heróicos e santos mártires, lançados naquelas praias, após
serem tratados da maneira mais iníqua e caluniados como somente o poderia fazer a malícia
infernal.
Gênova cedeu a Córsega ao rei de França. Restabeleceu-se a hierarquia eclesiástica,
terminando gloriosamente. em 1770, a visita do santo Pastor.
Informado de seus méritos, ofereceu-lhe Luís XV o titulo de metropolita da ilha. As honras,
porém, o não atraíam. Sua única aspiração era voltar ao monte Argentário, para janto dos
coirmãos, e entregar-se novamente à vida de silêncio e oração.
O rei, patenteando-lhe estima e reconhecimento, enviou-lhe dez mil flancos. O apóstolo
recebeu-os quando já se encontrava a bordo e os remeteu imediatamente ao Cabido da
catedral, para serem distribuídos aos pobres.
Clemente XIV obrigou-o a aceitar o bispado de Amélia, transferindo-o mais tarde, apesar
das lágrimas do rebanho e resistência do Pastor, à Sé de Todi, onde, em 1780, com a idade
de 74 anos, falecia em odor de santidade. Seu corpo repousa na catedral de Todi, cercado
pela veneração dos fiéis e glorificado por muitos milagres; mas a santa Igreja não
pronunciou ainda seu parecer.
Tivemos como obrigação traçar, de relance, a vida desta grande e santa figura de religioso,
cuja glória reverbera na fronte augusta de Paulo da Cruz.
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