GRAVÍSSIMA ENFERMIDADE

De par com a graça vai sempre o sacrifício. Paulo comprara seus filhos com orações, lágrimas e dores. Satanás fazia-os pagar bem caro. O pe. Tomás custou-lhe trabalhos inenarráveis. Conduziu-o de Roma ao Argentário no rigor do inverno. Fatigado como estava por tintas viagens e trabalhos, caiu enfermo. Dores atrozes o martirizavam, chegando a causar apreensão o seu estado.

Transportaram-no a Orbetello, em casa de piedoso benfeitor. Nada conseguia acalmar a veemência dos sofrimentos. Eram tão agudos e pungentes, que o santo, para não se lamentar, recitava as ladainhas de N. Senhora, com acento de profunda tristeza. Alimentava-se pouquíssimo e tudo lhe causava ânsias de vômito

Não pregou olho durante quarenta dias e quarenta noites. Confrangia o coração ouvi-lo, com os olhos fixos numa imagem de Maria, dirigir-lhe comovedoras súplicas:

“ Ó Maria, uma hora de descanso....Ao menos, insistia chamando, ao menos meia hora... Ó Mãe, minha doce Mãe, por caridade... um quarto de hora, pelo menos um quarto de hora!... ” .

E não era atendido... Bem sabia a terna Mãe não ser desejo de N. Senhor dar tréguas às dores do filho amado. Ao amargo desse cálice, sobrevinham insuportáveis desamparos, fantasmas horríveis, pensamentos desoladores, espantosas angústias... O pavor do inferno, mais do que o temor da morte, torturava-lhe a alma. Os demônios afligiam-no e o martirizavam. Embora de 1756, transcrevemos a carta seguinte que revela um dos pontos fundamentais da vida mística de são Paulo da Cruz:

“ Há cinco dias que. estou pregado no leito com tormentos e espasmos nas junções e nervos dos joelhos e dos pés, tormentos que superam minhas forças humanas, além de outros horrendos flagelos e espantosíssimos abandonos, que são provas de um inferno antecipado, como a alta união e as delícias que experimentam as almas justas são provas de uma beatitude antecipada ” .

Tudo suportou o santo, durante cinco meses, com inalterável paciência e resignação. Aos filhos, que de contínuo vinham visitá-lo, ao vê-los pesarosos, dizia

“ Temos uma eternidade para gozar... Que são, portanto, as tribulações desta vida? ”

Todavia, se o corpo encontrou nesse crisol enfermidades para o resto de seus dias, nada perdeu a alma de seu vigor varonil.

Que intrepidez de ânimo! Parecia olvidar os sofrimentos quando se tratava de Deus, das almas e dos interesses do Instituto!