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As Regras estavam aprovadas por simples Rescrito. O Santo Padre prometera aprová-las
por Breve Apostólico, logo que crescesse o número de casas e de religiosos.
Em uma de suas viagens a Roma, Paulo solicitou essa aprovação, e Bento XIV nomeou a
comissão de três cardeais, entre os mais ilustres do Sagrado Colégio, para revê-las. Eis os
nomes dos cardeais: Gentili, prefeito da Congregação do Concílio, Girólami da
Congregação dos Bispos e Regulares e o cisterciense Besozzi,
ilustre pela piedade e pelo saber.
Todos, mas particularmente Besozzi, deram a Paulo palavras -de esperança. Tudo corria
bem. O santo, contudo, temia os ardis de Satanás, sempre pronto a levantar-se contra ele. De
volta à solidão, exortava os filhos a invocarem, com orações e lágrimas, a proteção do Céu.
Não eram quiméricos esses temores. Logo que os inimigos do Instituto tiveram conhecimento
da revisão das Regras, lançaram-se novamente à luta, empenhando-se por destruí-lo de vez.
Lamentavam
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“
Mais uma Ordem religiosa na Igreja de Deus, havendo já tantas e tão veneráveis por
doutrina e santidade! Como se faltassem Ordens consagradas à propagação do culto a Jesus
Crucifica Aprovar outra unicamente por trazer ostensivamente no peito as insígnias da
Paixão?!...
”
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Esses e semelhantes queixumes eram o tema de seus colóquios.
E não se contentavam de alvoroçar a cidade, esforçavam-se por influir no ânimo dos
cardeais encarregados cia revisão das Regras.
O cardeal Girólami deixou-se arrastar pelas más línguas e, na primeira reunião sustentou,
inflexível, dever-se rejeitar a todo trance o pedido do Fundador. Eis os motivos aduzidos
por sua eminência: As Regras do Instituto, no parecer de todos, são tão austeras, a ponto de
sobrepujarem as forças humanas. Aprová-las será expor a Sé Apostólica a condescender,
com deplorável facilidade, aos desejos dos que, por zelo certamente sincero mas pouco
esclarecido, pretendem demasiado da fragilidade humana. Ademais, o excesso de
austeridades terminará por quebrantar o ânimo dos mais robustos, lançando-os no
relaxamento e, onde esperavam encontrar caminho seguro para o Céu, toparão com a
condenação eterna. E concluía que, tudo bem ponderado, pelo respeito devido à Santa Sé e
pelo interesse das almas, era de parecer negar-se a aprovação.
Os cardeais Gentili e Besozzi eram de opinião contrária. Eis, o raciocínio de suas
eminências: As Regras já foram aprovadas, pelo atual Pontífice. Deve-se ainda refletir que
os Passionistas, à medida que aumentam em número, observam fielmente essas Regras e são
infatigáveis no ministério apostólico...
O certo é que nada se concluíu nessa sessão.
Semanas após, reuniu-se novamente o conselho. O cardeal Girólami, ao notar a
inflexibilidade da opinião contrária, propôs um meio termo: modificar em vários pontos as
Constituições.. O cardeal Albani, embora alheio à comissão, velava pela integridade das
santas Regras.
Escreveu sem mais ao Fundador, pondo-o ao par de tudo.
Pobre Paulo! Amante como era da perfeita pobreza, por ele chamada o estandarte do
Instituto, afligia-se ao extremo ao saber pretendiam facultar às casas de estudo possuírem
rendas.
Aconselhou-se com o pe. Tomás Maria e, convencido de que Deus queria a pobreza integral
no Instituto da Paixão, respondeu a sua eminência alegando tantas razões, em carta vasada
em termos tão calorosos, que o Príncipe da Igreja ficou plenamente persuadido e resolveu
falar do assunto diretamente a Bento XIV. O Santo Padre, para pôr termo à controvérsia,
nomeou-o prefeito da comissão.
Foi o suficiente para não se tocar mais nesse assunto, mas Girólami propunha sempre novas
alterações. Julgou-se necessária a presença do santo Fundador.
Nada o deteve: nem as dores que ainda o atormentavam nem as fadigas de nova viagem.
Chegou a Roma em fevereiro de 1746. O cardeal Albani obteve dos Mínimos de são
Francisco de Paulo, de quem era o Protetor, o hospedassem no convento de Santo André. Seu
estado de saúde reclamava especiais cuidados.
A presença de Paulo, sua doçura e humildade, salvaram a obra de Deus.
Girólami, persistente em suas opiniões, caíu enfermo. O sumo Pontífice, admirador sincero
do Instituto, excluíu-o da comissão. Era o termo dos debates. Era o triunfo. Mitigadas as
Regras em coisas de somenos, como o uso constante (Ias sandálias e o jejum e abstinência
apenas três vezes por semana, exceto no advento, que continuava quotidiano, os juizes, de
comum acordo, aprovaram-nas no dia 27 de março de 1746, apresentando-as no dia seguinte
ao Santo Padre.
O sábio Pontífice, satisfeitíssimo, dignou-se escrever de próprio punho o Rescrito para a
expedição do Breve.
Ouçamos os acentos de reconhecimento e júbilo, que brotaram da alma de Paulo da Cruz
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“
Querido e amadíssimo pe. Fulgêncio. A caridade inspirar-vos-á compaixão de uma alma
tão pobre e imperfeita como a minha...
”
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- O santo pensa sempre no seu nada, toda vez que
Deus o glorifica, mas seus olhares se voltam logo para o Céu:
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“
Graças a Deus,
segunda-feira da Paixão, 28 do corrente mês, quando se lê no Evangelho da Missa: SI QUIS
SITIT VENIAT AD ME ET BIBAT, etc. (Jo. 7, 37), o Vigário de Jesus Cristo firmou a
minuta do Breve para a aprovação de nossas santas Regras...
”
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“
Ontem me lancei aos pés de Sua Santidade, manifestando-lhe o meu reconhecimento...
”
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“
Que dizer da altíssima Providência de Deus. permitindo, apesar das mais ativas diligências,
não nos fosse outorgada essa mercê antes dos grandes dias da Paixão? Quantos mistérios!...
”
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“
V. Revcia. estará lembrado de que o mesmo sucedeu com o retiro do monte Argentário. Não
conseguimos. a despeito de todos os esforços, tomar posse solene do retiro nem celebrar o
divino Sacrifício senão no dia da Exaltação da Santa Cruz... NOS AUTEM GLORIARI
OPORTET IN CRUCE DOMINI NOSTRI JESU CHRISTI (Gal 6. 37): Não devemos
gloriar-nos senão na Cruz de N. S. Jesus Cristo... Convenço-me sempre mais de que a
Congregação é obra de Deus. Assim o crê Roma em peso: religiosos e prelados... Deus me
tem ajudado. Posso dizer que é milagre de sua misericórdia resolver-se o magno assunto tão
depressa e com êxito feliz
”
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“
Em breve ordenarei solene: ações de graças... No entanto, que todos se esmerem em louvar
e agradecer ao Altíssimo
”
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O Breve de aprovação tem a data de 28 de abril. O cardeal Albani custeou todas as
despesas, levando-o no mês de junho, pessoalmente, ao santo Fundador, então de passagem
pelo retiro de Santo Eutízio.
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