MISTERIOSA PROMESSA

Paulo escrevia ao pe. Fulgêncio:

“ No dia da Comemoração de são Paulo, 30 do corrente, começai, vo-lo peço, o tríduo solene em ação de graças, com exposição do ss. Sacramento, devendo terminá-lo no dia da Visitação da ss. Virgem, em que cantareis e aplicareis a santa missa segundo a minha intenção. Haverá comunhão geral nos três dias. Pedi todos com muita piedade e fervor o desenvolvimento do Instituto e, para os religiosos, o verdadeira espírito apostólico, que é espírito de grande perfeição ” .

“ Em suma, rogai a Jesus nos conceda a todos o seu santo espírito ” .

“ Disse tudo em poucas palavras ” .

“ E a mim, miserável, que destruo a obra de Deus, que direi? Prostro-me aos pés de todos e a todos peço perdão de minha vida pecaminosa, relaxada, tíbia e escandalosa, porque não sou regular, mas, ao contrário, muito irregular. Rogo-vos supliqueis à divina Majestade me perdoe os pecados, que são graves, gravíssimos mesmo; e se, por minha culpa, eu não sirva de exemplo aos demais com vida verdadeiramente santa, rogai a Deus me tire deste mundo, concedendo-me, porém, uma santa morte ” .

“ Por amor de Deus, não me recuseis esta caridade. ESTOU CERTO, CERTÍSSIMO DE QUE, SE CORRESPONDERDES A VOCAÇÃO, DEUS A TODOS VOS FARÁ SANTOS. SEI O QUE ESTOU DIZENDO... ” .

“ Sei o que estou dizendo... ”

Os santos ocultam os favores do Céu, mas muitas vezes se traem por uma palavra, um suspiro, um nada... E' preciso interpretá-los e surpreendê-los quando distraídos. Aqui há, evidentemente, alguma revelação sobrenatural, alguma promessa de graças especiais aos que abraçam o Instituto da sagrada Paixão. Deus lhe daria uma coroa de santos... Quando o santo Fundador escrevia estas frases tinha como discípulos almas que praticavam a virtude em grau heróico, como sejam, seu irmão pe. João Batista, o pe. Fulgêncio de Jesus, o pe. Marco Aurélio do SS. Sacramento, o pe. Tomé do Sagrado Lado, o pe. Francisco Antônio do Ss. Crucifixo, o pe. Tomé de São Francisco Xavier, o pe. José das Dores de Maria Santíssima, o pe. Antônio do Calvário, o pe. Felipe Jacinto do SS. Salvador, o pe. Bernardino de Jesus, o pe. João Batista de São Vicente Férrer, o irmão José de Santa liaria, o ir. Tiago de São Luiz, etc..

Dos religiosos desse tempo escreve o santo Fundador que

“ levam uma vida de santos ” ,

que

“ caminham como valorosos na senda da perfeição ” ,

que

“ graças a Deus, são todos bonus odor Christi ” ,

“ o bom odor de Cristo ” ,

que é

“ uma beleza ver o espírito ardoroso com que se entregam à conquista da virtude, principalmente os jovens, de maneira tal que, se não se refreassem, muito mais quereriam fazer ” .

Será para admirar que à sua morte o santo lhes tenha tecido os mais lisonjeiros elogios e tenha visto todos salvos os 60 religiosos que o precederam na eternidade?

Desses seus discípulos hoje um deles já recebeu as honras dos altares, é são Vicente Maria Strambi; o pe. João Batista, seu irmão, é Venerável; de outros estão iniciados os processos de canonização.

Não se admire o leitor dessas expressões de abjeção e desprezo. Paulo já nos acostumou a elas e já explicamos esse mistério de humildade nos santos. Consideram-se os maiores pecadores porque, na luz intensa em que vivem, descobrem as menores faltas, ainda que involuntárias, que lhes empanam a pureza da alma...