AMÁVEL SIMPLICIDADE

Fiel guardião das máximas do divino Mestre, aliava a prudência à simplicidade e à candura, aliança proposta por N. Senhor sob o símbolo da serpente e da pomba. Nada mais encantador do que vê-lo agir. A simplicidade cristã era a alma de sua política e a força motriz da alta sabedoria com que desvendava os ardis dos perseguidores.

“ À força de tratar tantos que fazeres, dizia com tristeza, vim a perder a bela simplicidade que trouxera do seio de minha mãe ” .

Desejava que os religiosos fossem também alheios a toda simulação.

“ Sou lombardo, repetia, o que tenho no coração, tenho-o nos lábios ” .

Se, por resposta evasiva de algum de seus filhos, julgasse concluído um trabalho apenas começado. fosse qual fosse o motivo dessa simulação, admirava-se e se afligia. Queixava-se amargamente se a mentira se repetisse, descobrindo muitas vezes por luz superna a verdade que desejavam ocultar-lhe.

O pe. Antônio depôs nos processos de canonização que, certa manhã, comera às ocultas cinco figos, limpando em seguida os lábios para não ser descoberto. Julgava-se impune, tanto mais que no momento Paulo orava na igreja. Qual, porém, não foi o seu espanto ao ouvir o servo de Deus repreendê-lo:

“ Como se atreveu a comer figos sem licença?... Bem, acrescentou, dentro de alguns dias adoecerá em castigo dessa desobediência ” .

E assim sucedeu.

Em outra ocasião, caminhavam juntos, quando Paulo lhe dirigiu uma pergunta. Antônio respondeu-lhe com uma mentira. E o santo, com ar severo:

“ Para que não mais torneis a mentir, digo-vos que estais a pensar em tal coisa, em tal lugar, etc. ”

E, com toda clareza e minuciosas circunstâncias, revelou-lhe os pensamentos, com espanto do irmão.

Não julgava mal de ninguém, estando convencido que todos eram melhores do que ele. A todos tratava com profundo respeito e o manifestava com expressões sinceras.