CAPÍTULO XXIV

1748 - 1749


FUNDAÇÃO EM CECCANO

Fecundada por graças extraordinárias, a Congregação da Santa Cruz produzia frutos de eminentes virtudes, expandindo por toda parte o bom odor de Jesus Cristo.

Ceccano, florescente cidade dos Agros Romanos, anelou possuir um retiro de Passionistas. Ofereciam um convento a pequena distância da cidade, antiga residência dos Beneditinos. Contíguo ao mosteiro havia humilde igreja sob a invocação de Santa Maria de Corniano, cuja imagem, conforme piedosa lenda, fora encontrada milagrosamente.

Ceccano em peso ansiava por acolher quanto antes os novos apóstolos.

D. Bórgia bispo de Ferentino, grande admirador de Paulo e de seus filhos, secundava os desejos de Ceccano, auxiliando a restauração do mosteiro e da igreja. O piedoso prelado escreveu ao santo Fundador, rogando-lhe com vivíssimas instâncias aceitasse a oferta.

Paulo enviou a Ceccano o pe. Tomás Maria para tratar da fundação. Este julgou o lugar conforme o espírito do Instituto: POBRE e SOLITÁRIO. O santo decidiu satisfazer a aspiração daquele povo verdadeiramente piedoso.

Celebradas as festas de Natal em Santo Anjo, dirigiu-se com sete religiosos a santo Eutízio, donde tomou mais alguns para formar a comunidade de Ceccano. Era em princípios de 1748, estação calmosa.

Para animá-los a suportar as fadigas e os incômodos da longa jornada, pôs-se a discorrer com tanto ardor sobre a Paixão de N. Senhor, que os religiosos, enternecidos até as lágrimas, acompanharam-no com o entusiasmo do soldado que segue destemido capitão.

A única provisão que levaram era a ilimitada confiança na divina Providência. Viajaram muitos dias por caminhos desconhecidos, superando incríveis trabalhos, mas sempre contentes.

O povo todo os esperava, fora da cidade, com manifestações de júbilo. Para realçar a solenidade, viera de Ferentino o snr. bispo, que os abraçou afetuosamente, chorando de comoção.

Receberam condigna hospitalidade em casa do snr. Angeletti.

No dia seguinte, festa do Nome de Jesus (14 de janeiro de 1748), com as cerimônias de praxe tomaram posse do retiro.

Deus N. Senhor manifestou por um prodígio quão grata lhe era a fundação.

Terminada a cerimônia, muitos ficaram por lá, dando expansão ao júbilo que lhes ia na alma. Depositaram na relva suas provisões e começaram a comer alegremente. Mas logo faltou a vinho e, compreende-se, diminuiu o entusiasmo.

Paulo, informado, veio ter com eles. Vendo um corote atirado a um lado, perguntou-lhes por que não bebiam. A resposta unânime foi que estava vazio e lho demonstraram virando-o com a abertura para baixo. Paulo insistiu que bebessem do corote. Um dos presentes, mais dócil que os demais, obedeceu, e o vinha saía abundante, como se a vasilha estivera cheia. Depois do primeiro, tomaram os outros e bastou para todos. Atônitos, olhavam para o santo cheios de estupor e de veneração.

Este fato tem grande importância: é o próprio Deus que apresenta a essas almas o poder dum apóstolo, com o dom dos milagres.

Dias após, o nosso santo já lançava seus soldados aos combates do Senhor. Enquanto o pe. Tomás, em companhia de outros sacerdotes, missionava os arredores, Paulo iniciava a missão de Ceccano. Ao terceiro dia, porém, adoeceu. O povo temeu perde-lo apenas o conhecera.

A família Angeletti prodigalizou-lhe cuidados afetuosíssimos.

Paulo, que amava a pobreza mais do que a própria vida e que. mesmo nas enfermidades, só desejava as ignomínias da Cruz, apressou-se, embora convalescente, em voltar para junto dos filhos.

Chegado ao retiro, recaía.

Sempre apóstolo, de seu leito de dor informava-se da missão de Ceccano, folgando imensamente em saber que as almas acorriam aos pés dos confessores.

O pe. João Batista, por revelação do Céu, soube em Santo Anjo da enfermidade do irmão, recomendando-o às orações da comunidade.

N. Senhor deferiu-lhe as súplicas e o santo restabeleceu-se.

Apenas pôde viajar, empreendeu o caminho de Roma, a fim de solicitar do Soberano Pontífice o título de MESA COMUM para vários clérigos, prestes a ordenar-se. Ao ver-se na presença do Papa, a fé e o reconhecimento comoveram-lhe profundamente a alma e doces lágrimas deslizaram-lhe pelas faces.

O Vigário de Jesus Cristo, para animá-lo, felicitou-o pelo seu zelo apostólico e pela nova fundação. Concedeu-lhe o favor solicitado, acrescentando com inefável bondade que, para evitar as fadigas de tão longa viagem, podia recorrer a ele por intermediário. Paulo, que via no Santo Padre a pessoa adorável de Jesus Cristo, considerou a mercê como concedida pelo mesmo Salvador.

Ao regressar ao Santo Anjo, referiu aos filhos o feliz êxito da fundação e passou ao monte Argentário, onde permaneceu poucos dias, pois outra fundação o chamava.