FUNDAÇÃO EM TERRACINA

A segunda fundação foi perto de Terracina, também nos Estados Pontifícios e nos limites do reino de Nápoles.

O bispo dessa cidade, d. Uldi, carmelita, ao saber que o pe. Tomás Maria, seu velho e grande amigo, era o reitor do retiro de Ceccano, enviou-lhe grande provisão de legumes, acompanhada de gentil missiva.

Suplicava o prelado ao religioso aceitasse a humilde oferta como pobre auxilio à recente fundação.

O pe. Tomás estava em missão ao chegar o portador. Paulo, que se encontrava de cama, pensou em mandar escrever, agradecendo ao snr. bispo, mas uma voz lhe segredou:

“ Levanta-te e escreve tu mesmo, solicitando a fundação de um retiro em sua diocese ” .

Estas palavras foram-lhe um raio de luz. Lembrou-se de uma revelação que tivera vinte anos antes. Em viagem para Gaeta com João Batista, ao divisar do navio a montanha que domina Terracina, rasgou-se-lhe o véu do porvir e contemplou naquelas alturas um retiro da Congregação.

Já não podia duvidar da vontade de Deus. Levantou-se e escreveu a d. Uldi. Depois de agradecer ao bondoso antístite, acrescentou que, conforme seu parecer, seria de glória para Deus e bem das almas fundar-se naquela montanha, com licença e bênção de sua excia., uma casa do novo Instituto.

Eis a resposta de d. Uldi:

“ O lugar de que me falais é adequado ao vosso desígnio e oferece inúmeras vantagens. Há espaço para lindo jardim e abundante material de construção. Para que possais dar início quanto antes à obra, dar-vos-ei, em louvor das cinco Chagas do Salvador, quinhentos escudos ” .

Apelou para a generosidade dos fiéis e, em breve, uma casa de oração se erguia naquelas alturas. Lá havia antigamente um palácio do imperador Sérgio Galba. Podem-se ver ainda as ruínas, que testemunham a magnificência desse edifício. O convento foi levantado sobre as antigas muralhas do palácio. Os subterrâneos, estão intactos.

“ Assim, nota são Vicente Strambi, quis Deus que no mesmo lugar onde se erguia outrora o palácio de um imperador se construísse em sua honra uma igreja com um convento de religiosos que dia e noite louvassem a bondade divina ” .

Sobrevieram, então, as perseguições de que já falamos.

O santo bispo foi admirável na defesa do Instituto. Ordenou continuassem a construção. prodigalizando os donativos de sua munificência. Mas. no mês de novembro cie 1749, Deus o chamava para a recompensa dos justos, reservando a glória de completar a santa obra a seu sucessor, d. Palombela, que unia à piedade do pontífice o zelo do apóstolo.

Digno filho dos Servos de Maria, dedicou o convento a Nossa Senhora das Dores. O ingresso solene de Paulo com onze filhos seus deu-se no dia 6 de fevereiro, domingo da Sexagésima.

Percorreram a pé a longa jornada de Santo Anjo a Terracina e, dias após, deu início a um retiro espiritual àquelas almas simples e fervorosas.

A memória do santo missionário perdurou indelével naquele bom povo, que sempre se mostrou generoso para com os Passionistas.