CAPÍTULO XXVI

1758 - 1761


MORTE DE BENTO XIV

Grande desgraça afligira a cristandade. A Igreja Católica estava de luto pela morte de Bento XIV, ocorrida aos 3 de maio de 1758, festa da Invenção da Santa Cruz.

Acabava a Santa Sé de perder um dos mais ilustres Pontífices e a Fé Católica um de seus mais resplandecentes luzeiros.

Perda dolorosa para o coração de Paulo, que chorava a Igreja, viúva de tão bondoso Pastor, e a Congregação, órfã de pai tão amoroso.

Apresentavam-se-lhe à memória os, benefícios recebidos do digno Vigário de Jesus Cristo.

Todas as casas do Instituto, com exceção da primeira, foram construídas sob sua soberana proteção. A jovem milícia de Cristo triunfara de tantas lutas pela defesa de seu poderoso braço, e o Fundador fora sempre recebido por Sua Santidade com paternal carinho. Jantais o despedira sem obsequiá-lo com alguns favor. Já é do conhecimento do leitor o afeto singular de Bento XIV para com o nosso santo, chamado por ele o Apóstolo dos tempos modernos, e para com a Congregação por ele fundada. Esse afeto e veneração cresceu tanto com o correr dos tempos, a ponto de o magnânimo Pontífice trazer sempre consigo parte de uma carta escrita por Paulo, como se fora preciosíssima relíquia. Pouco antes de falecer, disse a alguns dos nossos, que foram visitá-lo:

“ Estou para morrer; todavia ajudar-vos-ei ainda no que puder ” .

Na verdade, se o reconhecimento é a virtude das almas nobres, é sobretudo a virtude dos santos.

Não há, pois, que estranhar a dor profunda do servo de Deus, sempre sensível ao menor sinal de interesse por seus filhos.

Portanto, o pai e os filhos dirigiram ao Céu fervorosas preces pelo descanso daquela grande alma, apesar de viva confiança de que já gozasse da presença do Senhor; confiança baseada nas gloriosas e santas obras praticadas em vida e na serenidade com que aceitou a morte, ocorrida no dia do triunfo da Santa Cruz.

A aflição e as lágrimas de Paulo tinham origem no vivo e nobre sentimento de gratidão, pois já soubera. por luz superior, que o futuro Pontífice seria intrépido e generoso defensor da Igreja e magnânimo protetor do seu Instituto.