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Grande desgraça afligira a cristandade. A Igreja Católica estava de luto pela morte de Bento
XIV, ocorrida aos 3 de maio de 1758, festa da Invenção da Santa Cruz.
Acabava a Santa Sé de perder um dos mais ilustres Pontífices e a Fé Católica um de seus
mais resplandecentes luzeiros.
Perda dolorosa para o coração de Paulo, que chorava a Igreja, viúva de tão bondoso Pastor,
e a Congregação, órfã de pai tão amoroso.
Apresentavam-se-lhe à memória os, benefícios recebidos do digno Vigário de Jesus Cristo.
Todas as casas do Instituto, com exceção da primeira, foram construídas sob sua soberana
proteção. A jovem milícia de Cristo triunfara de tantas lutas pela defesa de seu poderoso
braço, e o Fundador fora sempre recebido por Sua Santidade com paternal carinho. Jantais o
despedira sem obsequiá-lo com alguns favor. Já é do conhecimento do leitor o afeto singular
de Bento XIV para com o nosso santo, chamado por ele o Apóstolo dos tempos modernos, e
para com a Congregação por ele fundada. Esse afeto e veneração cresceu tanto com o correr
dos tempos, a ponto de o magnânimo Pontífice trazer sempre consigo parte de uma carta
escrita por Paulo, como se fora preciosíssima relíquia. Pouco antes de falecer, disse a alguns
dos nossos, que foram visitá-lo:
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“
Estou para morrer; todavia ajudar-vos-ei ainda no que
puder
”
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Na verdade, se o reconhecimento é a virtude das almas nobres, é sobretudo a virtude dos
santos.
Não há, pois, que estranhar a dor profunda do servo de Deus, sempre sensível ao menor sinal
de interesse por seus filhos.
Portanto, o pai e os filhos dirigiram ao Céu fervorosas preces pelo descanso daquela grande
alma, apesar de viva confiança de que já gozasse da presença do Senhor; confiança baseada
nas gloriosas e santas obras praticadas em vida e na serenidade com que aceitou a morte,
ocorrida no dia do triunfo da Santa Cruz.
A aflição e as lágrimas de Paulo tinham origem no vivo e nobre sentimento de gratidão, pois
já soubera. por luz superior, que o futuro Pontífice seria intrépido e generoso defensor da
Igreja e magnânimo protetor do seu Instituto.
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