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Discorrendo os religiosos sobre a eleição do futuro Vigário de Jesus Cristo. perguntaram
familiarmente ao santo quem seria o sucessor do Pontífice falecido. Como guardasse
silêncio, cada qual indicou o seu candidato.
Então Paulo, inspirado por Deus, interrompeu-os, dizendo
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“
E que diríeis se o novo Papa fosse o cardeal Rezzonico?
”
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Exclamaram todos:
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“
E' impossível. Rezzonico é veneziano e tão terrível é a guerra entre a corte de Roma e a
república de Veneza, que certamente o sagrado Colégio não irá escolher um cardeal dessa
cidade
”
.
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Parecia convincente a razão. Houve um momento de silêncio. Esperavam que o santo
confessasse o equívoco. Ele permanecia calado, em atitude sumamente grave. Sabiam, por
experiência, o significado de semelhante conduta. Quando, por inadvertência, manifestava
alguma mercê do Céu, procurava imediatamente ocultá-la com o véu do silêncio.
Desconfiaram, pois, houvesse Paulo feito uma profecia.
Aos seis de julho, com surpresa geral, Rezzonico era nomeado Papa.
Todas as dificuldades à eleição foram vencidas pelo conceito de santidade que gozava,
especialmente em Pádua.
Exultou o santo de alegria.
Ao ver, em dias tão calamitosos, impávido piloto guiar a barca de Pedro, ordenou aos
religiosos rendessem fervorosas ações de graças a Deus N. Senhor.
O íntimo amigo do servo de Deus era, pois, o sucessor de são Pedro!
Sua bondade e amor ao Instituto, suas cartas a Paulo, gentis e afetuosas; a hospitalidade dada
aos dois irmãos e o interesse tomado junto de Bento XIV em prol da Congregação, tudo
prenunciava que o Santo Padre iria cumulá-la de graças e benefícios.
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“
Folgo em saber, escrevia o santo aos 8 de junho de 1758 ao mestre de noviços, folgo em
saber que o cardeal Rezzonico foi eleito Papa. O pe. João Batista e eu iremos a Roma beijar
os pés de Sua Santidade e tratar dos votos solenes, bem como de uma residência na Cidade
Eterna
”
.
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Foram recebidos com a máxima afabilidade pelo santo Padre, que conversou com eles por
largo tempo, recordando-lhes os doces colóquios que tiveram antes de sua elevação à Sé
arquiepiscopal de Pádua.
Sensibilizado pela bondade de Clemente XIII, falou-lhe o santo a respeito dos votos solenes
e do desejo de ter uma casa em Roma. O bondoso Pontífice prometeu satisfazê-lo.
Abençoou-os e os despediu, imensamente satisfeito pela visita.
De regresso à solidão do Santo Anjo, Paulo providenciou os documentos necessários para
estabelecer os votos solenes no Instituto. O Papa lhe aconselhara os enviasse ao cardeal
Crescenzi, então em Roma. Este apresentou a Clemente XIII a petição, que em fevereiro de
1760 foi confiada, como é de praxe, ao exame de uma comissão cardinalícia.
Paulo esperava a decisão com santa indiferença, tendo unicamente em vista a vontade de
Deus. Para não faltar ao dever, embora idoso e achacado, empreendeu várias viagens a
Roma e escreveu inúmeras cartas. Ouçamo-lo em uma delas:
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“
Espero que a exaltação do cardeal Rezzonico ao Trono Pontifício nos seja de grande
vantagem, mas repouse a nossa confiança unicamente em Deus. Rezemos, portanto. Assim o
faz a nossa pobre Congregação e outras almas piedosas, rogando a sua divina Majestade nos
conceda os votos solenes...
”
.
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Em data de 28 de agosto de 1760, escrevia
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“
Se conseguirmos esse desiderato, em tempos tão calamitosos, será verdadeiro milagre
”
.
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Por vezes densas trevas o envolviam.
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“
Sinto, escrevia ao pe. João Maria, sinto intensa luta em meu interior; experimento dúvidas,
temores e profunda repugnância de intrometer-me n o assunto; não sei o que é isso. Por
favor, dê-me seu parecer
”
.
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Para certificar-se da vontade de Deus, pedia orações e mandava celebrar o santo Sacrifício.
Clareou-se-lhe, afinal, a alma. Na última sessão cardinalícia, 23 de novembro de 1760,
disse a um de seus religiosos:
Assim fora. Que motivos induziram os cardeais, homens prudentes e ponderados, a
procederem dessa maneira? Paulo já o dissera com a expressão:
|
“
em tempos tão
calamitosos...
”
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Por toda parte, em França, Portugal, Espanha, Áustria e mesmo na Itália, tramava-se a ruína
das Ordens religiosas. A procela levantada pelo hálito deletério dos inimigos de Deus e da
humanidade, rugia e avançava sempre mais ameaçadora. A guerra de extermínio contra a
venerável Companhia de Jesus, começada por Pombal, Ministro de Portugal, tristemente
célebre pelo seu ódio maçônico e perseguições aos Jesuítas, avassalara o mundo: guerra
satânica que, na Companhia, guerreava todas as Ordens e Congregações religiosas.
Visavam em primeiro lugar a mais forte, para, em derrubando os arcos principais, lançarem
por terra o edifício, isto é, a Igreja, e em seguida mergulharem no sangue e no lodo os tronos
e a sociedade toda.
Esses, sem dúvida, os pressentimentos dos cardeais comissários.
Em tais circunstâncias, seria quase um milagre o estabelecimento de nova Ordem religiosa.
O santo Fundador adorou as disposições da Providência.
Clemente XIII, inspirado por Deus, respeitou, apesar do afeta a Paulo e a seu Instituto, a
decisão dos cardeais, concedendo-lhe no entanto, espontaneamente, outros favores e
privilégios.
Desejava ter notícias do dileto amigo, recomendava-se às suas orações e, faltando-lhe o
tempo para escrever-lhe pessoalmente, fazia-o pelo cardeal João Batista Rezzonico, seu
sobrinho. Escreveu-lhe uma vez de próprio punho.
Seria difícil dizer o que mais era de admirar, se a condescendência do Pontífice ou a
humildade do religioso.
Paulo, já o dissemos, reconhecia na pessoa do Papa o mesmo Jesus Cristo. A distância entre
o Vigário de Cristo e ele era, portanto, infinita. Não compreendia como o Chefe da Igreja
pudesse abater-se tanto.
Ao receber a carta, não pôde reter as lágrimas. Antes de lê-la aos filhos, exortou-os a ouvi-
la como se fora uma página das sagradas Escrituras. À hora da ceia, instado a tomar algum
alimento, respondeu:
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“
Não tenho fome, estou saciado de felicidade
”
.
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Eis nova prova de amor do augusto Pontífice ao nosso santo.
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