PAULO E A INGLATERRA

O nosso santo tinha predileções pela Inglaterra. Quantas lágrimas, quantos suspiros, que ardentes votos pelo seu retorno ao seio da santa Igreja Católica

“ Ah! A Inglaterra dilacera-me o coração.... Ah! a Inglaterra, a Inglaterra! ”

repetia emocionado.

Certa vez exclamou:

“ Peçamos pela Inglaterra. Sou obrigado a fazê-lo, porque apenas me ponho em oração, apresenta-se-me ao espírito esse pobre reino. Há mais de cinqüenta anos que pego a conversão da Inglaterra; faço-o todos os dias na santa Missa. Ignoro os desígnios de Deus; talvez queira usar-lhe de misericórdia, com chamá-la á, verdadeira fé. Rezemos, rezemos muito; o resto pertence a Deus ” .

Paulo estava de cama; o enfermeiro, encontrando-o em êxtase, tocou-o por três vezes. Ao voltar a si, exclamou

“ Onde estava eu? Na Inglaterra; perpassaram-me pela mente os ilustres mártires ingleses. Oh! como roguei por aquele reino! ” .

De outra feita. ao celebrar o divino Sacrifício, N. Senhor desvendara-lhe o porvir daquela nação. Continuaria nas sombras do erro ou resplandeceria na luz indefectível da verdade? Ignoramo-lo. A última hipótese parece-nos mais provável e nosso coração se regozija ao esposá-la. O que não padece dúvida é que Paulo teve a felicidade de contemplar em espírito os Passionistas na Inglaterra.

Terminada a santa Missa, disse aos religiosos:

- Oh! que me foi dado contemplar! Os meus filhos na Inglaterra!

O ven. pe. Domingos da Mãe de Deus, no prefácio que escreveu a 21 de novembro de 1847 para a tradução inglesa da Vida de São Paulo da Cruz composta por são Vicente Strambi, assim confirma esta consoladora visão:

“ O fato foi referido pelo confessor do ven. Padre. Um dia, enquanto celebrava a santa Missa em uma de nossas igrejas situada na diocese de Viterbo, sob a invocação de São Miguel Arcanjo, no Monte Fogliano, deteve-se no altar mais que de costume permanecendo imóvel durante a comunhão por cerca de meia hora. Durante esse tempo notou seu confessor, o pe. João Maria de Santo Inácio, que estava com o rosto resplandecente e inundado de luz celestial. Terminada a Missa, disse o referido pe. João Maria ao ven. Padre em tom de gracejo:

- Choveu bastante esta manhã, não?

Era esta uma frase muito familiar ao ven. servo de Deus quando queria se referir à abundância de unção divina ou a outros favores celestes na oração. O semblante do ven. padre Paulo enrubeceu e, entre lágrimas e soluços, exclamou:

- Oh! que coisa vi eu esta manhã! Os meus filhos, os passionistas, na Inglaterra! Os meus filhos na Inglaterra!

O confessor estava ansioso por obter dele mais algum esclarecimento a esse respeito, mas só obteve esta resposta:

- Os meus filhos na Inglaterra! ”

Inglaterra! as lágrimas e orações de são Paulo da Cruz, os suores apostólicos de seus filhos não serão estéreis; farão crescer em tuas plagas a árvore fecunda da verdade. Sim, tornarás a ser a Ilha dos Santos.

A profecia do santo se realizou por meio do ven. pe. Domingos da Mãe de Deus, em 1841. Hoje Inglaterra, Irlanda e Escócia contam numerosas casas de Passionistas. Eis como se cumpriu a profecia. Um jovem após a Comunhão orava ante a imagem da ss. Virgem, em o nosso convento do Santo Anjo. Resplandecente claridade o envolveu e uma voz lhe segredou:

“ Serás Passionista e estabelecerás na Inglaterra muitas casas dessa Congregação. ”

Esse jovem é o venerável pe. Domingos da Mãe de Deus, o grande apóstolo da Inglaterra. Quando Provincial, em visita às casas da Província de Nossa Senhora das Dores, caiu com o cavalo em um rio e, submerso nas águas, prestes a afogar-se, exclamava:

“ Eu não posso morrer aqui, pois ainda não vi a Inglaterra ” .

Nomeado, em 1841, primeiro Superior do nosso retiro de Cambrai, nos limites da Bélgica, passou à Inglaterra a chamado do cardeal Wiseman, onde fundou vários conventos e trouxe ao redil da verdadeira Igreja número incalculável de protestantes, entre outros, diversos personagens insignes, como Dalgrains, Newman, mais tarde cardeal da santa Igreja, o célebre pe. Faber, etc..

Recebeu no Instituto ao Lord Spencer, em religião pe. Inácio de São Paulo, antigo ministro anglicano e futuro sucessor de Domingos como Provincial.

Foi o pe. Domingos homem de vasta e profunda erudição, como o demonstram muitas obras filosóficas, teológicas e ascéticas. Amava entranhadamente a ss. Virgem, a quem devia as graças extraordinárias com que o Céu o enriquecera.

Faleceu em odor de santidade aos 27 de agosto de 1849, com 67 anos de idade. Nascera em Viterbo, no dia 22 de junho de 1792. Seu corpo, milagrosamente conservado, repousa no retiro de Sant’Ana em Sutton-Oak, nos arrabaldes de Liverpool.

Apareceu diversas vezes a um pe. Passionista, cercado de resplendor.

O processo de canonização está bem adiantado. O Santo Padre Pio X, com decreto de 14 de junho de 1911, proclamou-o Venerável. Esperamos para breve as honras dos altares a este digno filho do grande apóstolo de Jesus Crucificado.

Para maior conhecimento do ven. Domingos da Mãe de Deus leia o esplêndido livro do pe. Frederico C. P., Il Ven. P. Domenico della Madre di Dio, passionista, apostolo, mistico, scrittore.