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Aquele vasto incêndio de amor, demasiado forte para um vaso de barro, houvera consumido
bem depressa a frágil natureza, não fosse ela protegida pela virtude do Altíssimo.
O corpo era, para o santo, pesado cárcere da alma. Oh! como anelava rompê-lo a fim de
voar livremente para o único centro da vida, N. Senhor Jesus Cristo, íman irresistível dos
corações! Ao ver-se represado pelos laços da matéria, suspirava:
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“
Oh! quem me dera reduzir-me a cinza de amor!.... Ai! meu Deus! Ensinai-me como hei de
me exprimir. Quisera ser todo chamas de amor, mais, mais ainda, quisera saber cantar no
fogo do amor e louvar as grandes misericórdias que o Amor Incriado concede à minha alma.
”
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E como para refrear os ardores da alma:
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“
Não, não, aspiro precipitar-me, como a mariposa, nas chamas do amor, e ali, no silêncio do
amor, perder-me, abismar-me, no TODO divino
”
.
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A ferida de amor ressecava-lhe por tal modo as entranhas, que nem mesmo os rios poderiam
refrigerá-lo. Exclamava, então
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“
Para saciar-me a sede, só mesmo um oceano... Desejo sorver um oceano de fogo de amor!
”
.
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- Voltando-se para Jesus Crucificado, suplicava-lhe, chorando, lhe permitisse saciar a
ardentíssima sede no manancial inexaurível do divino Coração. Apiedou-se Nosso Senhor
desse suplício de amor, contentando-o de maneira inefável. Estava Paulo de joelhos ao pé de
grande Crucifixo, Mais violentas do que nunca eram as palpitações do coração e a sede mais
abrasadora. As lágrimas não lhe proporcionaram refrigério algum. Não poderia suportar por
mais tempo aquele martírio de amor. Pedia, instava com o divino Esposo a que o acolhesse
em suas chagas adoráveis.
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“
Ó Deus de Amor, que não fazeis pelo amor?
”
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Transfigura-se a santa imagem!... Ali está Jesus vivo, palpitante de amor! Desprende as mãos
da Cruz e estreita, num amplexo inebriante, o servo fiel ao peito adorável, permitindo-lhe
colar os lábios na sagrada chaga do lado e saciar a sede ardente naquele manancial de vida!
Foram três horas paradisíacas... Este episódio foi reproduzido pelo pintor L. Cochetti em
magnifica tela ofertada ao Santo Padre no dia da canonização do santo.
O amor fomenta o amor, como o fogo unido ao fogo cresce de intensidade.
Aquele divino amplexo, longe de acalmar a sede de Paulo, aumentou-a mais e mais. Sua vida
é amor; tudo nela é amor, unicamente amor. No entanto, ele se cria despojado desse amor!
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“
Ó doces abraços! Ó ósculos divinos! Quando nos inflamaremos como os serafins?...
”
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“
Que faremos, dizia aos filhos, que faremos para agradar ao doce Jesus? Ah! quisera fosse a
nossa caridade bastante ardente para abrasar a todos os que se aproximassem de nós!... E'
pouco. Nossa caridade deveria inflamar os povos mais distantes, de todos os idiomas, de
todas as nações, de todas as tribos; em suma, a todas as criaturas, a fim de que todos
conhecessem e amassem o soberano Bem...
”
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Outras vezes exclamava:
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“
Ah! se fora possível,
quisera atear fogo no mundo inteiro, para que todos amassem a Deus
”
.
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M. Viller em Revue
d'Ascetique e de Mystique, 1951, diz que são Paulo da Cruz é o maior místico e
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“
o maior
mestre espiritual italiano do século XVIII
”
.
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As abrasadas expressões que citamos atestam
autorizadamente quão alto se elevara o nosso santo na união com Deus.
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